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Congresso tem trabalhado com intensidade para ajudar o País a atravessar crise, avalia Weverton Rocha, líder do PDT no Senado

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Em entrevista exclusiva concedida ao Jornal Brasil Popular, o senador Weverton Rocha, líder de bancada do PDT no Senado, destaca o papel do Congresso Nacional, para ajudar o país a atravessar a pandemia do coronavírus (Covid-19), e afirma que “o pior inimigo do presidente é ele próprio”, que “opta pela crise permanente”.

 

O senador Weverton Rocha (PDT/MA) foi apontado pelo quinto ano consecutivo (2019) como um dos 100 parlamentares mais influentes do Congresso Nacional. Sua presença na publicação anual “Os 100 Cabeças do Congresso”, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP), se repete desde 2012, quando ele assumiu vaga de deputado federal, tendo continuado essa performance no Senado, a partir de 2019, ao ser eleito senador, em 2018, com a maior votação da história do Maranhão (35,02% dos votos válidos).

 

Desde então, Weverton acumula centenas de proposituras de interesse nacional e do seu estado, apresentadas ao legislativo. É dele o substitutivo à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que adia a data das eleições municipais deste ano, devido à pandemia de coronavírus.

 

Natural de Imperatriz e graduado em Administração, Wevertou tem experiência em cargos da administração pública, tendo sido, por duas vezes, assessor especial: na Prefeitura de São Luís (2000 e 2006) e no Ministério do Trabalho, na gestão do então ministro Carlos Lupi (2009).

 

O jovem senador pedetista, despontou na política por meio de sua atuação no movimento estudantil do Maranhão, onde se inseriu aos 16 anos, tendo atuado na União Maranhense de Estudantes Secundaristas (UMES), e, em nível nacional, na União Brasileira de Estudantes Secundaristas (UBES) e na União Nacional dos Estudantes (UNE). Logo se filiou ao PDT e fez militância na Juventude Socialista do partido do qual é presidente estadual, membro da Executiva Nacional e líder da bancada no Senado.  Em meio às sessões remotas que o Senado vem realizando durante a pandemia, Wevertou atendeu, gentilmente, a reportagem do JBP, e concedeu a seguinte entrevista:

 

JBP – O Senado aprovou esta semana, substitutivo de sua autoria, à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que adia as eleições municipais deste ano, devido à pandemia da Covid-19. Conforme a proposição, o pleito se realizará nos dias 15 de novembro (1º turno) e 29 de novembro (2º turno). Qual a importância dessa mudança para os municípios? Há maioria na Câmara dos Deputados para aprovar a proposta?

 

WR – Para chegar a essas datas, promovemos um amplo debate, ouvindo opiniões de especialistas das áreas da saúde e do direito, e também políticos. Essas datas se mostraram adequadas, em princípio, tanto do ponto de vista sanitário, como legal. Será um momento em que os cientistas acreditam que teremos uma curva de contágio estabilizada e, ao mesmo tempo, é viável para a organização tanto das eleições, como da posse. Sobre ter maioria na Câmara, é uma pergunta difícil de responder. O que sei é que o presidente da Casa, Rodrigo Maia, está trabalhando para conseguir a unidade possível para a votação. Espero que os deputados votem com consciência, pensando no que é melhor para a saúde e para a vida.

 

JBP – Em pouco mais de 3 meses da pandemia, o país já perdeu quase 60 mil pessoas e tem mais de 1,4 milhão de outras contaminadas pelo vírus. Além de mudar a data das eleições municipais, o que mais o Parlamento tem feito para amenizar tanto sofrimento e perdas?

 

WR – O Congresso Nacional tem trabalhado com muita intensidade para ajudar o País a atravessar essa crise. Aprovamos, em tempo recorde e um consenso jamais visto, temas importantíssimos, como o auxílio emergencial de R$ 600,00 para desempregados e informais. E é bom lembrar que pelo governo o valor seria R$ 200,00. O Congresso elevou para R$ 600,00. Também aprovamos o socorro emergencial para estados e municípios, para empresas e pagamento de folha de pessoal, além de outros projetos relevantes para a população. Um dos projetos que virou lei, de minha autoria, proíbe o corte de água e luz em vésperas de feriados e finais de semana.

 

JBP – No contexto de pandemia, o senhor e seu partido, o PDT, têm sido atuantes nas sessões remotas, seja contribuindo para aprovar projetos ligados à Covid-19, seja propondo medidas voltadas a mitigar os impactos da pandemia. Cite algumas das mais importantes proposituras, do PDT, aprovadas até agora?

 

WR – O PDT tem tido um protagonismo muito forte em defesa da nossa democracia e da nossa população. Cito dois exemplos muito fortes. Foi o partido, por exemplo, que garantiu no Supremo Tribunal Federal, a autonomia de prefeitos e governadores para adotar as medidas de isolamento social no início da pandemia. Sem isso, teríamos presenciado uma tragédia no Brasil, porque o governo federal se recusou a reconhecer a gravidade da doença. O PDT também foi o autor da ação que provocou o reconhecimento do STF de que as Forças Armadas, embora importantes para o país, não são um poder moderador e não podem agir contra os Poderes da República.

 

JBP – No cenário desolador dessa pandemia, a sociedade assiste com surpresa e revolta, as atitudes do presidente da República, de jogar contra a vida e atuar em favor da economia, defendendo o fim do isolamento social e desrespeitando medidas sanitárias, o que põe em risco outras pessoas. Como o senhor avalia esse comportamento?

 

WR – É de uma irresponsabilidade e até de uma maldade sem justificativa. Não foi pior, porque prefeitos e governadores agiram rápido. Ainda assim, temos mais de 1,4 milhão de infectados e caminhamos para 60 mil vidas perdidas pela falta de uma estratégia nacional, de um governo que fizesse opção pela vida.

 

JBP – Ao longo de 16 meses de governo, o presidente Bolsonaro tem defendido questões que não correspondem aos interesses imediatos da maioria da população, como por exemplo, a liberação do porte de armas e a venda de empresas públicas. Como o senhor avalia o governo Bolsonaro?

 

WR – Um desastre. E olha que o governo dele tem tido uma oposição compreensiva, que reconheceu o resultado da eleição e não o impediu de trabalhar. Mas o pior inimigo do presidente é ele próprio, sua falta de gestão, que opta pela crise permanente, quando o país precisa de união.

 

JBP – O Brasil vive neste momento, uma série de crises – econômica, sanitária e política. O presidente Bolsonaro apoia publicamente ações de ativistas extremistas, que, ameaçando a democracia, pedem intervenção militar e fechamento do Congresso e do STF. O Sr. avalia que estes fatos configuram uma crise institucional?

 

WR – Vivemos uma crise permanente desde o início de 2019. Este ano, foi ainda pior, porque o país se viu em meio a uma pandemia, com perdas dramáticas de vidas e empregos. No momento crucial, em que mais se precisava de união, o presidente se negou a conversar com os outros poderes e só tenta fazê-lo agora porque está acuado.

 

JBP – Há na Câmara dos Deputados mais de 40 pedidos de impeachment do presidente. O senhor enxerga crime de responsabilidade de Bolsonaro? E, caso algum dos pedidos seja posto em pauta, qual será a posição do PDT?

 

WR – Sempre disse que remédio para governo ruim é o voto. Mas neste caso, todos os limites foram ultrapassados. O PDT assinou um desses pedidos de impeachment e acredito que na hora certa o pedido será pautado.

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