Resultado faz o País encerrar dezembro 2020 como a pior década em 120 anos

 

O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro teve uma queda de 4,1%, em 2020, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O instituto divulgou a situação do PIB nesta quarta-feira (3).

 

Foi a maior queda desde o confisco de Collor. A imprensa comercial do Brasil e o presidente Jair Bolsonaro atribuem o baixíssimo desempenho à pandemia, mas, na verdade, a culpa é mesmo da política econômica, uma vez que outros países que souberam controlar o vírus mostraram o contrário.

 

Resultado faz o Brasil, segundo o IBGE, encerrar dezembro 2020 como a pior década em 120 anos. No último trimestre, a economia avança 3,2%, mas perde fôlego. Com a inflação diária sobre a cesta básica e demais alimentos, o Consumo das famílias teve uma retração histórica.

 

O PIB per capita alcançou R$ 35.172 em 2020, com queda de 4,8% em termos reais. Esta também foi a menor taxa da série histórica, informa o IBGE.

 

O economista Júlio Miragaya, em artigo intitulado “PIB, pandemia e anarquia”, publicado em sua coluna no jornal Brasília Capital, explica que “nesta década, o PIB cresceu, em média, 0,3% ao ano, o pior desempenho desde o início do século XX. Durante os 5 anos do governo Dilma, cresceu apenas 5,86%, mas com Temer/Bolsonaro, entre 2016 e 2020, teve queda de 3,03%”.

 

Importante explicar que o Produto Interno Bruto  (PIB) é a soma de todos os bens e serviços produzidos num País e mede a evolução da economia.

 

Desde 2016, com o golpe de Estado para implantar, à força, o projeto neoliberal da Escola de Chicago no Brasil, o PIB entrou em gráfico decrescente. “Em 2020, houve queda de 3,9% no Valor Adicionado a preços básicos e de 4,9% no volume dos Impostos sobre Produtos Líquidos de Subsídios”, informa o IBGE.

 

“É, ironicamente, o resultado do golpe que derrubou o PT, prometendo um robusto crescimento econômico. O desastroso governo Bolsonaro alega que o afundamento da economia do País era inevitável devido à pandemia, mas o desempenho de outros países que souberam controlar o vírus mostra o contrário: a China cresceu 2,3% em 2020; o Vietnam, 1,6%; Bangladesh, 3,8%; o Egito, 2,0% e a Coréia do Sul teve queda, mas de apenas 0,9%.

 

Segundo a revista Carta Capital, “os principais destaques do PIB 2020 foram negativos: Serviços: -4,5%; Indústria: -3,5%; Agropecuária: 2%; Consumo das famílias: -5,5%; Consumo do governo: -4,7%; Investimentos: -0,8%; Exportação: -1,8%; Importação: -100%.  A agricultura foi o único setor que escapou da queda generalizada da economia brasileira em 2020: cresceu 2%, contribuindo para amenizar a queda geral de 4,1% do PIB”, afirma.

“O setor de serviços, que agrega mais de 70% da atividade no País, encolheu 4,7%; a indústria recuou 4,5 %; o consumo do governo diminuiu 4,7%, e das famílias emagreceu 5,5 %. O investimento (ou Formação Bruta de Capital Fixo) perdeu 0,8%”, aponta a revista.

 

Segundo a Carta Capital, “especialistas afirmaram que este foi o pior resultado anual do PIB desde o início do Plano Real, em 1995, e a terceira maior queda desde 1901, segundo a série histórica compilada pelo Ipea. E interrompe uma sequência de três anos de crescimento, entre 2017 e 2019”.

 

Gestão da pandemia

O economista Júlio Miragaya também critica a gestão da pandemia e diz que às vésperas de completar 1 ano da chegada do vírus, o Brasil supera 10,7 milhões de infectados e 260 mil mortos e, nas últimas 24h, conseguiu atingir 1.900 mortes por Covid-19.

 

A política de imunização de rebanho para não investir o dinheiro público no combate à pandemia somanda à política econômica neoliberal é sim motivo para o baixo desempenho da economia e a explosão de pobreza no Brasil.

 

Nesta quarta-feira (3/3), o País bateu o recorde de óbitos por Covid-19, com 1.910 óbitos nas últimas 24h e 260 mortos em menos de 1 ano de pandemia: um morto a cada 50 segundos.

 

“Certamente tantos óbitos eram evitáveis, como o demonstraram vários países, sejam desenvolvidos, como Austrália, Nova Zelândia e Taiwan, sejam pobres, como Cuba, Vietnam e Uruguai. Ocorre que Bolsonaro apostou no negacionismo, desincentivou o uso de máscaras e o distanciamento social e o Ministério da Saúde se recusou a centralizar o combate à pandemia, conseguindo a “proeza” de errar em tudo: falta de testes; falta de leitos de UTI; falta de pessoal; falta de oxigênio. De excesso, apenas o superfaturamento na aquisição de material e os gastos com cloroquina”, aponta o economista.

 

E completa: “Agora, em plena 2ª onda, mais trapalhadas: dificuldades na importação de insumos da China em função da política de hostilidade do clã Bolsonaro àquele país; atraso no início da vacinação, com essa se dando em ritmo de tartaruga, pois em 45 dias pouco mais de 3% da população foi vacinada.

Para conhecer o desempenho negativo da economia brasileira por causa da política neoliberal adotada pelo governo e o não combate à pandemia do novo coronavírus, clique aqui e acesse o relatório do IBGE