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Coletivo de Mulheres Negras exige vacinação em massa e censo da população negra afetada por Covid-19

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Para marcar a passagem no domingo, 21, do Dia Internacional Pela Eliminação da Discriminação Racial, o Coletivo Mulheres Negras Baobá do Distrito Federal e Entorno publicou um manifesto em que reclama das condições precárias de saúde no país, com consequências fatais, especialmente para a população negra, com destaque, as mulheres negras, e exige do governo federal, vacinação em massa, contra a coronavírus (Covid-19), realização de um censo populacional que revele quantas pessoas negras – mulheres, homens, jovens, crianças, idosos – já morreram e continuam a morrer por falta de políticas públicas, condições hospitalares para o tratamento da Covid e visibilidade para as profissionais negras, que atuam na linha de frente do Sistema Único de Saúde (SUS).

 

 

No manifesto, ao acusar o governo central de “descaso, irresponsabilidade, desinformação, distorção e falta de transparência, principalmente das compras de vacina”, as mulheres negras, questionam: “a quem ou a quais governos a população negra terá que recorrer para ter acesso às políticas públicas na saúde, para não perder suas filhas, filhos, pais, mães e parentes?”.

 

 

O manifesto relembra que a primeira vítima da Covid-19 no Brasil foi uma mulher negra, a trabalhadora doméstica Rosana Aparecida Urbano, de 57 anos, que morreu em São Paulo. Neste contexto, ressalta que “o desconhecimento mundial do vírus e seu processo avassalador, empurram a população negra a enfrentar o caos que se instalou no país”, devido à ausência de políticas sanitarista e econômica “que fortaleçam as famílias negras no campo, com segurança alimentar e atendimento às necessidades básicas para o pagamento das suas despesas diárias”.

 

 

Diante deste “quadro crítico”, diz o documento, que só restou ao povo negro “conectar-se a uma ação rápida e eficiente” de suas instituições, coletivos, organizações e articulações, para, como “grandes guerreiras e guerreiros das lutas diárias”, enfrentar a Covid, indo à luta em busca de “amenizar a fome do seu povo negro”.

 

 

Desta forma, as mulheres relatam as campanhas de arrecadação de recursos financeiros bem como de doações de roupas, calçados, brinquedos e livros, que o Coletivo realiza desde 2020, junto a integrantes das organizações irmãs, sindicatos, movimentos sociais, familiares e amigos. Durante estas campanhas solidárias, as mulheres negras conseguiram arrecadar doações significativas para acolher outras mulheres negras que são mães solo, residentes no Setor de Chácaras Lúcio Costa, localizado no Guará, e para apoiar com moradia básica, uma mulher negra do Morro do Sabão, em Samambaia, que foi vítima de tentativa de feminicídio e de agressões aos seus filhos.

 

 

Lives conscientizadoras

 

 

Como o objetivo prioritário de contribuir para o enfrentamento ao racismo, machismo e sexismo que atingem as mulheres negras no Distrito, o Coletivo Mulheres Negras Baobá também atua em outras frentes de ação, tal como a comunicação e interação nas redes sociais. Desta feita, realiza nesta terça-feira, 23, mais uma edição da Live Terças Baobá, com tema Educação Antirracista no Enfrentamento à Covid-19, que será abordado pela mulher negra e periférica Márcia Gilda, professora com pós-graduação em Coordenação Pedagógica, pela Universidade de Brasília (UnB). Servidora da Secretaria de Educação do DF, Márcia Garcia foi Coordenadora Regional de Ensino de Brazlândia, entre 2011 e 2014, sendo, atualmente, diretora do Sindicato dos Professores do Distrito Federal (Sinpro), coordenando a Secretaria de Raça e Sexualidade da entidade. Esta live terá a mediação da mulher negra Isabel Clavelin.

 

 

Trabalho coletivo produzido pela coordenação do Grupo de Comunicação do Coletivo, a Live Terças Baobá foi lançada no início do mês, na programação do Mês de Lutas, com o Sarau Mulheres Negras. Transmitido pelas redes sociais – Facebook e Instagram – do coletivo, das 20hs às 21hs, Terças Baobá é voltado a dar visibilidade à atuação das mulheres negras no combate à pandemia no DF e Entorno. Neste contexto, estão as ações de promover a valorização e o reconhecimento do lugar de fala da mulher negra, que forma um tecido sociocultural, constituído de lideranças comunitárias, profissionais autônomas, artistas, ativistas, jovens, idosas e desempregadas. Juntas, as mulheres negras querem saber de que forma a população negra está fazendo o enfrentamento a essa “doença agressiva, que, em pouco mais de um ano, já ceifou a vida de quase 300 mil pessoas, em todo o país, e que escancarou as desigualdades econômicas, sociais e raciais no Brasil”, afirmam.

 

 

No próximo dia 30, fechando o Mês de Março, o debate da Terças Baobá será sobre o desdobramento do Documento das Mulheres Negras Contra o Racismo, que foi entregue ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Luiz Fux. A convidada é a coordenadora do Criola, do Rio de Janeiro.

 

 

 

 

 

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