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Colapso no Pará e caos na vacinação se aprofundam

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Crise internacional criada por Bolsonaro pode deixar Brasil, que só tem vacina para 4% da população prioritária, sem insumos para produção do imunizante.
Pará amanhece sem oxigênio. Pessoal da linha de frente denuncia favorecimento de comissionados no 1º dia de vacinação

 

O Brasil ultrapassou, nesta terça-feira (19), as 210.299 mortes por Covid-19. Só nessa segunda-feira (18/1), o País registrou 452 mortes e 23.671 mil novas infecções pelo novo coronavírus. Os números são do Ministério da Saúde e podem ser bem maiores por causa das subnotificações. Apesar da ajuda de outros estados e do governo Nicolás Maduro, da Venezuela, o Amazonas continua mergulhado no colapso sanitário, que já se estende por toda a Região Norte. Na manhã desta terça,  a primeira cidade do Pará entrou em colapso na área da saúde por causa da falta de oxigênio, leitos e medicamentos para pacientes em tratamento da Covid-19. Pelo menos seis pessoas morreram asfixiadas nas últimas 24 horas, em Faro, município paraense situado na divisa com o Amazonas.

 

Sem comunicação e com corrupção –  O caos toma conta de todos os setores: desde o atendimento aos contaminados pelo novo coronavírus e o início da vacinação até as relações internacionais. O início da vacinação, que deveria ser um motivo de tranquilidade, tem suscitado tumulto e rumores de falta de transparência e favorecimentos. No caso da vacinação, apenas cinco das 27 unidades federativas iniciaram a imunização da população. E já começaram, segundo denúncias anônimas, com graves problemas de corrupção. Têm chegado à imprensa informações de que o pessoal de linha de frente está sendo preterido em favor de comissionados amigos dos poderosos em funções administrativas.

 

Sem uma política de combate à pandemia, sem uma campanha nacional de esclarecimento sobre a importância do imunizante e nem uma ampla divulgação do cronograma, a vacinação começa aos trancos e barrancos, bem longe de ser uma campanha vitoriosa, como as que o Brasil sempre realizou. No Distrito Federal, por exemplo, a população tem procurado os Postos de Saúde em busca da vacina. “Não se espante se o povo começar a invadir os postos de saúde. Sem orientação clara por parte do governo, que não preparou nenhuma campanha de comunicação, muita gente está indo para os postos cobrando a vacinação. Exigem o imunizante. Isso não vai acabar bem”, afirma o jornalista Vicente Nunes, em seu Twitter.

 

Colapso nas relações internacionais – O colapso da saúde se estende em todos os setores da vida nacional. Para começar, o próprio Ministério da Saúde informou que só tem vacina para 4% da população prioritária. Depois, o governo da Índia, por exemplo, divulgou, na manhã desta terça (19), uma nota sobre exportações de vacinas e não citou o Brasil entre as prioridades. Irá exportar apenas países vizinhos. Assim, as 2 milhões de doses de vacinas pedidas pela Fiocruz não chegarão por tão cedo ao País. Ou seja, sem AstraZeneca, o Brasil só conta mesmo com a CoronaVac e corre o risco de não ter insumos para a produção da vacina em razão dos problemas diplomáticos com o país asiático.

 

Depois de precisar do oxigênio do governo bolivariano de Nicolás Maduro e dos governos de esquerda nos estados que receberam parte dos manauras contaminada pela Covid-19, Jair Bolsonaro iniciou esta terça-feira precisando da mediação de deputados da esquerda para acessar o embaixador da China, Wanming Yang, para convencer o país asiático a liberar insumos para a fabricação de vacinas no Brasil.

 

Sua política agressiva com países como a China e de negação da ciência colocou o Brasil atrás na disputa internacional pelas vacinas. O resultado é que, este ano, quando o mundo inteiro já iniciou a imunização de sua população, o Brasil entra na disputa em desvantagem tanto para adquirir insumos para produzir vacinas quanto para comprar doses prontas até mesmo de outros fabricantes. Servidores do Ministério da Saúde dizem que o principal gargalo é a importação da matéria-prima,  o denominado Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA), comprado da China para produção de vacina produzida pelo Instituto Butantan em parceria com  o laboratório chinês Sinovac e do imunizante da Oxford, a vacina da AstraZeneca em território nacional.

 

Em outubro do ano passado, o presidente Jair Bolsonaro chegou a dizer, na mídia: “Alerto que não compraremos vacina da China”. Essa situação pode acabar com a esperança do brasileiro de ser vacinado em 2021. Enquanto isso, para distrair a população, a “brigada bolsonarista” da Internet distribui vídeos e informações falsas nas redes sociais contra as vacinas.

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