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Cinco mulheres integram um único mandato para disputar a prefeitura em Águas Lindas (GO)

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A Mandata Coletiva é a única candidatura feminina a disputar a prefeitura da cidade

Águas Lindas de Goiás, município goiano do chamado Entorno do Distrito Federal, nunca teve uma mulher prefeita e nesta eleição a Mandata Coletiva, representada por cinco mulheres: Sergiana do Nascimento, Kenya Benigno, Edilma Lima, Maria Cristina e Claudineia Lopes, é a única candidatura feminina.

 

Tais mulheres nunca tinham se candidatado a nenhum cargo eletivo e nem mesmo feito campanha para nenhum candidato no município. E apesar de serem candidatas pelo PSOL, nem todas são filiadas.

 

“Nós decidimos nos candidatar, porque, como usuárias dos serviços públicos municipais (saúde, educação, transporte, etc.), cansamos de ver entrar prefeito e sair prefeito e as coisas não mudarem para nós, a população mais pobre, a classe trabalhadora. Resolvemos não ficar mais somente criticando. Decidimos disputar o poder municipal para fazer o que tanto desejamos: colocar cada centavo do dinheiro público no seu devido lugar. E assim ir melhorando a vida do povo águas lindense”.

 

A ideia surgiu no final do ano de 2019, quando tais mulheres, juntamente com outras mulheres e homens de Águas Lindas pensaram em lançar uma candidatura em Mandato Coletivo para a vereança. No decorrer das conversas, descobriram que somente os homens brancos e empresários ricos dominaram o cenário político municipal, sobretudo na prefeitura. Daí surgiu a pergunta: “Por que não uma candidatura de mulheres negras e periféricas para majoritária?”

 

Daí o PSOL local, além de majoritária lançou duas candidaturas para vereança em formato de Mandato Coletivo: Mandato Coletivo da Juventude Periférica (com três jovens: dois negros e um branco; Um jovem pai, uma jovem lésbica e um jovem trans – todos estudantes universitários) e o Mandato Poder Social (duas servidoras públicas e um advogado).

 

Todas as cinco mulheres da Mandata Coletiva são trabalhadoras: Sergiana Nascimento é diarista e terapeuta popular; Kenya Benigno é dona de casa e desempregada; Claudineia Lopes é empregada doméstica e Edilma Lima e Maria Cristina são professoras da rede privada e pública. Elas usam o transporte público para trabalhar; os postos de saúde e o hospital municipal; elas e seus filhos estudaram na rede pública de ensino.

 

 

Candidaturas coletivas

 

Esta modalidade de candidaturas coletivas passou a ser elegível em 2016[1] e já é possível avaliar a proposta em níveis de legislativo, tanto municipal (em Alto Paraíso de Goiás) quanto estadual (Pernambuco e São Paulo – também pelo PSOL). Contudo, para um cargo majoritário, essa talvez seja a única candidatura em todo o território nacional. Até o momento não se tem nenhuma notícia de qualquer outra proposta para o cargo majoritário, tal como a Mandata Coletiva de Águas Lindas de Goiás.

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[1] “A ideia do vote em um e leve cinco não é nova no cenário eleitoral brasileiro, mas sempre teve maior ênfase nas candidaturas proporcionais, ao legislativo. Os primeiros registros que se tem notícia datam das eleições municipais de 2012 e 2014, quando sete candidaturas a vereador e deputados se valeram da técnica do mandato coletivo. Nas eleições municipais de 2016 e nacionais de 2018, já eram 98 candidaturas coletivas” (CHICO SANTANA, disponível em: https://chicosantanna.wordpress.com/2020/10/04/aguas-lindas-go-cinco-coprefeitas-na-vaga-de-um/.

 

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