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Centrais sindicais publicam nota de apoio aos governadores e prefeitos sobre isolamento social anti-Covid-19

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No documento, CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB apoiaram também a implantação, por parte dos estados e municípios, de um plano de vacinação e de fortalecimento do SUS independente do governo Bolsonaro

Todas as centrais sindicais de trabalhadores se uniram contra a política de não combate à pandemia do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e editaram, nessa segunda-feira (1º), uma nota pública de apoio aos governadores e prefeitos que decidiram se unir para combater a pandemia do novo coronavírus e a doença provocada pelo vírus, a letal Covid-19, para tentar debelar a explosão de casos que levaram, na última semana de fevereiro, ao colapso do sistema de saúde público e privado do País.  Confira o documento no final deste texto.

 

 

Segundo dados de institutos de infectologia e das Secretarias de Saúde estaduais, todos os estados estão com as Unidades de Terapia Intensiva (UTI) com 90% de esgotamento. Médicos estão escolhendo quem irá viver e há centenas de pessoas doentes pela Covid-19, em estado grave, nas filas de espera por uma UTI.

 

 

Apesar da situação classificada como “trágica” pela Organização Mundial de Saúde (OMS), o presidente Bolsonaro mantém a política de desdenhar mortes, protocolos e investimentos dos recursos financeiros públicos em vacinação, hospitais, UTI, no Sistema Único de Saúde (SUS) e no auxílio emergencial para garantir um confinamento (lockdown) sério e necessário para assegurar a redução da pandemia.

 

Na semana passada, Mike Ryan, diretor-executivo de Emergências da OMS, chamou a pandemia no Brasil de tragédia e lamentou que o País enfrente uma nova onda de casos e mortes pela Covid-19. “Infelizmente, é uma tragédia que o Brasil esteja enfrentando isso de novo e é difícil. Esta deve ser a quarta onda que o país volta a enfrentar”.

 

Imunidade de rebanho

No fim de semana, governadores de 12 estados e o do Distrito Federal decretaram um lockdown relativo, quando o País precisava de um lockdown rígido. O Brasil chega, nesta terça-feira (2/3), a 40 dias com média de mais de mil mortes por Covid-19 por dia, com gente morrendo na fila de espera. “O Brasil adotou uma estratégia ‘genocida’ ao apostar na chamada imunidade de rebanho para combater a Covid-19, o que possibilitou o surgimento de uma nova variante mais perigosa e que vem causando mais mortes”, disse Átila Iamarino, biólogo e divulgador científico à BBC News Brasil nesta terça.

 

 

Na segunda-feira (1º/3), Santa Catarina registrou 16 mortes de pacientes com Covid-19 na fila de espera de uma UTI especializada. A falta da política pública de combate à pandemia conduziu o País a uma tragédia sanitária sem nenhum precedente na história e, até esta terça, com 1.223 mortes por Covid-19 por dia, com 255 mil pessoas mortas em menos de 1 ano, e 10,5 milhões de casos confirmados.

 

 

Jair Bolsonaro e sua equipe econômica, comandada pelo banqueiro Paulo Guedes, adotaram a imunidade de rebanho, o que tem custado a destruição de famílias inteiras, para não investir o dinheiro público na saúde. Nem sequer providenciou a compra das vacinas e, com isso, destruiu um dos melhores Planos Nacionais de Imunização (PNI) do mundo. O Brasil era exemplo planetário de vacinação contra pandemias e todo tipo de endemia.

 

Especialistas pedem lockdown nacional rígido

Nesta terça (2), especialistas dizem que foram à mídia explicar que somente um lockdown nacional (bloqueio total) com medidas duras de restrição de circulação, durante o mês de março no Brasil e, ao mesmo tempo, atacar a pandemia com vacinação poderá salvar o Brasil da calamidade pública mundial. A demógrafa Márcia Castro atribuiu, nesta terça também, a situação à negligência de Jair Bolsonaro, classificou a situação de “catástrofe sanitária” e disse que o Brasil ficará isolado do mundo. A realidade é que está sem vacinação em massa, sem rastreamento dos casos e sem o aumento da testagem. Sem tudo isso e sem o distanciamento, que é a única maneira de conter o vírus, o Brasil ficará isolado.

 

Os especialistas e infectologistas avisam que, diante do agravamento geral da pandemia, o País não conseguirá diminuir as transmissões se cada estado adotar uma medida diferente; exemplos de outros países mostram que medidas curtas e pontuais, menores que 15 dias, não geram resultados consistentes; quanto menor a circulação da população, menor a chance de o vírus encontrar pessoas suscetíveis à infecção; Reino Unido e Israel conseguiram controlar as transmissões com uma combinação de lockdown e vacinação em massa.

 

Confira, a seguir, o documento publicado pelas centrais sindicais:

Isolamento social imediato para bloquear contágio e mortes Auxílio Emergencial para resistir

 

As Centrais Sindicais – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, NCST e CSB – apoiam as iniciativas dos governadores e prefeitos que têm atuado com as medidas necessárias para garantir o imediato isolamento social e, dessa forma, bloquear a propagação da Covid19 e evitar o esgotamento do sistema de saúde. Consideramos fundamental que os governantes articulem e coordenem essas medidas, inclusive atuando, conforme autorizou o STF, na implantação do plano de vacinação e no fortalecimento do SUS.

 

Consideramos que a vacinação deve ser acelerada para garantir a imunização de toda a população ainda neste semestre. Os custos econômicos do isolamento e da vacinação serão compensados com a segurança das pessoas, evitarão mortes e serão os melhores investimentos para uma retomada da atividade econômica com segurança sanitária e previsibilidade.
Continuamos afirmando que é necessário esclarecer a população para a urgência do isolamento – “Fique em Casa” -, sobre o uso correto de máscaras e dos protocolos de proteção.

 

Exigimos que o Congresso Nacional aprove imediatamente a retomada do Auxílio Emergencial no valor de R$ 600,00 enquanto durar a pandemia e das medidas de proteção dos salários e dos empregos.

Denunciamos, mais uma vez, a intencional descoordenação das políticas públicas de vacinação e de proteção sanitária e econômica adotada pelo governo do Presidente Bolsonaro, estratégia que conduz o país para as mais de 250 mil mortes, que não param de crescer, ao agravamento da crise sanitária, à insegurança social e a uma gravíssima crise econômica, inúmeras práticas que caracterizam responsabilidade e crimes no exercício do cargo.

 

Sérgio Nobre – Presidente da CUT – Central Única dos Trabalhadores Miguel Torres – Presidente da Força Sindical
Ricardo Patah – Presidente da UGT – União Geral dos Trabalhadores
Adilson Araújo – Presidente da CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil
José Reginaldo Inácio – Presidente da NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores
Antônio Neto – Presidente da CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros

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