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Centrais sindicais criam diplomacia paralela para salvar vidas no Brasil

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Iniciativa estabelece relações respeitosas entre o Brasil e o mundo. Não é a primeira vez que isso acontece. Em 2020, ex-presidente Lula pediu desculpas à China pelos ataques dos Bolsonaros

 

Reunião, online, das centrais sindicais brasileiras com chineses para entrega de insumos. Foto: CUT

 

Desde que o governo Jair Bolsonaro assumiu o Poder Executivo nacional, o movimento sindical e partidos políticos de esquerda tiveram de criar uma diplomacia paralela para garantir, ao povo brasileiro – de empresário a assalariado –, direitos ameaçados pela política agressiva do Presidente da República com alguns país, como Venezuela, Cuba e países do BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

 

Na primeira quinzena de janeiro deste ano, o Fórum das Centrais Sindicais (CUT, Força, UGT, CTB, CSB, NCST), que representa dois terços dos trabalhadores brasileiros, firmaram um acordo com o governo da Venezuela para ampliar o fornecimento de oxigênio hospitalar a Manaus. O acordo estabelecido depois que a capital do Amazonas voltou a enfrentar o dramático quadro de mortes por Covid-19, fornecerá 80 mil litros de oxigênio hospitalar à capital manauara e as centrais farão o trabalho de logística: transporte e distribuição.

 

A iniciativa de procurar o governo bolivariano da Venezuela foi do sindicalista Sérgio Nobre, ex-dirigente da Central Única dos Trabalhadores (CUT) por causa da ausência de uma política do governo Bolsonaro de combate à pandemia e, sobretudo, de não investimento na saúde pública, nos estados e municípios. Ele diz que se trata de “colaboração e solidariedade de classe”.

 

“O acordo é uma conquista do movimento sindical, da classe trabalhadora. Mostra, mais uma vez, que sabemos agir, frente a um governo federal incompetente e criminoso, para salvar vidas dos trabalhadores. Mostra também a solidariedade entre os países latino-americanos diante de uma crise sanitária que assola o País. Faremos tudo o que estiver ao alcance da CUT e do Fórum das Centrais para impedir que os trabalhadores morram por falta de oxigênio. Toda a gratidão ao povo venezuelano e ao presidente Nicolás Madura”, disse Nobre.

 

Poucos dias depois, as centrais sindicais brasileiras voltaram a agir para impedir mais mortes de trabalhadores por causa da falta de planejamento e investimento financeiro público no combate à pandemia. Negociaram apoio da Federação Nacional dos Sindicatos da China para solicitar ao governo chinês que acelerasse o fornecimento da matéria-prima para a fabricação das vacinas em solo brasileiro.

 

A Federação Nacional dos Sindicatos da China (ACFTU, sigla em inglês) é a maior entidade sindical do país, com 302 milhões de filiados. Ela ocupa a vice-presidência da Assembleia Popular chinesa, tendo trânsito e forte influência no governo comunista. Ela foi acionada pelas centrais sindicais brasileiras porque a Fundação Oswaldo Cruz e o Instituto Butantan relataram estoque insuficiente de insumos, fornecidos pelos chineses, para produção dos imunizantes da Universidade de Oxford e da CoronaVac.

 

Após intervenção das centrais sindicais e diversos partidos políticos, a China doou 1.900 quilogramas de oxigênio a Manaus e outros insumos, como 360 mil máscaras e 200 cestas de alimentos. Além disso, o país asiático também doou US$ 80 mil, equivalentes a R$ 450 mil, ao Fundo de Promoção Social e Erradicação da Pobreza do Amazonas. No sábado (23), a Embaixada da China, em Brasília, amanheceu cercada de cavaletes metálicos de proteção por receio de algum ataque neofascista incentivado pelo chamado gabinete do ódio.

 

Não é a primeira vez que o movimento sindical e partidos políticos do campo da esquerda são obrigados a assumirem o papel do Estado brasileiro perante o mundo. Em março de 2020, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva teve de enviar uma carta ao presidente da República Popular da China, Xi Jinping, com um pedido de desculpas ao governo e ao povo chinês por causa das agressões da família Bolsonaro ao país.

 

Na carta, o ex-presidente Lula repudiou a atitude de Eduardo Bolsonaro e condenou o pai, Jair Bolsonaro, de se portar como um “reles bajulador de Donald Trump”. “Seu silêncio envergonha o Brasil e comprova a estreiteza de uma visão de mundo que despreza a verdade, a ciência, a convivência entre os povos e a própria democracia”, escreveu em referência a Jair Bolsonaro. Na época, Lula cumprimentou o governo chinês pelas vitórias alcançadas no combate ao coronavírus.

 

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