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Catadores vivem situação de “extrema calamidade” com a pandemia, diz Centcoop

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Trabalhadores de cooperativas do DF e Entorno pedem a volta da coleta seletiva e a triagem, para superar as necessidades

 

Os cerca de 1.100 catadores e catadoras de materiais recicláveis do Distrito Federal estão enfrentando uma situação de “calamidade extrema”, depois que o Governo do Distrito Federal (GDF) adotou uma série de medidas sanitárias de enfrentamento à propagação do coronavírus, o Covid-19, que, no DF, já atingiu quase 10 mil pessoas, com registro de mais de 160 mortes, conforme Boletim Epidemiológico.

 

“Hoje, os catadores e catadoras do DF estão vivendo uma situação de calamidade extrema. Porque a única fonte de renda das cooperativas, que é o material separado para a venda, está paralisada. Sem essa renda, não temos onde encontrar forma de sobrevivência, pois, muitos catadores e catadoras também não receberam o auxílio emergencial de R$600,00, do governo federal”, afirma Leide Laura, dirigente da Central de Cooperativas de Materiais Recicláveis do DF e Entorno (Centcoop) e da Cooperativa Nova Superação.

 

Sem poder trabalhar há quase três meses, por força do Decreto 40.5348, de 20 de março de 2020, que suspendeu atividades comerciais, artísticas, recreativas e educacionais, bem como as atividades de coleta seletiva, triagem de resíduos recicláveis e compostagem, os catadores e catadoras estão sentindo o impacto da pandemia na vida financeira deles.

 

De acordo com Leide Laura, nem mesmo o acordado firmado em março, pelo GDF de repassar aos catadores das cooperativas do DF, o auxílio calamidade no valor de R$ 408,00, por três meses – abril, maio e junho -, está sendo cumprido, normalmente. “Até hoje, apenas parte dos catadores recebeu esse auxílio e, mesmo assim, somente a primeira parcela”, informa Leide Laura, reclamando do fato de o GDF estar pedindo, constantemente, o recadastramento e revisão na lista com o nome dos catadores e catadoras aptos a receber os R$408,00.

 

De grande relevância social e sanitária, as atividades dos catadores e catadoras de materiais recicláveis são de alto risco, vez que trabalham com material potencialmente contaminável. Com a pandemia, o risco de serem contaminados é ainda maior, pois, eles têm contato direto com resíduos, descartados por pessoas que estão em isolamento social.

 

Mesmo assim, diante do desespero, eles estão reivindicando a volta imediata da coleta seletiva e a triagem dos resíduos recicláveis, para garantir a sobrevivência de suas famílias. “A única condição de evitar a calamidade extrema dos catadores e catadoras, enquanto durar a pandemia, é a retomada da coleta e da triagem dos materiais recicláveis”, defende Leide Laura, salientando que a Centcoop já estaria preparando documento a ser apresentado ao governo Ibaneis, com propostas e condições seguras ao retorno dessas atividades. “Precisamos, agora, de uma resposta sobre quando a coletiva irá voltar e o que será preciso para assegurar a proteção dos catadores e catadoras”, cobra.

 

Sobre a segurança dos trabalhadores de cooperativas, Leide Laura disse que a Centcoop está estudando uma forma de garantir as atividades, com segurança. “Com certeza, para voltarmos, teremos que nos adaptar à realidade atual. Neste sentido, conhecemos uma cooperativa-modelo que não parou a coleta nem a triagem dos materiais recicláveis e que os trabalhadores estão sobrevivendo, sem risco de serem afetados pelo vírus”, afirma.

 

Segundo Leide Laura, os trabalhadores de cooperativas sabem da importância de medidas de proteção e higiene em seu cotidiano. “Todos eles, sabem dos cuidados a serem tomados. Ainda mais aqueles que trabalham no galpão do GDF, que precisam trabalhar uniformizados, com Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) e luvas”, pontua.

 

Com o coronavírus, reforçou Laura, as orientações da Centcoop sobre medidas de prevenção foram redobradas, assim como as informações sobre como proceder em caso de contágio ou suspeita da doença, afirmou Leide Laura, destacando, no entanto, os trabalhadores das cooperativas do Cerrado, que não dispõem de recursos. “Toda vez que a gente pode, faz doações de EPIs, luvas e uniformes para eles”, ressalta.

 

#AjudeCatadoresDF

 

Segundo Leide Laura, a única coisa que está garantindo o arroz dentro da casa dos catadores e catadoras é a campanha de doação #AjudeCatadoresDF, lançada pelo Coletivo de Mulheres da Centcoop, no instagram da entidade, e que vem recebendo o apoio de movimentos sociais, organizações, institutos, sindicatos e pessoas físicas. “Todas estas entidades e pessoas físicas estão nos dando apoio com alimentos, material de higiene, cestas básicas e recursos, que são depositados em conta da campanha”, destaca Leide Laura. Entre os agentes sociais e econômicos solidários à aos catadores e catadoras de materiais recicláveis estão os artistas Gog Poeta, Ellen Oléria, Zé Brown e Crônica Mendes; os políticos Artele Sampaio e Leandro Grass, o Sindicato dos Bancários do DF, e a Universidade de Brasília (UnB), entre outros.

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