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Cartas na mesa: eleições 2020 em São Luís

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A pesquisa Prever, a primeira realizada para medir o poder de fogo dos pré-candidatos à Prefeitura de São Luís em meio ao impacto da pandemia do novo coronavírus e após as mudanças no calendário eleitoral, com o adiamento das eleições para 15 de Novembro, colocou, de maneira muito clara, as cartas na mesa. Os números apontam liderança indiscutível e consistente do deputado federal Eduardo Braide (Podemos), com média de 44% em vários cenários, e mostram que a soma das preferências por candidatos oposicionistas supera com muita folga a soma por candidatos governistas, entre os quais o deputado estadual Duarte Júnior (Republicanos) é o mais bem situado, com 8,8% das intenções de voto. A pesquisa reflete os movimentos iniciais em direção às urnas, uma caminhada que vai durar pouco mais de quatro meses, tempo suficiente para que o cenário seja mantido ou radicalmente alterado. Não há como minimizar a liderança de Eduardo Braide neste momento, mas também não há como fixá-la como inalterável, feito um fato consumado.

 

No jogo que agora vai começar para valer, fatores decisivos vão ganhar forma e pautar os candidatos, e isso produzirá efeitos que podem mudar expressivamente a escala de preferências do eleitorado. O primeiro e decisivo fator será o posicionamento do governador Flávio Dino (PCdoB), dono de expressivo cacife político e eleitoral na Capital. Outro fator que influenciará fortemente a corrida será a movimentação do prefeito Edivaldo Holanda Júnior (PDT) nesse tabuleiro. Além disso, não se pode subestimar, por exemplo, a influência da ex-governadora Roseana Sarney (MDB) sobre remanescentes da base sarneysista em São Luís, nem desconsiderar o rumo a ser tomado pelo presidente do PDT, senador Weverton Rocha, que inicialmente aposta numa aliança com o DEM em torno da candidatura de Neto Evangelista.

 

O posicionamento do governador Flávio Dino terá influência decisiva. Mesmo levando-se em conta a hipótese de ele não entrar de cabeça na disputa no primeiro turno, considerando que vários aliados participam da peleja eleitoral, o governador tem um partido, o PCdoB, e o seu partido tem um candidato, Rubens Júnior (média de 1,5% nos vários cenários), que já apoio de secretários de Estado e fechou a semana com o aval da senadora Eliziane Gama (Cidadania), que também lidera grupos de apoiadores na Capital. Aprovado por mais de 60% da população, segundo duas pesquisas recentes, Flávio Dino tem autoridade política para estimular o lançamento de candidaturas aliadas, mas tem também o direito político, no momento em que julgar mais adequado, buscar suporte eleitoral para o seu candidato, podendo inclusive se manter distante na medição de força do primeiro turno.

 

Com poder de fogo para influenciar fortemente parte do eleitorado na corrida à sua sucessão, o prefeito Edivaldo Holanda Júnior se mantém afastado do debate sucessório, mas demonstrando, pelo silêncio, que não assimilou o projeto do presidente do seu partido, senador Weverton Rocha, de abrir mão de lançar um candidato pedetista em favor de um nome do DEM. Não é possível ainda vislumbrar o desfecho desse racha no   arraial brizolista. Mas qualquer avaliação, mesmo superficial, do imbróglio leva diretamente à conclusão de que sem o aval do prefeito, hoje bem avaliado e gozando de prestígio dos extratos da população já alcançados pela máquina de benefícios da prefeitura. Quem subestimar seu poder de fogo pode estar cometendo um grave erro político.

 

O mesmo se pode dizer da ex-governadora Roseana Sarney sobre o poder de influenciar eleitoralmente na Capital. O Grupo Sarney sempre perdeu eleições em São Luís, mas erra quem subestima o prestígio político e eleitoral da ex-governadora. Dona de uma obra estrutural gigantesca e com muito prestígio na base cultural da cidade, a ex-governadora pode se transformar num cabo eleitoral influente, mesmo levando em conta a conhecida rebeldia política e eleitoral ludovicense.

 

O jogo começou para valer, e nele Eduard Braide confirma a liderança apontada por pesquisas feitas antes da pandemia do novo coronavírus. Seu desafio agora será manter esse patamar, e sabe que todos os movimentos agora serão no sentido de implodir seu lastro e reduzir suas chances. E nesse jogo os líderes mais influentes terão papel decisivo.

 

 

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