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Brasília: “Ilha da fantasia”… é preta, pobre e desigual

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Uma pesquisa mostra que Brasília possui um índice de desigualdades cruel e que fica evidenciado na diferença do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) de cada uma de suas 33 regiões administrativas (RAs).

 

O trabalho elaborado pela Companhia de Planejamento do Distrito Federal (Codeplan) mede o Índice de Vulnerabilidade Social-IVS, com base na Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios (PDAD) de 2018, e busca esclarecer as desigualdades medindo o grau de vulnerabilidade do território, como Infraestrutura Social; o Capital Humano (escolaridade); Emprego e Renda; Habitação, onde entram fatores como ônus com aluguel e adensamento no domicilio, transportes que são importantes definidores do contraste entre uma família moradora das cinco RAs mais pobres, como SCIA-Estrutural, Sol Nascente, Fercal, Varjão e Itapoã, na comparação com Sudoeste/Octogonal, Águas Claras, Lago Sul e Plano Piloto, por exemplo.

 

Esta é a primeira vez que este tipo de pesquisa é divulgado e contradiz a imagem criada de que Brasília é a “Ilha da Fantasia” habitada por servidores públicos, ricos e abastados. Na verdade, a população de Brasília, na sua maioria de mulheres (52%) é formada por 58% de negros e possui quase 70% de pobres, em sua grande maioria com renda abaixo de um salário mínimo, subemprego e desempregados.

 

Para a pesquisadora Francisca Lucena, coordenadora da pesquisa, o IVS-DF, recém criado permite mostrar as desigualdades ao capturar, por exemplo, a disparidade entre RAs que vivem com renda per capta de ½ salário mínimo, no contraste com R$ 8.3 mil do Lago Sul, Sudoeste/Octogonal (7.1) e Plano Piloto (6.7), na comparação com Ceilândia (1.1), a maior RA do Distrito Federal. Ela disse que essa imagem de “Ilha da Fantasia”, foi criada porque índices nacionais de pesquisas anteriores eram feitos com base na cidade-estado, o que dissociava da realidade local, como a nova metodologia do IVS-DF tem agora condições de aferir.

 

Na real, a “Ilha da Fantasia”, Brasília, é negra, pobre e extremamente desigual.

 

Foto: Arquivo/Agência Brasil
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