Dados da Associação Brasileira da Indústria de Hotéis do Distrito Federal (Abih-DF) mostram que a capital da República, que normalmente fica deserta nos feriados, estará com lotação máxima em sua rede de hospedagem no feriado da Independência, em 7 de setembro. O fato, incomum, está relacionado ao ato golpista convocado pelo presidente Jair Bolsonaro para a data.

Henrique Severien, presidente da Abih-DF, afirma que a situação jamais foi registrada. “Em nenhum feriado de 7 de setembro houve uma mobilização em função de desfile, comemoração da independência, explica. Segundo ele, para os dias 6 e 7 todas as unidades de categoria superior, como suítes presidenciais e outras de luxo, já estão reservadas.”

Brasília deve receber no Dia da Independência deste ano um movimento recorde de caravanas e excursões, vindas de todo o país, com gente que atendeu ao chamado de Jair Bolsonaro para participar de uma manifestação de caráter marcadamente autoritário.

O presidente vem provocando o Supremo Tribunal Federal (STF) e alguns setores do Congresso há meses, mantendo a agenda política da nação atrelada a uma tensão artificial: ele quer colocar o sistema democrático do país em xeque, minando a credibilidade de outras autoridades, numa tentativa desesperada de recuperar algum prestígio, uma vez que seu governo derrete em meio à incompetência generalizada na administração, às desastrosas gestões na pandemia e na crise econômica e aos sucessivos escândalos de corrupção envolvendo aliados, filhos e até ele próprio.

Um fato curioso é que os setores que mais aderem ao chamado, para além das habituais frações compostas por evangélicos, policiais e outros grupos ultraconservadores, são da classe média, a mesma que foi às ruas nas manifestações pela deposição da ex-presidenta Dilma Rousseff, patrocinadas pelo grande capital e pelos oligopólios da mídia corporativa.

A lotação nos hotéis de uma das cidades mais caras do país, sobretudo dos quartos mais luxuosos e dispendiosos, dá o tom e revela quais são as parcelas da sociedade que ainda não desembarcaram da aventura tresloucada que começou há três anos com a escolha de um símbolo do radicalismo político.

 

Da Revista Fórum