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Brasileiros iniciam movimento pelo impedimento de Bolsonaro

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Carreata pelo impeachment e pela vacinação já de toda a população será realizada em todo o Brasil neste sábado (23/1). DataFolha divulgou pesquisa, nesta sexta-feira (22), dizendo que 42% da população é favorável ao impedimento

 

 

 

As frentes de esquerda Frente Brasil Popular e Povo sem Medo, centrais sindicais, partidos políticos de esquerda e centro-esquerda, movimento estudantil e demais movimentos sociais, bem como setores do empresariado insatisfeitos com os rumos do País, resolveram dar um basta na gestão de Jair Bolsonaro. Depois de assistirem o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), engavetar mais de 60 pedidos de impeachment e o Supremo Tribunal Federal (STF) não agir com firmeza para impedir a continuidade da gestão desastrosa em curso, o povo resolveu se mobilizar para impedir que esta administração continue.

 

Neste sábado (23), a carreata nacional pelo impeachment e pela vacinação imediata de toda a população será realizada em todo o País. Essa iniciativa é a primeira de uma série de ações em defesa do impeachment e da vacinação de um calendário nacional de atividades pró-impeachment. Confira no final desta matéria local e horário da concentração da carreata deste sábado na maioria das cidades. No Distrito Federal, por exemplo, a concentração será a partir das 9h, no estacionamento da Torre de TV/Funarte. No dia 24/1, haverá um grande ato público pelo impeachment já, a partir das 16h, na Praça dos Três Poderes. Na terça-feira (26), haverá uma plenária nacional para organizar a campanha permanente para o afastamento definitivo de Jair Bolsonaro da Presidência da República.

 

O presidente do PT-DF disse que há uma parcela muito grande a população está insatisfeita com o governo Bolsonaro e se mobiliza para participar da carreata. Na Internet, há várias iniciativas em curso, incluindo aí o chamado “placar do impeachment”, que tem divulgado há uma semana, com base em publicações das redes sociais, como estão os votos de cada deputado. Nesta sexta-feira (22), o placar indicou que o impeachment conta com 111 votos a favor, 59 contra e 342 deputados federais que não se manifestaram ainda. Na avaliação dos observadores políticos, essa situação vai influir na eleição do novo presidente da Câmara dos Deputados, prevista para ocorrer  no dia 1º de fevereiro.

 

Motivo do impeachment

Nesta semana, ao analisar as sucessivas crises diplomáticas com países asiáticos e os impasses do Brasil com a China e a Índia na aquisição de insumos para fabricação de vacinas contra a Covid-19, o jurista e embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto, ex-ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégico do Brasil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou que, por este e outros motivos, somente após a remoção de Bolsonaro da Presidência, o Brasil terá uma política externa digna.

 

Esgotada pela má gestão do militar, uma parte da sociedade se mobiliza para acabar com a agonia. No entanto, a mídia comercial volta à cena para desfazer a força do movimento popular. O Instituto de Pesquisa DataFolha, por exemplo, adiantou uma pesquisa de opinião, cujo resultado foi divulgado nesta sexta-feira (22), indicando que 53% da população brasileira rejeita o impeachment contra 42% que defendem o impedimento. O dado está no jornal que cobre os interesses do sistema financeiro denominado Money Times.

 

Há quem diga que sem apoio popular suficiente não há como alavancar o impeachment. No entanto, há mais de 60 pedidos de impedimento homologados, todos engavetados por Rodrigo Maia (DEM-RJ), e dezenas de abaixo-assinado com centenas de milhares de assinaturas em favor do impeachment. “As pessoas já perceberam a jogada da imprensa e do Maia. A única coisa que está impedindo o povo de ir para as ruas é a pandemia. Mas o caldeirão está esquentando. Esse negócio vai explodir”, afirma Ismael Ribeiro, do movimento estudantil secundarista.

 

Na avaliação de Jacy Afonso, presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) no Distrito Federal, essa situação ainda não chegou ao limite porque as pessoas estão impedidas, pela pandemia, de irem às ruas exigir o impedimento de Jair Bolsonaro. Mas, informa: “No Congresso Nacional, a esquerda não consegue, sozinha, movimentar o impeachment. O conjunto de partidos políticos de esquerda tem uma bancada pequena, ou seja, o atual campo político do Congresso Nacional não tem o número de votos suficientes para fazer o impeachment. Somente o povo nas ruas será capaz de pressionar para levar esse impedimento adiante”, avalia.

 

“Essa mobilização já era para ter começado há muito tempo, mas a pandemia do novo coronavírus dificultou. Todavia, qualquer processo, para andar na Câmara dos Deputados, tem de ter pressão popular. E é isso que estamos nos propondo a fazer neste momento”, disse. Afonso concorda com os juristas que têm denunciado a profusão de crimes de responsabilidade que Bolsonaro cometeu em apenas um ano de mandato. “Trata-se de uma gestão negacionista da ciência com um conjunto de políticas prejudiciais ao Brasil. Esse problema da não gestão da pandemia e da saúde, é mais uma. É tão grave que dois ministros do campo político da direita saíram do Ministério da Saúde porque não aguentaram as orientações governamental”, lembra.

 

Na avalição do petista, Bolsonaro desenvolve uma política genocida que está sendo feita do ponto de vista de negar a ciência, de não fazer acordos comerciais necessários com antecedência para compra das vacinas. “Até 15 dias atrás ele estava negando a pandemia com mais de 200 mil mortos por Covid-19 no País e dizendo que não ia gastar o dinheiro público com vacina. Ele induz as pessoas a criarem o caos porque ele só tem espaço para prosperar, inclusive com as fake news, e foi com isso que ele foi eleito, com notícias falsas. Basta ver as atitudes dele com relação ao meio ambiente, povos indígenas, população negra, o incentivo à violência, de incentivo à utilização de armas. Ele zerou o imposto sobre importação de armas e aumentou o imposto sobre o oxigênio hospitalar”.

 

E complementa: “O jornal El País, em um dos editoriais desta semana, coloca em dúvida o modelo de gestão de Bolsonaro e questiona se isso não seria uma estratégia. Não acho que esse governo seja apenas ineficiente. São ineficientes sim. O general Eduardo Pazuello é ineficiente e ineficaz para gerir a saúde, basta ver como ele mente e outros órgãos públicos têm de desmenti-lo diariamente”, critica. Se, de um lado, a imprensa diz que não há clima para impeachment, do outro lado, há mais de 60 pedidos de impedimento de Jair Bolsonaro com base nos mais variados crimes de responsabilidade que ele cometeu em apenas 1 ano de mandato.

 

“Nunca houve tantos pedidos de impeachment contra um Presidente da República. Tampouco nunca um presidente cometeu tantos crimes de responsabilidade”, declarou à imprensa, recentemente, o mestre em direito público, Mauro Menezes. Só ele já redigiu dois, dos 61 pedidos engavetados por Rodrigo Maia. O jurista Pedro Serrano também declarou à mídia que o “impeachment de Bolsonaro é urgente. A cada dia, com ele, mais gente morre”, disse. E completou: “Estamos naturalizando isso e não podemos. Se o país não quer ser destruído, tem de decretar o impeachment de Bolsonaro já”, defendeu.

 

Placar do impeachment

O placar do impeachment surgir da ideia do ex-prefeito de São Paulo e ex-ministro da Educação, Fernando Haddad (PT). Ele lançou a ideia ao afirmar que somente sabendo qual a posição de cada deputado seria possível abrir um processo para a retirada de Bolsonaro do cargo. “É preciso abrir o placar do impeachment com o nome de todos os deputados federais e começar a pressão dos eleitores sobre cada um deles, por todos os meios. Sem isso, o afastamento não vai acontecer”, afirmou.

 

Na sexta-feira (15), o perfil  SOS impeachment”, que existe desde 2019, inaugurou o placar. Todo dia é atualizado. Para compor o resultado, os administradores do site monitoram as redes sociais dos deputados federais para checar se eles se posicionaram em relação ao tema. Rodrigo Maia declarou, ao ver a mobilização social, que é “inevitável” discutir a abertura de um processo “no futuro”.

 

Confira, a seguir, os locais e horários da concentração:

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