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Brasil deve pedir socorro à China e Rússia para estancar o matadouro

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Bolsonaro é Messias, não faz milagres, mas tem o poder de salvar milhares e milhares de vidas caso use sua caneta BIC de modo acertado. O povo brasileiro não deve esperar por milagres, mas tem o direito de exigir que o governo federal adote as medidas concretas capazes de evitar que mortes evitáveis continuem a ocorrer.

 

E uma destas medidas está no pedido de socorro ao BRICS. O Brasil é membro do bloco BRICS, que possui um banco, cujos recursos, como já anunciado, estão disponíveis para serem usados no combate à Pandemia Covid19.

 

A África do Sul, membro do BRICS, pediu e recebeu, ajuda da China, bem como uma Brigada Médica, com 250 integrantes, enviada pela nunca omissa República de Cuba.

 

Não é que ao Brasil faltem recursos financeiros. Especialistas informam que as reservas brasileiras, seja a do Banco Central, seja a do Tesouro Nacional, seja a Reserva Internacional, somam vários trilhões de reais. Há, portanto, recursos financeiros em abundância. Tão é assim, que o Governo tem feito transferências financeiras que superam a casa do Trilhão para os lucrativos bancos. Não há, rigorosamente, nenhuma justificativa para que morresse um único brasileiro por falta de UTIs, ou respiradores, ou ambulâncias, ou médicos. Há dinheiro de sobra, represado pela política austericida de Paulo Guedes, apoiado cegamente pelo ex-churrasqueiro Bolsonaro.

 

O Brasil deve pedir socorro à Rússia e à China porque não possui a experiência e a competência para enfrentar uma Pandemia destas proporções. A China domou a virulência da Pandemia e passou a dividir sua experiência com outros países. Como também a Rússia,

 

Aos que duvidam que o Brasil, pela natureza reacionária de seu governo, possa vir a merecer uma ajuda solidária da China e da Rússia, destaque-se, em primeiríssimo lugar, que se trata de salvar milhares e milhares de vidas, registrando que há estudos especializados indicando não estar fora de cogitação que o Brasil possa superar a casa do milhão de vítimas. Isto é, além de Campeão de Futebol, passaria a ser campeão de mortes por coronavírus?

 

Para que isto não ocorra, ainda há tempo de serem adotas medidas urgentes, de grande porte, de coragem, a começar, como se defende aqui, por um pedido imediato de socorro à China e Rússia.  O Brasil tem, inclusive, dinheiro farto em caixa para pagar as despesas de uma operação internacional de grande porte em seu território.

 

Aos que não acreditam que a China, ante os grosseiros insultos que recebeu de ministros idiotizados do governo Bolsonaro, não se disporia a oferecer tal solidariedade, argumentamos tal entendimento ignora a generosidade daquela civilização milenar e, sobretudo, os valores da Revolução Chinesa de 1949, que, por solidariedade, ofereceu enorme ajuda com vidas e material, para ajudar a Coreia do Norte a libertar-se da arrogante e ilegal presença de tropas dos EUA em seu território. Além do mais, a China, mesmo sob ataques e sanções dos EUA, doou toneladas de ajuda ao povo norte-americano, bem como à Inglaterra, dois governos igualmente reacionários, como o do Brasil, sendo que a China não condicionou sua solidariedade ao povo inglês em razão da brutalidade assassina que caracterizou a ocupação colonial britânica sobre a China, quando nas ruas de Pequim e Shangai, viam-se placas dizendo, “proibida a passagem de cães e chineses”.  Libertado das amarras do colonialismo e do capitalismo pela Revolução dirigida por Mao, hoje os cultos e especializados médicos chineses são recebidos pelas ruas de Londres e pelo próprio governo de direita de Boris Johnson, como salvadores de vidas inglesas. Por que não poderiam vir também ao Brasil salvar vidas?

 

O nobre exemplo da solidariedade da Rússia à Itália, também é útil para argumentar ante o ceticismo que apenas engrosso o calo da paralisia fatalista que levou o Ministro da Saúde, Nelson Teich, a declarar , para espanto geral, que admite ver o Brasil registrar a macabra cifra mil mortes por dia de coronavírus, ao tempo em que reconhecia, que um país que fabrica avião, não  se organizou para ter a capacidade de fabricar respiradores no volume e tempo exigidos, muito menos consegue realizar compras externas, pasmem,  na era da globalização. Em 48 horas, o presidente Vladimir Putin organizou um comboio de dezenas de aviões russos, com qualificados especialistas e toneladas de equipamentos, em direção à Pátria de Michelângelo, aliás abandonada pela União Europeia.

 

Registre-se, a solidariedade russa à Itália se fez presente apesar das sanções da UE contra Rússia, várias endossadas pela Itália, país que, na Segunda Guerra Mundial, também enviou tropas fascistas de Mussolini para invadir e destruir a União Soviética, em apoio à criminosa agressão da Alemanha de Hitler. Apesar de ter perdido mais de 27 milhões de vidas naquela Guerra em Defesa da Mãe Pátria, Moscou não hesitou ante o pedido de Roma, pois, a Itália, um país do G7, havia perdido o controle no combate à Pandemia.  Depois de semanas em território italiano, os especialistas russos, retornam a Moscou, exatamente no dia em que se comemora a vitória sobre o nazi-fascismo, com o Ocidente ainda pretendendo o absurdo de culpar a Rússia pela eclosão da Guerra, de que ela foi a maior vítima e pagou com o maior número de mortos e de destruição.

 

Portanto, estes dois exemplos da ação solidária da China e da Rússia nos encorajam a pretender que as instituições representativas da sociedade brasileira, elevem sua voz, diante da evidente perda de controle sobre a Pandemia no Brasil, para que o governo federal, com todos seus erros, seus defeitos, sua política anti-social e desumana, seja obrigado a cumprir o papel que é do Estado, solicitando ajuda emergencial à China e à Rússia.  Que as Centrais Sindicais levantem esta bandeira, juntamente com a UNE e o movimento estudantil, o MST e o MTST, a Contag, o Congresso Nacional, os governos estaduais e as prefeituras, aliás, como já fez, desesperado, o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto, solicitando ajuda aos países do G7 para salvar o povo manauara do matadouro em curso à beira do Amazonas, quando foi ele mesmo, Neto, um dos apóstolos do austericídio que reduziu a saúde pública brasileira a metade do que deveria ser.

 

Assim, tendo errado na avaliação, na definição, na destruição da estrutura do SUS, nos antiexemplos que deu ignorando a letalidade da Pandemia, zombando do sofrimento das famílias vitimadas, só Bolsonaro tem nas mãos a caneta BIC que lhe permitiria acertar pelo menos uma vez no meio desta calamidade sanitária. Telefonar para o presidente Xi Jinping, tal como fez o primeiro-ministro italiano, Giuseppe Conte, ao telefonar para Vladimir Putin, e solicitar ajuda especializada urgente ao povo brasileiro, porque a contaminação, a multiplicação de mortes, as medidas sanitárias implementadas, já se mostraram insuficientes para conter o que vem por aí.  A China compra hoje 60 por cento das exportações brasileiras e o Embaixador da China no Brasil, Yang Wannming, em muitas de suas declarações públicas, deixou claríssima a nobre disposição chinesa de prestar ajuda ao Brasil no combate ao coronavírus, quando acrescentou que, apesar das desqualificadas e preconceituosas declarações de autoridades brasileiras contra o seu povo, Brasil e China possuem um imenso potencial de cooperação.

 

A confirmação das sombrias previsões dos especialistas em saúde, até agora confirmadíssimas, levará a sociedade brasileira a um grau de desespero, com forte inclinação para a convulsão, que deve ser orientada e dirigida pelas instituições responsáveis e representativas, a transformar-se em uma Campanha Nacional para que o Brasil solicite ajuda emergencial da China e da Rússia já!

Por fim, cabe ao ex-presidente Lula um papel especial neste momento, já que tem relação direta com os Presidentes da Rússia e da China. Lula, pode seguir o exemplo do presidente da Argentina, Alberto Fernandez, que telefonou ao presidente Xi Jinping e pediu ajuda da Grande Nação China para a Argentina, tendo ouvido como resposta que, quando a China, logo após a Revolução de 1949, imersa em grandes dificuldades, também recebeu do ex-presidente argentino, Juan Domingos Peron, uma grande ajuda humanitária destinada a alimentar o povo chinês. E, levando ao pé da letra, rigorosamente, o pensamento de que não importam as diferenças políticas e partidárias, pode enviar uma mensagem a Bolsonaro, assinada por todos os ex-presidentes vivos   – Sarney, Collor, Fernando Henrique Cardoso, e Dilma Roussef, como ex-presidente, encorajando-o a adotar este gesto realista e coerente, capaz de salvar muitas vidas, e solicitar, como Presidente do Brasil, ajuda emergencial à China e Rússia para o povo brasileiro.

 

Certamente, Lula e os demais ex-presidentes, seriam obrigadas a passar por cima de várias de suas convicções políticas para dirigir uma solicitação deste porte a Bolsonaro. Igualmente, Bolsonaro será obrigado a relevar suas convicções políticas, seja para aceitar uma solicitação desta natureza dos ex-presidentes, como também, deixar de lado seus princípios ideológicos para dirigir um pedido, em nome do povo brasileiro, a dois países como Rússia e China. Certamente, não faltará uma overdose de ceticismo, muitas vozes rotularão de absurda a pretensão aqui exposta, sob alegação das barreiras ideológicas intransponíveis.

 

Contra-argumento lembrando que quando o Furacão Katrina desvastou o sul dos Eua, Fidel Castro colocou à disposição do Ex-Presidente Bush, uma Brigada Médica Cubana, com 1200 integrantes, pronta para embarcar para Nova Orleans, para evitar que centenas de vidas fossem perdidas, quando poderiam, perfeitamente, terem sido salvas. O mandatário dos EUA recusou a oferta. Ficou o exemplo da nobreza da Revolução Cubana, agora com Brigadas Médicas atuando em 28 países.

 

Putin não passou por cima de suas barreiras ideológicas para enviar toneladas de ajuda ao povo dos EUA, cujo governo vem aplicando sanções rigorosas e ilegais contra a Rússia?

 

Xi Jinginp não relevou suas barreiras ideológicas para enviar toneladas de ajuda sanitária aos EUA, contra quem trava uma batalha política e comercial, mas que pode evoluir para algo muito mais grave?

 

E o que dizer do Vietnã – país que registra Zero Mortes pela Covid19, até o momento – que depois de receber toneladas de bombas de napalm sobre seu território e seu povo, perdendo mais de 3 milhões de vidas, decide agora enviar toneladas de ajuda humanitária aos EUA?

 

Não é o momento de serem afastadas todas estas instransponíveis barreiras ideológicas para, em nome da obrigação irrecussável de salvar milhares e milhares de vidas, se organize uma grande União Nacional no Brasil para encorajar o Governo Federal, com o apoio de todos os governadores, de todos os partidos, solicitar ajuda da China e da Rússia ao povo brasileiro, hoje rumo ao matadouro?

 

Beto Almeida, jornalista

 

 

 

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