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Bolsonaro volta sem reclamar e encontra rivais à sua volta

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O fracasso da chegada de Bolsonaro ao Brasil só não foi maior porque o esquema de segurança aprovado pela polícia de Brasília e pela Polícia Federal evitou sua saída pelo saguão principal do aeroporto e conduziu-o a uma saída lateral. Se saísse pelo saguão principal, Bolsonaro seria recebido por “cerca de cem pessoas”, segundo a insuspeita e bolsonarista CNN brasileira, ou por “várias pessoas”, segundo O Globo.

 

 

Para quem ainda na véspera protestava contra esse esquema e pretendia um desembarque triunfal, com carreata, motociata ou passeata pela Praça dos Três Poderes, essa pode ter sido uma tremenda decepção, a menos que de antemão Bolsonaro soubesse o que o esperava.

 

 

Segundo a bem-informada Helena Chagas, o Presidente do PL, partido do qual Bolsonaro agora é assalariado, Valdemar Costa Neto, reduziu ao mínimo o custo financeiro das manifestações programadas porque não quer contrariar a metade do partido, aquela parcela que sempre procede ao contrário do anarquista espanhol da fábula: se há governo, o anarquista é contra. A metade do PL seria automática: se há governo, ela é a favor, seja de Bolsonaro ou de Lula o governo.

 

 

Além dessa metade do PL, Bolsonaro, de volta ao Brasil, terá de disputar a condição de pré-candidato em seu próprio círculo familiar. 

 

 

Ele mesmo reconheceu isso na principal declaração que fez, na sede do PL (também em presença de poucas pessoas), depois do desembarque: sua mulher Michelle – disse ele – não deve ser candidata à Presidência, porque não tem experiência suficiente. Ela estava presente ao encontro, embora fosse excluída do desembarque, mas o noticiário não registra se concordou ou discordou. Ou se foi ao menos consultada.

 

 

Outra concorrência familiar foi plantada na véspera da chegada de Bolsonaro, na entrevista do articulador da direita internacional Steve Bannon que a Folha de S.Paulo publicou. Para Steve Bannon a herança do bolsonarismo no Brasil caberá ao filho 03, Eduardo, constante presença nos encontros conservadores de extrema direita promovidos nos Estados Unidos em torno de Donald Trump. Bannon está pensando já na eleição de 2026, não nas eleições seguintes.

 

 

Além do fracasso da recepção, Bolsonaro tinha razões para chegar sem protestos. Ele já está intimado para depor nos próximos dias na Polícia Federal sobre as jóias da Arábia Saudita e a Polícia Federal já informou que existem sinais evidentes da ação pessoal de Bolsonaro para liberar o pacotão apreendido pela Receita Federal em São Paulo.

 

 

Enquanto isso, o empresário Luciano Hang, das Lojas Havan, um dos mais icônicos e barulhentos agitadores bolsonaristas dos últimos quatro anos, abandonava Bolsonaro e anunciava preventivamente que não vai mais se meter em política.

 

 

ANIELLE NA IMPRENSA INTERNACIONAL

 

 

Primeiro parágrafo de uma reportagem do jornal The Guardian, de Londres, sobre a Ministra da Igualdade Racial do governo Lula, Anielle Franco:

 

 

– Em sua posse como nova Ministra da Igualdade Racial do Brasil, Anielle Franco descreveu o país para o qual gostaria de trabalhar. “Um país em que uma mulher negra possa ocupar espaços com poder de decisão sem ter sua vida tomada por cinco tiros na cabeça” – diz ela, interrompida pelo público que grita o nome de sua irmã morta: “Marielle!”

 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

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