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Bolsonaro retoma obras ferroviárias de Lula e Dilma

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Desde que Bolsonaro se viu dependente de uma melhor relação com o Congresso, especialmente do Centrão, pelo menos três obras ferroviárias, iniciadas nos governos Lula ou Dilma, foram retomadas. A mudança indica uma clara apropriação de agendas petistas, mas também que o conflito intergovernamental entre o ministro Paulo Guedes e a ala do Programa Pró-Brasil, liderada pelo General Braga, Chefe da Casa Civil, não é jogo de cena, mas resultado de  pressões reais, dentro do governo, contra o Teto de Gastos.

 

As obras retomadas são a Ferrovia Transnordestina (que atende principalmente o Centrão), a Ferrovia de Integração do Centro-Oeste e a Ferrovia de Integração Oeste-Leste, que atendem à escoação da produção do agronegócio. Tais obras foram interrompidas pelo Golpe que derrubou a presidenta Dilma Rousseff.

 

A despeito da apropriação de agenda, obras representam mais empregos, num país com desemprego galopante. No entanto, é condenável a intenção de Bolsonaro de transferir tais obras para o setor privado, além do que, nenhuma delas prevê expansão no transporte de passageiros, num país continental em que o modal ferroviário representa apenas 15% do transporte nacional, dominado pelo rodoviarismo, mais caro e inseguro, além de dependente de tecnologia estrangeira e de combustíveis fósseis, cada vez mais sob controle do capital externo.

 

Assim, a retomada da construção destas ferrovias não indica uma visão progressista governamental, mas tão somente a consolidação de uma posição subalterna brasileira ante países desenvolvidos, favorecendo a exportação de produtos primários, ficando reservado ao Brasil o papel de ser apenas o celeiro do mundo, reforçando a desindustrialização que tem sido registrada, já há alguns anos. Bolsonaro precisa atender aos apetites fisiológicos do Centrão, para defender-se das ameaças de impeachment. Mas também precisa reagir à pressão crescente do desemprego, realizando obras que possam mudar sua imagem no Nordeste, onde é especialmente impopular.

 

Quando o Brasil voltar à normalidade democrática, a opção ferroviária deverá ser uma opção estratégica consciente, adequada a um país continental, mas também atendendo a imperiosa necessidade de implantar uma indústria ferroviária nacional, e, finalmente, instalando um transporte ferroviário de passageiros, seguro, eficiente e barato, libertando-nos da ditadura do rodoviarismo, caro, inseguro e antiecológico.

 

Lula em visita a obras da ferrovia Transnordestina | Foto: Ricardo Stuckert
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