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Bolsonaro: destruidor do futuro

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1. Ainda que sejam aspectos relevantes de sua personalidade e de seu comportamento e que não devem ser minimizados, não é correto afirmar que o Presidente Jair Bolsonaro é um psicopata, desvairado, incoerente, manhoso, ignorante, violento, fascista e genocida e que seu governo é incompetente e sem rumo, sem um projeto para o Brasil.

 

 

2. Bolsonaro é tudo isto e pior do que isto tudo. Seu governo tem um projeto e este projeto tem como objetivo a destruição do futuro do Brasil.

 

 

3. O projeto do Governo Bolsonaro se caracteriza pela destruição, como ele declarou: “Eu não vim para construir. Vim para destruir.” Jair Bolsonaro, 2019.

 

 

4. O projeto econômico de Bolsonaro é um projeto ultra neoliberal cujas premissas são simples:

 

♦  todos os problemas econômicos podem ser resolvidos pela empresa privada;

 

♦  a empresa privada ainda não os resolveu devido à nefasta ação regulamentadora e empresarial do Estado.

 

 

5. A política econômica de Bolsonaro procura, com ardor, desregulamentar as atividades econômicas; privatizar as empresas do Estado; vender os bens do Estado; permitir a auto-regulamentação pelas empresas; reduzir os direitos dos trabalhadores.

 

 

6.  Na área externa as medidas econômicas têm, com objetivo, abrir amplamente a economia ao capital estrangeiro e às importações; “aferrolhar” essa política econômica neoliberal pela adesão do Brasil à OCDE e a obrigação de seguir seus “códigos”; negociar acordos de livre comércio e neles abandonar a possibilidade de usar tarifas de importação; transformar o Mercosul em uma área de livre-comércio.

 

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7. O projeto social de Bolsonaro é uma reversão aos valores mais conservadores da sociedade brasileira, que começaram a ser reformados em 1930.

 

 

8. O projeto social de Bolsonaro para o Brasil tem como premissa que grupos marxistas estimularam e implantaram o ateísmo; atacaram a religião cristã e suas igrejas; agridem os princípios da Família; atacam os valores da Pátria e da Nacionalidade; incentivam a libertinagem sexual.

 

 

9. Acredita Bolsonaro que o interesse do indivíduo é sempre superior ao interesse coletivo; que a corrupção na sociedade é causada pelo Estado; que a intervenção do Estado na educação é a causa principal da perda dos valores; que as reivindicações das minorias são indevidas por serem essas minorias “inferiores”; que o uso da força para preservar valores é legitima.

 

 

10. Os instrumentos de política social de Bolsonaro são eliminar a ação cultural do Estado; beneficiar ao máximo as entidades religiosas, em especial evangélicas; privatizar o ensino e legalizar o ensino em casa; ridicularizar a ciência, os cientistas e os professores; estimular o ódio às minorias étnicas, às mulheres, aos LGBTQIA+; fortalecer as polícias e o Ministério Público para combater a corrupção e “enquadrar” seus “inimigos”.

 

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11. O projeto político de Bolsonaro é a implantação de um sistema político e governamental autoritário, uma ditadura fascista que garanta a liberdade para o capitalismo (para as empresas) e a submissão dos trabalhadores; consolidar na legislação valores sociais ultraconservadores e a própria perpetuação dessa ditadura. É um projeto de reversão à situação política anterior a 1930, de fortalecimento dos Estados em relação à União.

 

 

12. Seu principal instrumento é armar a população, as polícias e as milícias que pretende usar no golpe fascista, que tentará dar em 2022.

 

 

13. Outros instrumentos desse projeto político são passar competências e recursos da União para os Estados e Municípios; contratar pessoal sem concurso; nomear indivíduos inexperientes e contrários à ação do Estado em cada área; reduzir recursos das entidades públicas e assim “justificar” sua privatização; controlar o Poder Judiciário.

 

 

14. Bolsonaro em suas “lives” ultrajantes, pela linguagem e pelo conteúdo, e no seu “cercadinho” desacredita os Poderes do Estado; acusa seus adversários de comunistas, ateus e pervertidos; acusa o sistema eleitoral de fraudulento; acusa o Congresso e o Judiciário de “não deixá-lo trabalhar”; desacredita os juízes do TSE; afirma que “desejam matá-lo” e entre outras afirmações, ofende a imprensa e jornalistas e minimiza a COVID-19 e ridiculariza os que a temem.

 

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15. Na política externa, Jair Bolsonaro revelou e continua a revela sua admiração pelos governos e líderes de extrema direita; sua devoção irrestrita aos Estados Unidos e sua fiel adesão às posições americanas; sua admiração por Israel; seu antagonismo em relação à China; e segue a orientação de Steve Bannon, o americano ideólogo e articulador da extrema direita nos EUA e no mundo.

 

 

 

16. Jair Bolsonaro dedicou-se a destruir a política externa brasileira em seus fundamentos e assim retirou o Brasil da CELAC; retirou o Brasil da Unasul; participou, com outros Governos de direita, na criação do Prosul; designou um general para integrar o IV Comando Americano; permitiu a presença de tropas americanas em treinamento no Brasil; participou das manobras de golpe de Estado na Venezuela; anunciou a mudança da Embaixada em Israel para Jerusalém, em afronta às decisões do Conselho de Segurança da ONU.

 

 

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17. Se, em algum momento, antes de outubro de 2022 Bolsonaro avaliar que não tem chances de vitória nas eleições, tentará o golpe de Estado, sua única possibilidade de escapar dos numerosos processos que terá de enfrentar na Justiça pela enormidade e diversidade de seus crimes contra os brasileiros e o Brasil.

 

 

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(*) Por Samuel Pinheiro Guimarães, diplomata e mestre em Economia pela Boston University (1969), foi secretário-geral do Ministério das Relações Exteriores de 2003 a 2009, ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos de 2009 a 2010 e alto-representante geral do Mercosul até
junho de 2012.

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