Mídia liberal avalia que, após os atos antidemocráticos e discursos agressivos, desta terça (7), o presidente Bolsonaro inviabilizou seu governo e que o ambiente de diálogo foi interrompido com as ameaças que ele fez às instituições. Também anuncia o desembarque de partidos que o apoiam e destaca as pautas eleitorais e ameaças a ministros do STF e ao Congresso Nacional

O que era para ser um dia de comemoração dos 199 anos da Independência do Brasil, o 7 de Setembro de 2021 se tornou um dia de ato político e campanha eleitoral fora de época do presidente Jair Bolsonaro (ex-PSL). Essa é a avaliação da mídia liberal após um dia de manifestações em algumas cidades do País dos grupos bolsonaristas. Desta vez, além das manifestações injuriosas contra a democracia, as manifestações bolsonaristas são vistas como campanha eleitoral antecipada.

Também analisa os discursos que o Presidente proferiu em Brasília e em São Paulo, nos quais ataca a Constituição, o processo eleitoral de 2022, o Supremo Tribunal Federal (STF) e, sobretudo, o ministro Alexandre de Moraes, além de outros ataques à democracia brasileira, jogam “fora das quatro linhas”.  As manifestações pró-Bolsonaro tiveram maior participação na capital federal, onde dezenas de caminhões, ônibus, motorhomes (trailers) e ônibus convencionais lotaram a rede hoteleira. Brasília, acostumada a ficar vazia nos feriados de 7 de Setembro, este ano, ficou lotada.

Na capital paulistam, a mesma coisa. Os grupos bolsonaristas chegaram cedo na Avenida Paulista. Segundo apuração da mídia liberal, o ato pró-Bolsonaro ocupou 14 quarteirões da avenida, o que significa que ocupou toda a extensão da Avenida Paulista. Em ambas, Bolsonaro participou presencialmente, sem máscara e com a mira apontada para o ministro do STF responsável pelo inquérito que investiga o financiamento e organização de atos contra as instituições e a democracia e pelo qual já determinou prisões de aliados do presidente e de militantes bolsonaristas.

Na avaliação da mídia liberal, o primeiro efeito colateral dos discursos é o fato de que os partidos que ainda o apoiaram dão sinais de que vão desembarcar do governo. Diz que o discurso violento dele, realizado hoje, ele foi para o tudo ou nada e considera que este governo acabou. A mídia relata que a economia despencando sem resposta e que, em vez de atuar na resolução do problema econômica, Bolsonaro mobilizou milhares de pessoas para apoiar uma aventura política e uma pressão para a saída de um ministro do supremo.

Chamam a atenção para o fato de que o Brasil que passa fome não estava em Brasília ou na Avenida Paulista e revela que alguns partidos se movimentam rumo ao desembarque do apoio ao governo. O PSD anunciou que irá instaurar comissão para avaliar impeachment de Bolsonaro; o MDB avisou a seus líderes do governo que devem sair dos cargos porque se continuarem a mensagem que fica é a de que o partido compactua com o golpe; o PSDB irá avaliar se apoia formalmente pedido de impeachment.

Para as TVs liberais, Bolsonaro demonstrou estar completamente desconectado da vida real dos brasileiros e mobilizou pessoas dispostas a embarcar no golpe dele e chama o presidente da Câmara e cobram do deputado Arthur Lira um posicionamento: “Será que Arthur Lira vai fingir que não ouviu o discurso de Bolsonaro?”, indaga a mídia.

Na avaliação da mídia liberal, com os discursos desta segunda-feira (7/9), o Presidente da República aprofunda o isolamento político e uma das notícias destacadas foi o fato de o PSDB anunciar que se reunirá, nesta quarta-feira (8), para discutir e definir oposição ao governo federal e até a elaboração de um pedido de impeachment contra o Bolsonaro. Também noticiou que, pela primeira vez, o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), se posicionou a favor do impeachment.

Doria acusou Bolsonaro de incitação de apoiadores a atacar o ministro Alexandre de Moraes e disse que o Presidente cometeu crimes nesta terça e afrontou a Constituição. “Ele desafia a democracia e empareda a Suprema Corte brasileira”, disso o governador. “Minha posição é pelo impeachment do presidente Jair Bolsonaro – depois do que ouvi hoje ele, claramente, afronta a Constituição”, afirmou Doria.

E completou: “Eu até hoje nunca havia feito nenhuma manifestação pró-impeachment, me mantive na neutralidade, entendendo que até aqui os fatos deveriam ser avaliados e julgados pelo Congresso Nacional, mas depois do que assisti e ouvi hoje, em Brasília, sem nem sequer estar ouvindo, ele, Bolsonaro, claramente, afronta a Constituição, desafia a democracia e empareda a Suprema Corte brasileira”, completou o governador de SP no Centro de Operações da PM (Copom), de onde monitorava, ao lado do Procurador-Geral de Justiça, Mário Sarrubbo, o esquema especial de policiamento das manifestações.

A mídia liberal também alerta para o fato de que tudo isso pode não resultar em nada e informa que várias lideranças políticas ligadas ao centrão disseram, após as manifestações de hoje, que os discursos com ameaças graves ao Supremo, ao ministro Alexandre de Moraes, à democracia brasileira e vários flagrantes de crimes de responsabilidade não passam de bravatas de Bolsonaro e que não tem nada de mais. Não há nenhuma expectativa de que o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), não irá colocar em andamento nenhum dos 126 pedidos impeachment que estão engavetados.

A mídia liberal também acusa Bolsonaro de usar o aparato estatal para fazer uma imensa campanha eleitoral fora de época, neste 7 de setembro, envolvendo desde convocação de eleitores, que lotaram a rede hoteleira de Brasília, até o uso de helicopteros das Forças Armadas, de rolls royce da Presidência da República para desfilar na manifestação que ele realizou na Esplanada dos Ministérios entre outros crimes e” nada de a Procuradoria-Geral da República (PGR) agir”.