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Bolívia retoma caminho democrático transformador

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A tenaz resistência do povo boliviano, encurralando o golpe militar ocorrido há um ano, mantendo um alto nível de organização e mobilização, construindo na prática uma unidade que, em 2109, esteve prejudicada pelo distanciamento entre a Central Obrera Boliviana e o MAS (Movimento ao Socialismo), permitiu agora uma estupenda vitória eleitoral no primeiro turno, elegendo-se para presidente da república o ex-ministro da economia de Evo Morales, Lucho Arce, e para vice, aquele que foi o chanceler do governo transformador.

 

A vitória de Lucho Arce será um grande estímulo para a retomada das lutas de massas na América Latina, para fortalecer a possibilidade de volta da esquerda ao governo do Equador, em fevereiro próximo, para fortalecer o peronismo de esquerda na Argentina e para tirar do isolamento a Revolução Bolivariana, retomando novamente a perspectiva de reconstrução da Unasul.

 

A vitória do MAS tem especial significado para o Brasil, onde a esquerda ainda padece de falta de unidade, reconhece ter perdido a capacidade de mobilização e, sobretudo, distanciou-se dos setores populares, permitindo a penetração do bolsonarismo em parte destas comunidades. O exemplo boliviano é cristalino, basta ter humildade para aprender.

 

Para os que imaginam ter havido um acordo com os EUA para a vitória do MAS, vale lembrar que Lucho já enviou um recado claro para o governo do Brasil: vai renegociar todos os acordos para a venda de gás, pois Bolsonaro os firmou, indevidamente, com um governo ilegítimo, agora derrotado pela ação combativa e inteligente das massas bolivianas.

 

 

Prefeita boliviana agredida no golpe de 2019 se elege senadora

 

Maria Patricia Arce Guzmán virou símbolo da resistência do povo boliviano. Há quase um ano, quando ocupava o cargo de prefeita de Vinto – município do departamento de Cochabamba, região central da Bolívia –, ela foi sequestrada por extremistas de direita, arrastada de sua casa, humilhada, incluindo cusparadas, ofensas e caminhada forçada com pés descalços entre pedras e vidros, chegando a ser pintada com tinta vermelha. Tudo isso apenas por ser militante do MAS, partido de Evo Morales.

 

“Eles podem ter cortado meu cabelo, me batido, mas minhas ideias ainda estão intactas”, disse ela algumas semanas depois ao reassumir o cargo.

 

Em abril deste ano, durante o governo instalado após o golpe contra Morales, ela foi presa, junto com seus cinco filhos, acusados ​​de ter organizado uma festa e consumido bebidas alcoólicas durante a pandemia do coronavírus. Depois de dar negativo nos testes do bafômetro, denunciou que a prisão foi “perseguição política”.

 

Agora ela foi eleita senadora e ajudou o MAS a ter maioria no parlamento boliviano.

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