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Aziz garante vitória do Parlamento contra Executivo militarizado e fortalece democracia ameaçada

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O presidente do Congresso, senador Rodrigo Pacheco(DEM-MG), depois de pisar na bola ao não sair imediatamente em defesa do seu colega senador Omar Aziz(PSD-AM), presidente da CPI da Covid 19, atacado pelo ministro da Defesa, general Braga, corre atrás do prejuízo para não perder protagonismo político; Braga chamou Aziz de leviano e irresponsável por entender que o parlamentar amazonense desrespeitou as Forças Armadas, envolvendo-a na corrupção da compra das vacinas.

Braga meteu os pés pelas mãos, misturando alhos com bugalhos, para dar uma de homem forte, ao generalizar o que Aziz, apenas, particularizou; Aziz apenas disse que a parte sã dos militares estaria envergonhada do papelão que está fazendo a parte podre deles ao se envolverem com empresas e políticos bolsonaristas que se praticaram grossas maracutaias no comércio de vacinas superfaturadas no Ministério da Saúde em plena pandemia do novo coronavírus.

Em vez de cuidar, prioritariamente, da saúde e sobrevivência da população, o presidente Bolsonaro misturou-se aos dois grupos – políticos e militares -, envolvidos com empresas internacionais e suas laranjas nacionais, mergulhando governo em grande corrupção, como está comprovando as investigações da CPI.

Braga tomou as dores dos militares em geral, em vez de falar à nação que abriria inquérito dentro das Forças que comanda, para verificar se Aziz e a CPI estariam ou não falando a verdade; não, o ministro da Defesa despachou nota agressiva contra o Congresso e ameaçou rebelião constitucional que afetaria a Democracia, se ela acontecesse.

Era o que, no fundo, gostaria que acontecesse o presidente da República para dar curso ao seu projeto ditatorial bonapartista; o ataque de Braga saiu pela culatra porque Aziz deu uma de mach, não levou desaforo para casa e chamou o general para a briga, além de puxar, violentamente, as orelhas do presidente do Senado; este ficou calado e entrou em profundo silêncio, no plenário, engolindo seco os ataques do colega amazonense.

O fogo cruzado levantado pelo general, por se mostrar arrogante e inoperante, dado que ele não teve razão em sua reação destemperada e despropositada, apagou; no dia seguinte, teve que ir se desculpar com o presidente do Congresso; nesse contexto, o papel político de Omar Aziz se agigantou, como líder civil, que caberia a Pacheco, se não tivesse fugido da raia, tatibitate.
O titular do parlamento caiu em si, no desenrolar das horas nervosas; ficou evidente que perdeu protagonismo para Aziz que virou terceira via política sucessória como personagem político reagente aos arreganhos ditatoriais do ministro da Defesa.

Hoje, Pacheco, tentando correr contra o tempo, para virar presidente de fato do Legislativo, pois deixou esse papel relevante para Aziz, ficando com a incumbência, tão somente, de presidente de direito, convocou imprensa para dizer que não deixará a tentativa ditatorial dos militares prosperar; nessa altura do campeonato, já tinha levado bola debaixo das pernas, jogada, espertamente, por Omar.

A semana termina com Omar Aziz posando de maior personagem da cena política nacional, diante da qual o presidente da República amarga queda de 51% nas pesquisas de opinião pública como alguém que ameaça a democracia; Braga Neto, da mesma forma, saiu chamuscado como agente antidemocrático, na tentativa de proteger as Forças Armadas, com argumentos inverossímeis e equivocados; mostrou-se, politicamente, despreparado e será, certamente, contestado pelos seus pares por tê-los envolvido em ação destemperada que somente desmoraliza as 3 Forças(Exército, Marinha e Aeronáutica), sob investigação na CPI por terem membros delas envolvidos em grossa corrupção; cai a imagem de condestáveis da República, a qual terá que ser retocada, para não ser, completamente, desmoralizada.

 

César Fonseca é jornalista e editor do site Independência Sul Americana

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