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Auditor que inventou estudo falso sobre Covid-19 é afastado do TCU e vai ser investigado pela PF

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TCU desmentiu Bolsonaro e a imprensa descobriu que o pai de Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, auditor do tribunal que inventou estudo falso sobre a Covid-19, ganhou cargo na Petrobrás e se reuniu com Bolsonaro

 

 

Dois dias após desmentir o presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o Tribunal de Contas da União (TCU) afastou, nesta quarta-feira (9), o auditor Alexandre Figueiredo Costa Silva Marques, apontado como responsável pela elaboração de um estudo paralelo que questiona o número de mortos por Covid-19 no Brasil e ainda diz que houve “supernotificação”. Ele está impedido de entrar no tribunal.

 

 

O TCU também divulgou nota pública com o desmentido. Clique aqui e leia a Nota de esclarecimento – mortes por Covid-19

 

Ana Arraes, presidente do TCU, determinou o afastamento por 60 dias, a abertura de Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para investigar o auditor e encaminhou um pedido à Polícia Federal (PF) para apurar o caso.

 

 

Ela atendeu aos pedidos do corregedor do TCU, ministro Bruno Dantas, que quer que a PF abra um inquérito para apurar a suposta elaboração do estudo. O pedido foi feito, oficialmente, por Dantas à presidência do TCU, nesta quarta-feira (9/6), por meio de um despacho. No documento, o ministro pede a instauração de PAD e o afastamento preventivo do servidor do cargo de auditor para não atrapalhar as investigações.

 

O estudo foi citado por Bolsonaro para questionar os números divulgados pelas Secretarias de Estado de Saúde (SES) de todo o País. Na segunda-feira (7), o tribunal emitiu uma nota desmentindo o Presidente e negando ter produzido qualquer estudo ou documento que colocasse em dúvida os registros já subnotificados por mudança na contagem feita pelo Ministério da Saúde em 2020.

 

 

Crítico do PSOL e da imprensa e amigo da família Bolsonaro

Levantamento da imprensa indica que o servidor Alexandre Figueiredo Costa Marques, que criou documento falso usado por Bolsonaro para questionar mortes por Covid-19, é crítico do PSOL. Além disso, a apuração da mídia revelou que o pai do servidor, cujo nome é Ricardo Silva Marques, é coronel do Exército e foi nomeado gerente-executivo de Inteligência e Segurança Corporativa da Petrobras, em 2019, e já se reuniu ao menos três vezes com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

 

 

Na tarde desta quarta-feira (9), durante um culto evangélico, em Anápoles, Bolsonaro voltou a mencionar o estudo falso, desrespeitando autoridades do TCU, defendendo o uso da cloroquina e o tratamento precoce.

 

O TCU desautorizou as conclusões do estudo feito de maneira independente pelo auditor, que indicavam enorme supernotificação das mortes por Covid-19 em 2020, no que seria um indício de fraude de estados e municípios em busca de mais recursos.

 

Membros da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Pandemia, no Senado, também estão dispostos a convocar o servidor a depor. “Pelo menos os sigilos dele, que induziu o presidente da República ao erro, teremos de quebrar”, disse, no fim da tarde de terça-feira (8/6), o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), vice-presidente do colegiado.

 

Levantamento do site Metrópoles revela que o servidor tem também ligação com a família Bolsonaro, mas ainda não está claro o caminho do documento do sistema do TCU até o conhecimento do presidente da República. O site fez um estudo do perfil do auditor e de sua família nas redes sociais. Confira.

 

 

Perfil

 

Alexandre Marques não está falando com a imprensa, mas informações em seus perfis nas redes sociais e registros oficiais permitem a elaboração de um perfil básico do servidor.

 

Em uma página pública que criou no Facebook em 2019 para divulgar suas opiniões, o servidor conta que nasceu e viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro, mas se mudou em 2015 para Jundiaí, no interior de São Paulo.

 

No TCU, ele entrou em 2008, como auditor. Antes, trabalhou no Ministério da Justiça, entre 2006 e 2007, como especialista em políticas públicas. Ainda antes, de 1994 a 2006, foi oficial da Marinha do Brasil. É formado em ciências navais e em direito.

 

Hoje, segundo o sistema interno da Corte, está no cargo de supervisor no Núcleo de Supervisão para o Aprimoramento das Atividades de Controle Externo. Antes, até 30 de março deste ano, esteve na Secretaria de Controle Externo da Saúde.

 

Em sua página pessoal na rede social, o servidor do TCU não ostenta postagens em homenagem direta ao presidente Bolsonaro, mas curtiu as páginas do presidente e do ministro Tarcísio Freitas, da Infraestrutura. Curtiu também páginas do Partido Novo.

 

Entre as postagens, há uma com notícia defendendo a eficácia da Ivermectina contra a Covid-19 – que não foi comprovada pela ciência –, mas também há postagens defendendo a vacinação como solução para a pandemia.

 

A esposa do servidor, Nara de Pieri, é enfermeira e atua na linha de frente contra a Covid-19 em Jundiaí. Também com perfil aberto no Facebook, ela divulga material defendendo a vacinação e chegou a postar um meme, em abril deste ano, zoando o ministro da Economia, Paulo Guedes, por suas declarações polêmicas sobre o serviço público: “Tomou vacina chinesa, através do SUS e aplicada por funcionária pública”.

 

É em sua página criada para opinar sobre os temas do país que o servidor do TCU Alexandre Marques solta mais sinais sobre seu perfil político.

 

Em postagem de 2 de dezembro do ano passado, ele observa que a média móvel de mortes por Covid vinha caindo, mas voltou a subir no fim de outubro, após o início da campanha eleitoral municipal. “Aglomerações, corpo a corpo, candidato do PSol fazendo reuniões mesmo com Covid-19, tudo isso contribuiu não só para aumentar a contaminação, mas também para passar a imagem ao povo de que estava tudo normal”, escreveu ele, numa crítica ao psolista Guilherme Boulos, então candidato a prefeito de São Paulo.

 

A mídia é atacada em várias postagens. “Agora vamos falar de boas notícias, porque isso a mídia não divulga. Há três dias o número de óbitos no Brasil está menor, se comparado com o mesmo dia da semana anterior”, postou ele em junho do ano passado.

 

 

“Falar que o Brasil é um mau exemplo é ridículo. A imprensa deveria ressaltar o esforço que gestores do SUS e profissionais de saúde estão fazendo. Podemos não ser perfeitos, mas temos que ter orgulho do nossos sistema de saúde”, escreveu Alexandre em 6 de maio de 2020.

 

Ligação com o PSB

 

Apesar de ter curtido a página de Bolsonaro e a do Partido Novo, o auditor do TCU envolvido na polêmica com o “estudo paralelo” tem uma ligação familiar com um político de partido de esquerda, e até já fez campanha para ele. Trata-se do professor Eliseu Gabriel, do PSB, eleito vereador na capital paulista em 2020. Ele é seu sogro, pai de sua esposa.

 

Com informações do G1, TCU, Metrópoles e outros

 

 

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