Apesar do anúncio do Ministério das Finanças de retirar do edital de leilão o edifício histórico localizado no centro do Rio de Janeiro, conhecido como Palácio Capanema, onde funciona o Ministério da Educação e Cultura (MEC), o ato Trincheira Capanema continua de pé e será realizado nesta sexta-feira, 20/8, às 16h, em Defesa do Patrimônio Cultural Brasileiro.

 

Segundo seus organizadores, este “é um exemplo de mobilização pela cultura e o patrimônio brasileiros. Só neste nefasto leilão estão indistintamente 2.258 imóveis, entre eles o Palácio Capanema (suspenso) e o  Edifício A Noite, onde funcionou, durante 94 anos, a Rádio Nacional”.

 

O Edifício Joseph Gire, mais conhecido como A Noite, é um arranha-céu localizado na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro. Inaugurado em 1927, é considerado um marco arquitetônico do país, sendo, na época de sua inauguração, o maior arranha-céu da América Latina e o mais alto edifício do mundo construído em concreto armado.

 

Lúcia Capanema, sobrinha de Gustavo Capanema, ex-ministro da Educação e Saúde do governo Getúlio Vargas, lembra que é preciso arrecadar fundos para “custear os atos em favor da cultura brasileira e em repúdio à colocação de mais de 2.250 imóveis do patrimônio público federal à venda no Rio de Janeiro, tendo como estrelas o Palácio Capanema e o Edifício A Noite”.

 

A ajuda financeira, segundo Lucia Capanema, professora da Universidade Federal Fluminense, pode ser feita na plataforma Kikante – O Capanema é Nosso – aqui https://nova.kickante.com.br/l/capanemaenosso

Se conseguirmos cobrir os custos de comunicação e equipamentos relativos ao ato de amanhã, o restante será doado ao Fórum Técnica RJ, entidade que vem lutando para manter comida na mesa dos técnicos de apoio às artes no Rio de Janeiro.

 

Desestatização – Governo federal inicia o “feirão de imóveis” na cidade do Rio de Janeiro oferecendo mais de 2 mil imóveis. Pelo menos 50 estão localizados no centro da capital carioca. No entanto, diante da repercussão negativa, que mobilizou pessoas e associações ligadas à cultura, à arquitetura e ao patrimônio histórico, o ministro Paulo Guedes desistiu de incluir Palácio Capanema no vergonhoso leilão. A informação foi divulgada pelo governador do Rio, Cláudio Castro, e o presidente da Assembleia Legislativa fluminense, o petista André Ceciliano.

 

Castro e Ceciliano se reuniram com representantes dos setores culturais para discutir a possibilidade de comprarem o palácio, dividindo os gastos entre a Alerj e o governo estadual. A proposta partiu do presidente da Assembleia, incomodado com o que considerou um descaso do carioca Guedes com um dos edifícios mais importantes da ex-capital federal.

 

Símbolo da arquitetura moderna brasileira, o Capanema já foi sede do antigo ministério da Educação e da Saúde – que depois se transformou em Ministério da Educação e Cultura (MEC) – e só estava desocupado porque passa por uma restauração que já custou mais de R$ 50 milhões aos cofres públicos e ainda necessita de outros R$ 57 milhões para conclusão. Essa reforma é uma exigência da Unesco para torná-lo patrimônio histórico mundial.

 

O leilão do MEC está suspenso, mas nada garante que volte a ser cogitado, por isso a necessidade de manter a movimentação em sua defesa. Defesa patrimonial essa que inclui o outro edifício A Noite.

 

Símbolo arquitetônico – A concepção do Palácio Capanema, inaugurado em 1945, reuniu os nomes mais famosos da arquitetura, do paisagismo e da arte brasileira do século XX. Assinaram o projeto do prédio de 16 andares os arquitetos Oscar Niemeyer e Lúcio Costa, entre outros. Os jardins suspensos foram planejados por Burle Marx e os azulejos da fachada são de Cândido Portinari. Contou também com a consultoria do francês Le Corbusier,

 

O Capanema foi citado por Guedes como um dos mais de 2 mil imóveis que poderiam entrar num leilão  para fazer caixa. Para isso, o governo federal se baseia na lei 14.011, de 2020, que facilita a concessão de patrimônios da União.

Além da importância histórica, o palácio reúne hoje parte do acervo da Biblioteca Nacional e serve de casa para a Funarte. O contrato da fase atual do restauro do palácio é de R$ 57,8 milhões e se estende até o fim deste ano, no âmbito do programa PAC Cidades Históricas.

 

Numa carta assinada por dez associações, os profissionais da área destacam o reconhecimento mundial do Capanema, espécie de laboratório das ideias de Le Corbusier, o guru supremo da arquitetura modernista. “Quanto vale um prédio concebido, projetado e construído para ser um símbolo da cultura nacional?”, questionam. “Ele é a obra brasileira mais citada em livros de arquitetura, mundo afora, como o primeiro edifício monumental do mundo a aplicar diretamente os conceitos da arquitetura moderna de Le Corbusier.”

 

Estão nessa luta pela preservação do patrimônio arquitetônico o Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB), o Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB), o Clube de Engenharia, o Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Rio (CAU-RJ), o Conselho de Engenharia e Agronomia do Rio (CREA-RJ), o Instituto Internacional de Arquitetos Paisagistas (IFLA) e o Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (Icomos). Sindicatos dos engenheiros e dos arquitetos e o Movimento Ocupa MinC.

 

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