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Atitude antivacina de Bolsonaro e as consequências à saúde pública

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Embora a atitude antivacina constitua uma longa história, sua versão atual pode ser inserida no âmbito das “fake news” e até em um estranho episódio de fraude científica, envolvendo, indiretamente, uma respeitável publicação médica.

 

No Brasil, a Revolta da Vacina remonta ao início do século XX, em 1904, no governo Rodrigues Alves, tendo o respeitado sanitarista Oswaldo Cruz na liderança da área da saúde, aprovou a Lei da Vacinação Obrigatória, a qual gerou forte oposição popular. Provavelmente motivada pelas ações truculentas do governo na remoção de habitantes do centro do Rio de janeiro para morros e favelas.

 

O custo social da repressão à Revolta foi intenso: prisões, deportações, mortos e feridos em poucos dias de intensos conflitos, que levou à suspensão da vigência da Lei.

 

Poucos anos mais tarde, em 1908, uma violenta epidemia de varíola cobrou o seu preço, atingindo uma população vulnerável, principalmente crianças, fato que evidenciou a necessidade do uso da vacina, para autoproteção dos indivíduos e para evitar a propagação da doença. Ao que parece, a dura lição foi assimilada pelas autoridades e pela população.

 

Quando a vacina – forma inteligente e eficaz de prevenir doenças e evitar a sua propagação – estava naturalmente assimilada pela população e autoridades sanitárias, já no final do século passado, um conceituado médico inglês publica na revista Lancet um artigo, no qual afirmava que a vacina tríplice provocava Autismo. O trabalho “científico” se revelou uma fraude e o seu autor severamente punido.

 

O que causa profunda estranheza é o fato dessa desconfiança em relação às vacinas subsistir, considerando os incríveis avanços da Ciência Médica nas últimas décadas, os quais resultaram em cura e controle de doenças, e no aumento da longevidade, com qualidade de vida, e até o incremento da inovação tecnológica na produção de vacinas para enfrentar as novas doenças produzidas por vírus até então desconhecidos, como é o caso do Covid-19.

 

O mais provável é que componentes alheios à área médico-científica estejam sendo introduzidos – de forma leviana e irresponsável – no sentido de quebrar a nossa confiança nos avanços incontestáveis da Medicina, em todas as suas áreas de atuação. E quais as razões para a rejeição à imunização, em plena pandemia provocada por um novo vírus? Provocando uma nova e séria ameaça sanitária?

 

Em publicação recente no El País, Javier Salas, afirma, baseado em notícias veiculadas em periódicos sérios e confiáveis: 26% dos franceses não usariam a vacina se esta já estivesse disponível; no Reino Unido, 12% não se vacinariam e mais de 18% tentariam convencer familiares e amigos a não se imunizarem; uma quarta parte da população norteamericana tampouco tem interesse em se vacinar, rejeição que alcança 34% entre eleitores republicanos; apenas 40% dos norteamericanos menores de 60 anos, estão convencidos a se vacinar. Finalmente, no Brasil 25% da população recusam o procedimento imunizante.

 

Parece haver um nítido viés político-ideológico nestas diferentes regiões do mundo. Todas submetidas a governantes de credo neoliberal, com todas as suas consequências. Seguramente, podemos presumir que as consequências da atitude antivacina do governo brasileiro, habilmente repassada para a população que influencia, não causará maiores preocupações internas e no processo de tomada de decisões na Saúde Pública, considerando o impacto nulo de mais de cem mil óbitos em decorrência da pandemia: E DAÍ??? Dirá o capitão presidente.

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