Mesmo com a mobilização de mais de três mil trabalhadores durante todo o dia na Praça da Matriz e de parlamentares da oposição, a base do governo Leite conseguiu aprovar nesta terça-feira, 31 de agosto, por 33 votos favoráveis e 19 contrários o projeto de lei 211/2021 que autoriza a venda da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) pelo governador Eduardo Leite (PSDB). Avesso aos apelos dos prefeitos e de servidores que pediam que fosse retirado o regime de urgência para apreciação da matéria, ainda foram apresentadas duas emendas de última hora sem tempo hábil para análise dos deputados.

Prefeitos em reunião realizada nesta segunda-feira, dia 30 de agosto pela Federação Nacional dos Municípios do Rio Grande do Sul (FAMURS) pediram o adiamento das votações, para que a pauta fosse discutida por mais tempo.

 

Manifestações na tribuna

Para a deputada Sofia Cavedon (PT), Eduardo Leite (PSDB) cometeu um estelionato eleitoral ao autorizar a privatização da Corsan. “Este governador disse na campanha eleitoral, escrevam aí que eu assino embaixo, não venderei a Corsan. Gente, se isto não é estelionato eleitoral, não sei o que é. E o governador Leite disse que vai pagar o custo político disto. Porque ele sabe que esse custo é amenizado pelas trocas clientelistas que ele faz com recursos públicos, que ele vai angariar com a venda da Corsan. Ele sabe que esse custo político é amenizado pela grande mídia empresarial que tem interesses políticos. São façanhas do atraso que vão marcar a trajetória política de Eduardo Leite. “A privatização vai aumentar o preço das tarifas”, lembrou o líder da bancada do PT, deputado Pepe Vargas”. “Se o parlamento aprovar essa matéria, abdicará de atender os pequenos municípios. Dos 317 atendidos pela Corsan, 280 ficarão no pincel”, lembrou o deputado petista Jeferson Fernandes. O deputado Edegar Pretto (PT) ressaltou que Eduardo Leite (PSDB) disse que se fosse eleito, o Banrisul e a Corsan se manteriam públicos. “Certamente a palavra do governador foi decisiva para sua eleição e agora ele vem para a sociedade gaúcha e diz – “Eu vou voltar atrás, e espero que o povo gaúcho me compreenda” – Edegar que também é presidente da Comissão de Serviços Públicos ainda acrescentou na tribuna, “senhor Eduardo Leite e sua base aliada: o RS é maior que estes quatro anos de mandato”.

Projeto teve contrariedade de parlamentares do MDB e PSB

O projeto que autoriza o governador Eduardo Leite (PSDB) a privatizar a Corsan, votado nesta terça-feira, tramitou em apenas 30 dias dentro da Assembleia Legislativa. E contou com a contrariedade de parlamentares da sua base aliada, como do MDB e do PSB.

Mobilização de trabalhadores e prefeito de São Sepé (RS)

Desde cedo, houve mobilização dos servidores em frente às sedes da Corsan e do Banrisul que ficam no mesmo prédio no Centro Histórico de Porto Alegre. Além de vereadores, prefeitos e parlamentares, a organização foi do Sindiágua. Trabalhista histórico, o atual prefeito de São Sepé, João Luiz Vargas (PDT) esteve presente à manifestação lembrou “a manutenção da Corsan pelo avanço social em São Sepé, como exemplo, as redes de esgoto (ainda em construção no bairro Cristo Rei e Zenari), a tarifa social e a construção de estações de tratamento de efluentes terão grandes prejuízos em caso de privatização”.