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As eleições e o reimpulso para uma nova fase da Frente de todos na Argentina

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A coligação neoliberal que vai de “Juntos pelo Cambio-PRO” à extrema-direita da “Aliança pela Liberdade”, com apoio despudorado da mídia hegemônica (Clarin/La Nación e TN), investiu agressivamente na tentativa de outro “golpe suave” para desestabilizar o governo da Frente de Todos (FdT), desde as eleições legislativas primárias (PASO), às definitivas de 14 de novembro passado. Porém, os resultados terminaram no seu fracasso político, o que dá um respiro para que o governo de Alberto/Cristina possa, superada momentaneamente a Pandemia, avançar no projeto nacional e popular, nas medidas de recuperação econômica pós-macrista e de concentração nos esforços para responder aos interesses dos mais vulneráveis para e pelos quais foi eleito em 2019.

 

 

Apesar de que os números deram aos opositores um resultado favorável na contagem total (exaltada em alguns meios de comunicação internacional), a recuperação de 5% da Frente de Todos em relação às Primárias (PASO), diminuindo a abstenção (a participação aumentou de 66% a 71%) redunda num ganho político a favor do governo; o que é mais importante na contagem dos números, é que Juntos pelo Cambio (JxC) não aumentou de votos e, em alguns casos como na capital de Buenos Aires, perdeu para a extrema direita de Milei, da Liberdade Avança. Além disso, apesar da oposição manter a maioria das Províncias, o governo ganhou novas com ampla margem de participação em: Salta, Catamarca, Santiago del Estero, San Juan, La Rioja, Formosa, Tucumán e Chaco, além de significativa votação na Terra do Fogo.

 

 

Na Província mais populosa do país, a de Buenos Aires, governada por Axel Kicillof, a recuperação da FdT em relação às Primárias, chegou a diminuir a diferença entre a eleita deputada Vitória Tolosa Paz (FdT, 38,52%) contra Diego Santilli (Jxc, 39,81%). Pouco se divulgou, mas o destacável é que a votação na província de Buenos Aires, na Câmara de Deputados e no Senado Provinciais, a FdT conseguiu manter a maioria. Desta forma, conseguirá aprovar projetos até hoje bloqueados pela oposição. A Província de Buenos Aires é considerada a “mãe de todas as batalhas”, e a possibilidade de Axel Kicillof poder implementar sua política até hoje travada pela pandemia e a selvagem oposição de JxC, terá um peso importante na relação de forças.

 

 

A recuperação de 5% da abstenção, foi produto de vários fatores, entre os quais uma campanha militante maior da FdT junto às bases populares e os segmentos empobrecidos da população. Particularmente na Província de Buenos Aires, os candidatos da FdT desceram aos bairros para ouvir e debater os problemas irresolutos da população: trabalho, salário e moradia. O efeito da carta de Cristina Kirchner, após as Primárias, de autocrítica interna ao governo, as mudanças ministeriais posteriores, sobretudo a consequente nomeação de Roberto Feletti, o novo Secretário do Comércio Interior, e a sua ofensiva no programa de controle de preços de produtos básicos de consumo, tudo, incidiu na recuperação de parte do chamado voto castigo. Apesar de não suficiente, devido ao longo percurso dos próximos dois anos, sobretudo com o nó na garganta da impagável dívida externa com o FMI (deixada por Macri), um dos temas centrais de debate. Sobre isto referiu-se o presidente Alberto Fernandez no seu discurso em rede nacional logo após o fechamento das urnas.

 

 

Um dos pontos é que o governo estará discutindo um projeto econômico e social bienal no contexto do debate sobre o pagamento da dívida externa com o FMI. O mesmo será apresentado no início de novembro para debate junto ao Congresso. Macri, ao contrário, contraiu a dívida à revelia do Congresso. Nas recentes eleições, ao contrário do esperado pela oposição, a Frente de Todos  (FdT) manteve a primeira minoria na Câmara de Deputados da nação e, portanto, a sua presidência. No Senado, a FdT que detinha o quórum para aprovação de leis (como foi no caso da Lei da Reforma Judicial) deverá alcançar o apoio de alguns aliados nas próximas votações.

 

 

Na avaliação qualitativa da votação deste 14 de novembro, considera-se também a maior votação recebida pela FdT através de Leandro Santoro (25%), na cidade de Buenos Aires, baluarte do macrismo, e um crescimento da FIT (7,8%). O crescimento da ultra-esquerda em geral, canalizando votos críticos do interior da FdT teve seu peso. O mais significativo foi o resultado em Jujuy, onde o macrismo teve 48,97%, enquanto a FdT  25,69%, e o candidato Alejandro Vilca, catador de papel, da Frente de Esquerda e Trabalhadores – Unidade (FIT-U) surpreendeu com 25,33 %; este, revelou-se uma novidade, canalizando o descontento popular contra o governo local de Geraldo Morales (JxC), o mesmo que levou a líder Milagro Salas à prisão; recolhendo também a crítica à inoperância judicial do governo nacional frente ao caso. Avalia-se também a atuação de dirigentes como Juan Grabois, ligado ao Papa Francisco, do MTE (Movimento de Trabalhadores Excluídos) e da Frente Pátria Grande, junto aos bairros mais humildes na Província de Buenos Aires, que contribuíram na diminução da abstenção.

 

 

A retomada do impulso no Dia da militância, e no dia da Soberania Nacional

 

 

No dia 14 de novembro, Dia da Militância, em que se comemorou na Praça de Maio o aniversário do retorno de Perón do exílio em 1972, Alberto Fernandez com a participação dos movimentos sociais, e todas as Centrais Sindicais (das CGTs às CTAs), governadores e prefeitos, dirigiu uma mensagem para abrir a segunda etapa do seu governo, para os próximos dois anos. Uma das suas frases mais destacadas foi: “Dizem: o que estão comemorando, se perderam? O triunfo não é vencer, mas nunca dar-se por vencidos”. Leia aqui os ditos mais importantes do discurso.

 

 

É provável que ao mesmo tempo em que Juntos pelo Cambio (Jxc) dê uma guinada à direita para recolher os votos de Milei, ocorra também uma radicalização da Frente de Todos (FdT) para recuperar parte da base social que apoiou a Frente de Esquerda (FIT), e deixar de ser uma aliança eleitoral para tornar-se uma Frente Política para avançar no enfrentamento ao capitalismo. O surgimento da agrupação “Soberanxs”, no dia 20 de novembro, Dia da Soberania Nacional, como uma união de forças políticas para dar a “Batalha de Ideias” dentro da FdT é uma das expressões disso. Amado Boudou, um dos dirigentes ao lado de Alicia Castro e Gabriel Mariotto disse: “Soberanxs não vem para romper com nada; vem para ajudar a sanar a Pátria Grande com o Governo de Alberto Fernández, com a liderança de Cristina Kirchner, com a tradição do peronismo, para ter uma pátria livre, justa e soberana”.

 

 

 

(*) Por Helena Iono – Direto de Buenos Aires/Pátria Latina

 




 

 

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