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As duas tragédias do oeste do Paraná

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A delegada Camila Cecconcello, encarregada do inquérito sobre o assassinato do guarda municipal Marcelo Arruda em Foz do Iguaçu, encerrou essa investigação mais rápido do que o prometido e indiciou o assassino Jorge da Rocha Guaragno por crime de homicídio duplamente qualificado, mas não praticado por motivo político.

 

Não se podia esperar outra coisa desse inquérito, pois a delegada encarregada ocupa o cargo de confiança de chefe da Divisão de Homicídios da Polícia Civil do Paraná e a Polícia Civil do Paraná está subordinada à Secretaria de Segurança Pública do Estado, que naturalmente o governo estadual mobilizou para impedir que o resultado da investigação policial viesse a prejudicar a reeleição do Governador Ratinho Júnior.

 

Até agora o Governador tem apoiado a reeleição de Bolsonaro, embora seu partido, o PSD de Gilberto Kassab, não o acompanhe e se incline por não ter candidato à Presidência e permitir que seus candidatos e filiados apoiem a eleição de Lula. Aliás o Governador, em recente manifestação de apoio a Bolsonaro, fez questão de ressalvar o respeito que tem por Lula; e em passado não muito distante tomou a iniciativa de oferecer o avião em que Lula, preso ilegalmente em Curitiba, pôde comparecer ao velório do neto Arthur em São Bernardo do Campo.

 

Mas Bolsonaro é Bolsonaro, o Governador precisa dos votos dele, não desprezíveis em seu Estado, e Bolsonaro depende de se livrar do crime de Foz do Iguaçu para não ter aumentada ainda mais a rejeição popular que inviabiliza sua reeleição.

 

Seria ilusório, portanto, esperar que o inquérito policial presidido por uma delegada de confiança viesse a incriminar politicamente um assassino que chegou ao local do crime dando vivas a Bolsonaro. Cabe agora esperar pela ação do Ministério Público, que não é obrigado a aceitar as conclusões da delegada, e pelas próximas pesquisas eleitorais, no que possam refletir de reação dos eleitores ao assassinato.

 

Lula e a direção de sua campanha têm-se conduzido com sobriedade e serenidade. Nos primeiros momentos após o crime, quando ainda não se sabia que o assassino sobrevivera, Lula estendeu à família deste a mesma solidariedade que prestava à da vítima – uma conduta civilizada e de civilidade que a insensibilidade dos Bolsonaro não conhece. O Bolsonaro patriarca, por sinal, teve como reação depois do crime dizer que não tem nada com isso.

 

Horas antes de a delegada dar por encerrado o inquérito do assassinato de Foz do Iguaçu, as polícias militar e civil do oeste do Paraná foram postas diante de nova tragédia nas cidades de Toledo e Céu Azul, perto de Foz – a do PM Fabiano Junior Garcia, que se suicidou depois de matar oito pessoas, seis da própria família. 

 

Oito pessoas, além do próprio autor das mortes, pode ser um número sem precedentes no Brasil e não deixa de espelhar as matanças por atacado que têm acontecido em outros países, sobretudo os Estados Unidos, mas por motivos em geral de ordem racial ou religiosa. O PM deixou em seu celular uma gravação explicando que matou (e depois se mataria) por não suportar a hipótese de perder a mulher, Kassiele. 

 

Segundo ele próprio na gravação, ela pretenderia separar-se por não conseguir suportar o casamento e “o jeito dele”. Esse confessado jeito dele devia ser um jeito bem machão e de um jeito bem machão o PM não se limitou a matar a mulher, matou também os três filhos, a mãe, o irmão e dois jovens transeuntes que deram o azar de estar no lugar errado na hora errada e cruzaram com ele.

 

Tanto o assassinato de Marcelo Arruda por ser apoiador de Lula quanto os crimes do PM tiveram um denominador comum, a posse e o porte de arma de fogo em razão do  trabalho do assassino e do suicida. A posse, é preciso pensar, carrega com ela a possibilidade de usar e em certos casos a tentação e a compulsão respectivas. 

 

No caso do Brasil, vai fazer quatro anos que o governo Bolsonaro facilita e estimula de todas as formas a compra de armas e o treinamento para usá-las. Uma informação que ainda não chegou à mídia, nem mesmo a de esquerda: à medida que se multiplicam os centros de treinamento e o número de seus alunos, uma nova e bem paga profissão está atraindo muitas pessoas insatisfeitas com sua atividade original, até profissionais liberais: a de instrutor de tiro.  

 

E outra que chegou e era manchete do UOL no sábado: o Brasil abriu quase um clube de tiro por dia no governo Bolsonaro – sendo que 348 apenas em 2021. 

 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 




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