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Aridez e desprezo aos que traem a Pátria e a humanidade

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Dante Alighieri, na magistral “A Divina Comédia”, reserva o nono círculo, o mais profundo, do inferno aos traidores: àqueles que traíram seus irmãos, seus benfeitores e sua Pátria.

“Ó, mais que todas, plebe mal gerada,

que aqui estás, antes fosses, pra este duro

termo, de ovelhas e cabras formada!”

(Canto XXXII, 13, na tradução de Italo Eugenio Mauro).

 

Paulo Schilling (1925 –2012), gaúcho, escritor e jornalista brasileiro, ao longo de mais de dois anos (abril de 1964 a junho de 1966) escreveu o que foi, anos depois, editado com o título “Como se coloca a direita no poder” (Editora Global, SP, 1981, 2 volumes).

 

Schilling inicia sua narrativa com o momento mais marcante de nossa história: os governos Vargas (1930-1945 e 1951-1954). “É difícil classificar de burguesa uma revolução organizada em dois Estados (em três, se incluirmos a Paraíba), donde os latifundiários constituíam o grosso da oligarquia, dirigida contra outra unidade federativa – São Paulo – na qual surgia com maior pujança a burguesia industrial”. E, mais adiante, conclui “como a formação e a evolução das classes sociais é distinta de país para país, de época para época, qualquer classificação das mesmas segundo um modelo preestabelecido resulta falsa”.

 

Paulo Schilling refletia especialmente sobre as interpretações marxistas, quase sempre oriundas de intelectuais do porte do escritor e desembargador, constitucionalista Osny Duarte Pereira (1912-2000). O que diremos, então, das críticas de um blogueiro, autodidata, o astrólogo jornalista Olavo Luiz Pimentel de Carvalho (1947) a respeito da política brasileira?

 

Doutora pela Universidade de São Paulo (USP) – organização de ensino e pesquisa que, entre outros feitos, se notabilizou pelo desejo, nada mais do que isso, fracassado de impor uma revisão da história do Brasil, atuando nas áreas da economia, da sociologia, do direito e da própria história, com objetivo de impor um pensamento dominante, colonizador para o restante do Brasil – Camila Rocha, em “Menos Marx, Mais Mises”, escreve reportagem de quase 200 páginas, sobre personagens, de variáveis participações e influências, que procuraram criar uma organização representativa do neoliberalismo no Brasil.

 

Como preliminar, gostaria de registrar que não sou marxista nem neoliberal, não sou, jamais fui, filiado a qualquer partido político. Meu único interesse sempre foi o Brasil, e me credencio à classificação de nacionalista. Também considero o trabalho uma necessidade humana e uma exigência social, donde poderia me incluir entre os nacionais trabalhistas, mais próximo das ações e programas de Getúlio Vargas do que os atuais dos filiados ao Partido Democrático Trabalhista.

 

A primeira ausência na reportagem de Camila Rocha é exatamente o Brasil. Como se direita e esquerda fossem identificações precisas e coerentes com a ocupação territorial e a cultura brasileira. Foi uma notável construção e devemos antes de tudo lutar pela manutenção territorial do Brasil. Sempre ameaçada.

 

Os mais de oito milhões e meio de quilômetros quadrados são desproporcionalmente ocupados: mais da metade da população (56%) se concentra nas regiões sul e sudeste, cujos territórios ocupam 18% do Brasil. Quase a mesma percentagem territorial do nordeste, que tem pouco mais de um quarto da população (27%). Ficando a imensidão do norte e centro-oeste (63% do País) com 17% dos habitantes. Só isso já deveria constituir preocupação para qualquer dirigente brasileiro, como Getúlio Vargas, que incentivou a “marcha para o oeste”, e Juscelino Kubitschek (JK), construtor de Brasília.

 

Longe, muito longe dos adoradores do “mercado”, que, sem pudor, aceitam importar ideias em nada construtoras para o Estado Nacional Brasileiro. Muito ao contrário, entregam à corrupção que só favorece os mais ricos, a decisão sobre o Brasil. Imaginar que o mercado é um ambiente honesto e justo, onde vence o melhor, é garantir o Prêmio da Melhor Cartinha a Papai Noel deste Natal.

 

Quando este idealizado mercado ditou as normas? Exatamente quando as finanças ditaram a política? No século XIX.

 

Realmente, nos textos e debates que assisti, com esta “nova” direita, sempre me vinha à mente o colonialismo inglês: assassino de etnias, eliminando idiomas, impondo até nas áreas tropicais e equatoriais as vestimentas de seus ambientes frio a temperado. Um imperialismo colonizador que atingia com profundidade as culturas nacionais, como se comprova pelos países que têm no inglês seu idioma oficial.

 

Se tomarmos a música, expressão artística das mais arraigadas na população brasileira, veremos que os menos habitados centro-oeste e o nordeste tomam as rádios e os shows em quase todo Brasil (exceto no Rio Grande do Sul e espaços da Amazônia, onde se desenvolveu uma cultura muito localizada). As manifestações pela morte da cantora e compositora goiana Marília Dias Mendonça (1995 – 5 de novembro de 2021) mostraram a força de uma cultura criada no Brasil, a sofrência, gerando inclusive este neologismo.

 

Curioso que a contradição evidente desta direita, descrita por Camila Rocha, em relação aos militares, não seja analisada. Ao tempo que pedem a “volta da ditadura militar”, sofrem a falta de “um Castelo Branco”, a “comunidade Olavo de Carvalho” manifesta “vontade de ressuscitar os cadáveres desses generais e sacudir-lhes as ossadas pra perguntar furiosamente: vocês tem noção da merda que nos legaram, suas antas sequeladas?”

 

Arrisco uma interpretação. O financismo não é apenas um mal econômico. Esta ideologia de mercado, o neoliberalismo financeiro, é extraordinariamente prejudicial ao pensamento. Diria que é um instrumento para promoção da ignorância, o que está na linha do colonialismo inglês do século XIX, que teima em sobreviver.

 

Duas vertentes se conjugam neste sentido. O definhamento da escola pública, asfixiada pelos orçamentos e tetos de gastos, e a promoção das igrejas neopentecostais, que exigem muita submissão, repetição e nenhuma reflexão. Os escândalos, sempre abafados, das relações de pastores e bispos com seus fieis, as lavagens de dinheiro do tráfico em áreas carentes, as parcerias “evangélicas” com as milícias, convergem para a ignorância e para o medo, a intimidação.

 

Também se busca um descolamento da classe média, mais favorecida, que está relacionada nos 33 entrevistados de Camila Rocha, com o presidente Bolsonaro, que o economista liberal Ricardo Bergamini denomina “líder sindical da CUT da Segurança”. Tudo se afasta da identidade própria, brasileira, que se revelaria na reconstrução ou fortalecimento do Estado Nacional.

 

Nem se trata de algo novo ou específico. Jean-Paul Sartre (O Colonialismo é um sistema) explicita o vínculo entre a alienação e a situação colonial. O que esperavam dos militares? A traição que as finanças adotam como procedimento habitual, urbe et orbi? Realmente se encontram no bolsonarismo os militares de mercado, que, por óbvio, não defendem o “suprimível Estado Nacional”. E se contrapõe, não aos comunistas Médici e Geisel, mas ao juramento dos que não o rasuraram, que mantiveram o ideal que os levou à farda.

 

O novo, na realidade, é o colonial do século XIX. E a falta de argumentos que convençam dos benefícios inexistentes, da liberdade que é a escravidão do trabalho uberizado, da competitividade dos monopólios privados, obriga ao dogmatismo do anti. Ao combate a fantasmas como a hegemonia cultural esquerdista, indescritível pois fantasiosa no país onde a maioria é religiosa, seja por fé ou por superstição, ou a prioridade do indivíduo, como se existisse a vida isolada, fora da sociedade.

 

Para concluir, por muito tempo trabalhei em diversos países africanos. Estudei suas realidades e culturas para desenvolver corretamente meu trabalho. E, surpresa, os denominados reis pelos europeus era apenas a falta de expressão vernácula daqueles colonizadores para o escolhido que falava em nome da tribo, da aldeia, da comunidade. Nem mesmo uma hierarquia existia na grande maioria das populações subsaarianas. Tal qual entre nossos índios, brasileiros, nas descrições do antropólogo Darcy Ribeiro. Nas famílias todos gozavam das mesmas prerrogativas, mesma autoridade, apenas separados pelo sexo para o trabalho, este realizado em proveito de todos.

 

Menos ideologias e mais nacionalidade.

 

(*) Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado.

Publicado, originalmente, no site Gama Livre

 

 




 

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