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Após distribuir R$ 31,6 bi de dividendos a acionistas privados, Bolsonaro quer privatizar a Petrobrás

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O presidente da República, Jair Bolsonaro (ex-PSL), volta a usar a desculpa da alta de preços para tentar entregar a Petrobrás a estrangeiros, à iniciativa privada e ao mercado de capitais

 

“Bolsonaro diz que Petrobras só causa dor de cabeça e quer privatizar. Fizeram a empresa distribuir R$ 31,6 bilhões em dividendos a acionistas privados, resultado dos altos preços dos combustíveis pagos pelo povo. Agora querem entregar a estatal inteira. Covardes e criminosos”, denuncia a deputada federal e presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann ((PR).

 

A deputada fez a denúncia em suas redes sociais após Bolsonaro afirmar, nesta quarta-feira (27), mais uma vez, que a Petrobrás “só dá dor de cabeça” e que a estatal – maior empresa nacional e uma das maiores e mais bem-sucedidas do mundo em exploração, refino e distribuição de petróleo – está prestando serviços a acionista e ninguém mais”.

 

 

Nem Bolsonaro nem a mídia liberal, que deu palanque a esse espetáculo de demolição do Brasil, explicaram que o problema é a política de preços que o governo bolsonarista neoliberal adotou na empresa e na economia do País. Em entrevista recente sobre o tema, Felipe Coutinho, ex-presidente da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (Aepet), demonstrou os motivos pelos quais os preços estão elevados. Ele afirma que é muito fácil resolver o problema sem entregar a maior estatal brasileira e uma das maiores do mundo ao mercado de capitais e acionistas privados estrangeiros, ávidos pelos lucros da empresa.

 

Coutinho explica, na entrevista comemorativa dos 60 anos da Aepet, que a atual política de preços não é só prejudicial para o consumidor brasileiro, mas até e também para os investidores minoritários, uma vez que a Petrobrás está perdendo mercado para importadores e, consequentemente, está diminuindo sua geração de caixa.

 

Ele vê com preocupação a venda de oito refinarias da estatal e traz dados que apontam que o parque de refino brasileiro é capaz de atender à demanda nacional por derivados. Por fim, ele sustenta que o único beneficiado com a atual política de preço da Petrobrás são os importadores.

 

“O Brasil tem capacidade de refino instalada para abastecer o mercado de diesel e gasolina do país. No entanto, como a direção da Petrobrás passou a arbitrar preços relativamente altos, com paridade de importação, isso acabou viabilizando o negócio dos importadores”.

 

Em recente artigo publicado no seu blog, Coutinho apontou “Cinco falácias do sr. Silva e Luna, atual presidente da Petrobrás, na Câmara dos Deputados” em que explica os custos da produção e preços dos combustíveis.

 

Na semana passada, em reunião com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (que saiu do DEM recentemente e foi para o PSD-MG), governadores propuseram uma medida praticada até 2016 que impedia a disparada dos preços.

 

Mais uma vez a política econômica neoliberal de Jair Bolsonaro coloca o Brasil no fundo do poço e, com as privatizações ferozes em curso, o País não terá nenhuma condição no futuro de resolver os problemas da carestia e do seu próprio desenvolvimento.

 

Jair Bolsonaro é acusado em mais de 120 pedidos de impeachment de todo tipo de crime, incluindo aí, crimes contra a economia e a soberania nacional. A CPI da Covid acrescentou pelo menos mais nove delitos, como prevaricação e contra a humanidade.

 

No entanto, nenhum pedido de impeachment é colocado em votação por Arthur Lira (PP-AL), presidente da Câmara dos Deputados. O governista é acusado, segundo o Jornal Nacional da Rede Globo, de cometimento de vários crimes, inclusive o de desvio milionário de dinheiro entre 2001 e 2007.

 

 

O parlamentar, que fez discurso contra os resultados e as deliberações da CPI da Covid, é apontado pelo Estadão por envolvimento no crime da “rachadinha”. Em reportagem intitulada “Arthur Lira, nome do Planalto à presidência da Câmara, liderou ‘rachadinha’ em Alagoas”, o jornal informa que a acusão é da Procuradoria-Geral da República.

 

 

Rachadinha é um esquema de apropriação de parte dos salários de servidores. A TV Globo também teve acesso à denúncia da Procuradoria-Geral da República, à época comandada por Raquel Dodge.

“De acordo com a Procuradoria, a fraude se dava a partir da apropriação de parte dos salários de funcionários e também da inclusão de falsos funcionários na folha de pagamento. Eles repassavam o dinheiro destinado ao pagamento de salários aos deputados ou a pessoas indicadas pelos parlamentares. Segundo a denúncia, de 2001 a 2007, Arthur Lira movimentou em sua conta mais de R$ 9,5 milhões”, diz o Jornal Nacional.

 

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