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Apoiador de Bolsonaro deu ao menos 17 facadas e um golpe de machado em defensor de Lula, diz delegado

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O apoiador do presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), matou, com pelo menos 17 golpes de faca e um golpe de machado no pescoço, o defensor de Lula, disse o delegado. O crime aconteceu na quarta-feira (7), Dia da Independência

 

 

 

O trabalhador rural Rafael Silva de Oliveira, de 22 anos, matou o colega de trabalho, Benedito Cardoso dos Santos, de 42 anos, por motivos políticos e está preso preventivamente. Não houve ingestão de bebida alcoólica antes da discussão, segundo a Polícia Civil. O crime aconteceu em uma chácara em Agrovila, zona rural de Confresa, cidade a 1.160 km da capital Cuiabá, Mato Grosso.

 

 

Segundo o delegado responsável pelo caso, Victor Oliveira, os dois homens trabalhavam juntos no corte de lenha em uma propriedade e, na noite de 7 de setembro, começaram a discutir sobre política. O delegado disse que Rafael tentou decapitar a vítima. A prisão do criminoso confesso foi em flagrante e convertida em preventiva por decisão judicial. Ele responderá por homicídio duplamente qualificado — por motivo torpe e cruel.

 

 

Uma matéria do Estadão sobre o caso informa que o juiz Carlos Eduardo Pinho Bezerra de Menezes, da 3ª Vara de Porto Alegre do Norte, escreveu, na decisão em que acolheu o pedido da Polícia Civil sobre a detenção, que a “Intolerância não deve e não será admitida”.

 

 

Segundo o jornal, o delegado Igor Rafael Ferreira de Oliveira, da Delegacia de Polícia Civil de Confresa, afirmou, por telefone, que o crime foi causado por um “debate político”. “A motivação do crime foi um debate político que envolvia os dois candidatos (Bolsonaro e Lula)”, disse. “Não posso afirmar se foi intolerância política porque o que disponho até agora foi baseado na narrativa do criminoso. Só as investigações podem confirmar”, destacou.

 

 

Ainda segundo apuração do jornal, o delegado teria dito que Benedito trabalhava numa fazenda que fornecia lenha para a cerâmica em que Rafael era empregado. Ele estava na propriedade havia cerca de duas semanas cortando lenha para a empresa. Após horas de discussões, Benedito teria acertado um soco no queixo de Rafael por causa de suas opiniões políticas.

 

 

O jornal informou que, de acordo com o delegado, Rafael puxou uma faca e atingiu Benedito nas costas, nos olhos, na testa e no pescoço. “A primeira facada foi nas costas. A vítima caiu. Nesse momento, Rafael desferiu 15 facadas no rosto. Não satisfeito, ele tentou decapitar a vítima com um machado”, afirmou Oliveira. Rafael foi preso após procurar atendimento médico nos arredores do local do crime. Ele estava com um corte na mão. A equipe do hospital acionou a polícia. O suspeito, então, confessou ter matado Benedito.

 

 

 

No Twitter e em outras redes digitais, a presidenta nacional do PT e deputada federal pelo Paraná, Gleisi Hoffmann, observou que “a 1 dia de completar 2 meses do assassinato do Marcelo Arruda, do PT, por um bolsonarista, outro bolsonarista assassinou com facadas um apoiador do Lula, no MT. O comando de violência que dá Bolsonaro para extirpar Lula e os petistas leva a isso. O assassino é você, Bolsonaro!”, publicou Gleisi.

 

ex-presidente Lula também se manifestou sobre o caso via redes sociais: “É com muita tristeza que soube da notícia do assassinato de Benedito Cardoso dos Santos, na Zona Rural de Confresa. A intolerância tirou mais uma vida. O Brasil não merece o ódio que se instaurou nesse país. Meus sentimentos à família e amigos de Benedito”, postou.

 

 

 

https://twitter.com/LulaOficial/status/1568299232901070849?ref_src=twsrc%5Etfw%7Ctwcamp%5Etweetembed%7Ctwterm%5E1568299232901070849%7Ctwgr%5Ed6ec64f7b5220af0702c519e907ecf84a29ef5bc%7Ctwcon%5Es1_&ref_url=https%3A%2F%2Fd-711462485690441257.ampproject.net%2F2208242209000%2Fframe.html

Entenda o caso

 

O crime aconteceu em uma chácara em Agrovila, zona rural de Confresa, cidade a 1.160 km da capital Cuiabá. — Foto: Policia Civil
O crime aconteceu em uma chácara em Agrovila, zona rural de Confresa, cidade a 1.160 km da capital Cuiabá. — Foto: Policia Civil

 

 

Segundo apuração da Revista Fórum, na amanhã desta sexta-feira (9), surgiu, na mídia, a notícia de mais um crime motivado por ódio político. No dia 7 de setembro, Rafael Silva de Oliveira, defensor de Jair Bolsonaro (PL), assassinou Benedito Cardoso dos Santos, eleitor de Lula, a facadas e a machadada.

 

 

Em entrevista à Fórum, o delegado Victor Oliveira, da Delegacia Municipal de Confresa e responsável pelo caso, revelou mais detalhes do crime a partir do depoimento do autor. “Tudo começou na manhã do dia 8 de setembro, por volta das 6 horas, quando o autor do crime compareceu ao hospital para receber atendimento médico. A Polícia Militar já estava no hospital e tinha conhecimento de que tinha uma vítima de homicídio na Zona Rural. Então, a PM ligou os fatos e apresentou a suspeita pra gente aqui na Polícia Civil”, contou Oliveira.

 

 

Com o alerta em mãos, o delegado relatou que eles foram até a chácara onde ocorreu o assassinato. “Nós, com equipe de investigador bastante experiente nesses crimes de homicídios, deslocamos até o local do fato, onde estava o corpo da vítima e lá nós logramos êxito em encontrar as armas do crime: um machado e uma faca. Também encontramos outros elementos que apontavam para o suspeito como sendo o autor do crime”, revelou.

 

 

Primeiramente, Rafael negou a autoria do crime e declarou que o seu colega de trabalho, Benedito, havia sido assassinado por homens que tinham invadido a chácara. Em relação às marcas em seu corpo, o assassino afirmou que os invasores também tinham tentado matá-lo. Porém, com as evidências descobertas pela polícia, o bolsonarista assumiu a autoria do crime.

 

 

“Ele viu que não adiantava mais negar e resolveu confessar os fatos. Segundo ele, tudo começou na noite do 7 de setembro, quando eles estavam juntos e sozinhos nessa chácara e estavam falando sobre política. Quando a vítima estava defendendo o candidato Lula e o suspeito, autor do crime, defendendo o candidato Bolsonaro. A partir de um momento, a vítima desferiu um soco na cara do autor, que revidou com outro soco. Após isso, a vítima pegou uma faca que estava sobre a mesa e o autor foi pra cima para tomar a faca. O autor conseguiu tomar a faca e a vítima saiu correndo e o autor saiu correndo atrás dela”, destacou o delegado.

 

 

Ao alcançar Benedito, o autor do crime desferiu vários golpes com a faca que tinha em mãos. Segundo o delegado, durante o depoimento, Rafael deu detalhes do crime.

 

 

“O autor acertou um golpe de faca nas costas da vítima, que caiu no chão, o autor foi para cima e desferiu outro golpe no olho da vítima, depois outro golpe no pescoço e depois vários golpes na testa da vítima. Aí ele saiu de cima da vítima, que ainda estava com vida. A vítima xingou o autor do crime de ‘filha da put**’. O autor ficou com mais raiva ainda e foi até o barraco, pegou o machado, que era a ferramenta de trabalho dele, e retornou até a vítima, que ainda estava com vida, e deu o golpe fatal no pescoço. Após isso a vítima veio a óbito”, relatou.

 

 

Posterior, o assassino confesso “escondeu as armas do crime, se dirigiu a pé para a cidade de Confresa e foi localizado no hospital. Ele foi autuado em flagrante pelo crime de homicídio qualificado pelo motivo fútil e também qualificado pelo meio cruel. Segundo o próprio autor, foram aproximadamente 17 facadas que ele deu na vítima”, explicou o delegado.

 

 

Rafael foi encaminhado para o sistema carcerário. “O autor foi apresentado ao Poder Judiciário, passou pela audiência de custódia e o juiz converteu a prisão em flagrante em prisão preventiva. Ou seja, ele vai continuar preso nos próximos dias e nós, da Polícia Civil, vamos continuar a investigação. Vamos juntar os laudos periciais, vamos ouvir mais testemunhas e depois remeter o inquérito policial para as demais providências do Poder Judiciário”.

 

 

À Fórum, o delegado Victor Oliveira também afirmou que essa é a primeira vez que a cidade de Confresa registra um crime motivado por ódio político. Também revelou que, antes do assassinato, não houve consumo de álcool e que os homens estavam apenas fumando um cigarro antes dos fatos.

 

 

Com as informações do Estadão, G1 e Revista Fórum

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