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Apesar da segunda onda de Covid-19 no DF, alguns deputados distritais insistem na volta às aulas presenciais

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Nem sequer diminuíram as mortes por Covid-19 da primeira onda da pandemia do novo coronavírus e o Brasil já começa a dropar a segunda onda que chega ainda mais violenta. A diferença é que, desta vez, o Distrito Federal faz parte dos estados com maior índice de contaminação e mortes, ficando atrás somente do Rio de Janeiro, Amazonas e Espírito Santo.

 

Um levantamento realizado por várias universidades brasileiras e divulgado no início da semana mostra que 23% da população do DF já foi infectada e que a capital está longe da imunidade de rebanho. Com 3,8 mil mortes por Covid-19, registradas até segunda-feira (23/11), o DF tem uma taxa de 1.282 vítimas para cada um milhão de habitantes. Segundo o estudo das universidades, que analisou dados das Secretarias de Saúde dos estados e DF, o DF registra a maior taxa do País.

 

A publicação das universidades dá conta de que a curva de infecção da Covid-19 pode crescer na capital do País. Assim como a primeira, a segunda onda poderia ter sido evitada. Mas os números mostram o descaso da população e, sobretudo, dos governos com o isolamento social. Os gráficos da evolução da pandemia no DF mostram um crescimento da taxa de reprodução do novo coronavírus nas últimas três semanas.

 

A nota afirma que a situação no Brasil se deteriorou, fortemente, nas últimas duas semanas, e ­­o início de uma segunda onda de crescimento de casos já é evidente em quase todos os estados, de forma particularmente preocupante nas regiões mais populosas do País. O DF, segundo a nota, está entre essas regiões e no alerta vermelho.

 

O estudo é assinado por pesquisadores da Universidade de Brasília (UnB), Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA), Universidade Federal de São João del Rei (UFSJ), e Universidade do Estado da Bahia (Uneb) revela que o Distrito Federal tem a maior taxa de mortes por milhão de habitantes do País e que a segunda onda de casos já é uma realidade na capital do País.

 

“No início do ano, ainda com taxas bem inferiores, o Governo do Distrito Federal (GDF) decretou o isolamento social. Agora que a segunda onda chega muito mais agressiva, o governador Ibaneis está parado. Enquanto isso, na Câmara Legislativa do Distrito Federal, há distritais defendendo a volta às aulas, como ocorreu na sessão dessa quarta-feira (26/11), quando a deputada Júlia Lucy, do NOVO, voltou a insistir na reabertura das escolas públicas”, critica a diretoria colegiada do Sinpro-DF.

 

A Secretaria de Estado de Saúde (SES-DF) informou que, em 2 de novembro, 100 pacientes transmitiam o vírus para 78 pessoas; na segunda-feira, o número passou para 99. Os gráficos mostram que o DF já está na segunda onda da pandemia, prevista para chegar no fim de dezembro de 2020. O estudo mostrou que o DF está na zona crítica.

 

Situado na zona laranja e em situação crítica, o DF está com a média de 122 casos por 100 mil habitantes. Os estados com valores de 0 a 25 casos por 100 mil habitantes estão na zona verde. A SES-DF, por sua vez, informou à imprensa local que fará um inquérito para avaliar o índice de transmissibilidade e a circulação da Covid-19 no DF.

 

Informou que vai aplicar 10 mil testes. Em cada Região Administrativa serão sorteados 234 moradores para participar da testagem, assim, será possível saber se a pessoa tem os anticorpos do vírus ou se está infectada. Com isso, o governo pretende identificar se a segunda onda já está instalada para adotar novas medidas de prevenção e combate à pandemia.

 

“O quadro exposto só reforça que o nosso posicionamento de que não é o momento de retorno às aulas está correto. Se isso tivesse acontecido, conforme tem insistido o Ministério Público e alguns deputados distritais, que não param de usar sua condição de “autoridade” para tentar impor a volta às aulas na rede pública de ensino, certamente esse quadro seria muito pior”, avalia Rosilene Corrêa, diretora do Sinpro-DF.

 

O consórcio de imprensa que contabiliza as mortes por Covid-19 e contaminação dá conta de que, nesta quinta-feira (26/11), apenas quatro das 27 Secretarias Estaduais de Saúde atualizaram os dados. Mesmo com os números extremamente subnotificados, o País chega a esta quinta-feira com 170.832 óbitos e 6.170.827 diagnósticos pela Covid-19.

 

No DF, queda no isolamento social aumenta a transmissão 

 

Dados do Centro de Controle de Epidemias do Imperial College, de Londres, divulgados na terça-feira (24), corroboram o estudo das universidades e também indicam que a taxa de transmissão (RT) do novo coronavírus voltou a subir no País e já é a maior desde maio. Nesta semana, a taxa passou a ser de 1,30 contra 1,10 no último balanço divulgado no dia 16/11. Esse é o maior número desde a semana de 24 de maio, quando índice atingiu 1,31.

 

De acordo com a nota dos pesquisadores das universidades brasileiras, “tal situação decorre, como vem sendo observado em muitos outros países, de uma sistemática queda dos níveis de isolamento social, mas também da ausência de campanhas de esclarecimento e falsa sensação de segurança disseminada na população”.

 

No DF, um levantamento da empresa de softwares InLoco mostra que o índice do distanciamento na capital está em 40%, valor semelhante ao do dia 1º de março, quando o DF tinha apenas suspeitas da doença e nenhuma confirmação.

 

A situação é também resultado da falta de testagem, de campanhas de esclarecimento e falta de isolamento social transformou o DF, diz o documento das universidades. O DF é a cidade com a quarta maior porcentagem, proporcionalmente, de população infectada no País. Fica atrás apenas do Rio de Janeiro, com 29% da população infectada; do Amazonas, com 28%; e do Espírito Santo, com 27%.

 

O levantamento dos pesquisadores indica que todos os estados estão muito distantes da real imunidade de rebanho, obtida quando a taxa de infecção da população está entre 60% e 70%. O estudo avaliou o número de novos casos da última semana, por 100 mil habitantes e mapeia o País por áreas de risco.

 

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