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Apagão no Amapá: é preciso sair das trevas e do caos administrativo

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Há poucos dias das eleições municipais, o Amapá teve um apagão elétrico já mais visto em sua história, que culminou com o adiamento das eleições em Macapá. Curiosamente, os candidatos que lideravam as pesquisas eram os mesmos que sempre comandaram o estado. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sabe disso. O governador Waldez Góes, também. Assim como o prefeito de Macapá, Clécio Luiz, e toda a bancada federal do Amapá, especialmente os aliados de Bolsonaro. Todos sabem disso. No entanto, agora jogam a responsabilidade um para o outro.

 

Todo processo de privatização passa pelo congresso Nacional, em particular pelo senado Federal. Por isso, o senador Davi conhecia todos esses problemas. Ele sabe que esse problema tem nome e sobrenome e se chama ISOLUX, empresa espanhola.

 

A Eletronorte e a Eletrobras vêm sofrendo desmontes e ataques privatistas de todas as formas. A CEA, a Eletronorte e a Eletrobras são empresas que não têm nenhuma responsabilidade por esse apagão, toda responsabilidade é da ISOLUX, porque a subestação e as linhas de transmissão são dela.

 

O pior é que o sistema de geração do paredão e da usina termogas está conectado no barramento da subestação da ISOLUX, ou seja, a energia gerada por esse sistema está privatizada e não passa no sistema anterior, e toda a classe política no estado sabe disso. No entanto, não falam nada para a população. Isso é uma irresponsabilidade imensa junto ao povo amapaense.

 

Tudo que se possa imaginar sobre energia elétrica é previsível. A engenharia elétrica é uma das engenharias que se pode prever quase tudo. É por meio dela que se sabe o tempo de vida útil de cada componente, isoladores, chaves, para-raios, como se faz aterramento, o óleo elétrico entre outros. Então não cabe o discurso de que foi um acidente não previsível. Na verdade, foi falta de manutenção do sistema. Mas buscam agora jogar a responsabilidade disse para o poder público resolver, ou seja, a população.

 

Pessoas precisam ser responsabilizadas por essa enorme irresponsabilidade. A população amapaense não pode viver nas trevas. Não queremos viver em enormes filas para tudo. Queremos sair desse caos administrativo.

 

Errolflynn Paixão é presidente da CUT Amapá
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