Eles encontraram a solução para nós: rir das desgraças e fazer graça. Única forma de suportar ver a realidade.

 

Tenho uma amiga psicologa que tem tratado esse fenômeno de negação da realidade. Ela (a realidade) é tão dura que mesmo as pessoas afetadas, que estão perdendo a condição de comprar comida, pagar escola, plano de saúde, que perderam seres amados na pandemia, por uma questão de auto preservação, preferem acreditar na narrativa de que está tudo melhorando para suportar. Ver a realidade é duro demais, dói muito. É melhor sobreviver comendo ovo na rua e pensar que tudo tá melhorando porque alguém tá dizendo… Para muitos, acreditar nisso é questão de sobrevivência para não enlouquecer. Outros, por uma questão de culpa ou orgulho, porque contribuiram para isso que está acontecendo, negam a realidade porque doeria muito reconhecer. A gente entende esses fenômenos de negação. O problema é que a negação impede a reflexão e a mudança para melhor.

 

Vejo que o ser humano está correndo o risco de extinguir a vida na Terra. O aumento da temperatura e a continuidade do uso dos derivados de petroleo por interesses financeiros, a destruição da natureza estão causando todo esse desequilíbrio que origina as pandemias. Se essa pandemia fosse de ebola, 50% da humanidade morreria. Isso é algo que está há um passo de acontecer se o negacionismo científico continuar.

 

Os adultos (nós) que têm responsabilidade precisam conversar a respeito.

 

E não adianta conversarmos apenas com quem pensa como nós.

 

Precisamos, URGENTENENTE, conversar com quem pensa diferente sem ódio, sem mágoa.

 

Precisamos ouvir quem pensa diferente. Quero ouvir quem vive de aplicação na bolsa, quem está conseguindo lucrar, os donos de hospitais, os donos de faculdades e escolas particulares, os fazendeiros, os vendedores de madeira, os vendedores de ouro, de minério, de carne.

 

Quero conversar com essas pessoas.

 

Ver se não há um jeito de combinarmos deles terem lucros com turismo ecologico, com produção de energia da biomassa (alcool e biodiesel) comprando a produção de pequenos produtores, assentando gente nas terras desse imenso Brasil, combinando com todos os pequenos donos de propriedades rurais para terem um pedacinho de floresta, um pedacinho de produção diversificada de alimentos e de vegetais que possam ser transformados em energia como o óleo de mamona e o alcool.

 

Quero conversar e mostrar que o mundo pode ser melhor para todos.

 

Podemos fazer uma reforma agrária em que os grandes donos de terras, o pessoal do agronegócio, divida suas terras com centenas e milhares de famílias que hoje estão na miséria e os ensine a produzir. Esses latifunduários continuariam lucrando tanto ou mais com a venda resultante desses produtos. As famílias terão onde trabalhar, o que comer, onde morar e os ex-latifundiários seu lucro com a revenda desses produtos. Eles não perderiam, eles administrariam toda a logística da distribuição, venda aos mercados e exportação desses produtos.
Uma mudança onde todos ganhariam.

 

Os vendedores e exploradores de ouro e minérios trocariam sua atividade para a produção de madeira, replantariam todas as áreas devastadas com madeiras diversificadas e montariam industrias para exportar, não a madeira crua, mas o produto semiacabado, com mais valia para a produção de casas, móveis, utensílios domésticos. Tudo com madeiras diversificadas que só nascem no Brasil. Isso é OURO PURO. E é reciclado, infinito, permanente. É só planejar, pode ser produzido de forma inteligente nas florestas. Tirando algumas árvores e replantando outras no lugar sem nunca deixar áreas imensas devastadas.

 

E a indústria de medicamentos? Porque não trabalhar com os índios, usando toda a sua sabedoria. Proteger todas as áreas indígenas e até aumentá-las fazendo parceria com os índios para produzirmos ao lado dessas áreas centros científicos para o desenvolvimento de cósméticos, tintas naturais, produtos biodegradáveis, não poluentes, medicamentos naturais, exportar isso para todo o mundo garantindo a manutenção desses saberes, dessa biodiversidade que está se perdendo.

 

60% da biodiversidade planetária já foi extinta. Nós, com toda nossa ciência, não conseguiríamos em séculos fazer o que a natureza levou bilhões de anos para fazer e que, nós, humanos, quando começamos a existir na superfície desse planeta, já encontramos pronto.

 

Podemos usar toda nossa inteligência para termos coletivamente um planeta saudável e feliz.

 

Mas a ganância, a mentira, não podem ser os valores preponderantes nesse outro tipo de planeta.

 

É preciso uma opção consciente da humanidade por esse outro modelo ético do pensamento voltado para o todo e não para o modelo que predomina hoje: “se o meu estiver garantido os outros que se danem”.

 

Esse modelo é suicida. Não existe melhoria só para um. Ou pensamos em todos ou nos destruímos. Simples assim.

 

 

 

(*) Alyne de Oliveira Bautista (sem partido político), é  auditora fiscal e pensadora holista, formada em arquitetura e urbanismo, com especialização em planejamento e direito tributário, filha do criador do pró-alcool e intelectual das grandes questões energéticas e humanas J. W. Bautista Vidal.