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“América Latina respira novos ares”: analistas veem nova etapa do progressismo

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Protestos massivos e vitória da esquerda em processos eleitorais sugerem novo período de mudanças na região

 

 

Na Colômbia, a população permanece há dois meses nas ruas, conquistando a suspensão da reforma tributária e da reforma da saúde, propostas pelo presidente Iván Duque – Raúl Arboleda/AFP

 

 

Apesar da pandemia de covid-19, a América Latina permanece em efervescência. Tanto 2020 como 2021 foram anos marcados por uma série de protestos e eleições que podem sugerir uma mudança na correlação de forças na região.

 

 

Começando pelo processo constituinte no Chile, fruto de manifestações que começaram ainda em outubro de 2019 e garantiram, em 2020, um plebiscito popular e a eleição de uma Convenção Constitucional, em abril deste ano, com maioria de constituintes mulheres e independentes.

 

 

“Se respiram novos ares na América Latina, fruto da luta dos povos em cada país. O principal inimigo é o sistema neoliberal, no qual vivemos, que nos oprime dia-a-dia, que não nos deixa avançar, que não deixa que nosso povo acesse tudo que necessita”, afirma Rita Farfán da Federação Democrática Internacional de Mulheres (Fedim).

 

Também em 2020, o povo boliviano assegurou a volta do Movimento Ao Socialismo (MAS-IPSP), elegendo Luis Arce e David Choquehuanca, um ano depois do golpe de Estado contra Evo Morales e Alvaro Garcia-Linera.

 

 

Na Argentina, embora o peronismo tenha assumido novamente o poder com Alberto Fernández e Cristina Fernández de Kirchner, as mulheres não saíram das ruas, garantindo a provação da lei de legalização do aborto com uma maré verde que tomou conta das principais cidades do país.

 

 

O ano de 2021 começou com os paraguaios marcando a pauta e condenando a gestão de Mário Abdo Benitez durante a pandemia da covid-19. As manifestações não conquistaram o impeachment do representante do Partido Colorado, mas foram suficientes para denunciar a corrupção no Executivo.

 

 

Depois do Paraguai, foi a vez da Colômbia, que vive a maior paralisação nacional da sua história. A população permanece há dois meses nas ruas, conquistando a suspensão da reforma tributária e da reforma da saúde, propostas pelo presidente Iván Duque, assim como a renúncia de dois ministros. Agora o movimento continua exigindo uma reforma policial e justiça aos 76 mortos.

 

 

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“Com esse despertar que está acontecendo na Colômbia, na luta do povo peruano, na resistência indígena na Bolívia, nas lutas no Brasil ou na Venezuela que resiste o bloqueio norte-americano, assim como Cuba. Aí está o povo chileno. Com Salvador Allende no pensamento, estamos trabalhando pela integração dos povos, por essa outra América Latina possível.”, defende Carlos Casanueva Troncoso do Partido Comunista do Chile.

 

 

Além das manifestações, nas urnas o povo latino-americano voltou a optar pelo campo progressista. Na Venezuela, o chavismo obteve 90% das cadeiras na Assembleia Nacional, em dezembro do ano passado. No Chile, além da constituinte, também houve eleições para governadores, nas quais a esquerda saiu vitoriosa.

 

 

“A Constituinte que está a ponto de ser instalada no Chile é uma grande conquista do povo mobilizado nas ruas contra o modelo neoliberal e contra as heranças políticas fascistas de Augusto Pinochet”, assegura afirma Troncoso.

 

 

No México, o partido governante Movimento de Regeneração Nacional (Morena) consolidou sua presença em vários estados nas maiores eleições da história do país.

 

 

“De 15 governos que tiveram eleições, o Morena venceu 11, inclusive em lugares onde a direita sempre governou. Isso é algo que deve ser reconhecido, mas é claro que devem seguir trabalhando.

 

 

Enquanto no Peru ainda se aguarda a confirmação do resultado pela justiça eleitoral, Pedro Castillo obteve a vitória no resultado das urnas, rompendo com uma tradição de governos conservadores.

 

 

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“De certa forma ele conseguiu reestruturar essa esquerda que estava muito fragmentada. A mudança mais importante é uma assembleia constituinte, isso é básico para o nosso país, porque temos uma Constituição do fujimorismo, que não representa o povo peruano, que o oprime”, defende Rita Farfán.

 

 

Apoiadores de Pedro Castillo se reuniram em Puente Piedra, na zona norte de Lima, com o lema “Peru rumo ao bicentenário sem corrupção” / Daniela Ramos

 

Esse novo quadro sugere uma nova etapa do progressismo na América Latina. Para alguns analistas, poderíamos estar vivendo a antessala de uma nova “década ganha” – primeiros dez anos do século XXI, marcada por governos progressistas na maioria dos países da região.

 

 

“Eu acredito que sim virá uma etapa na qual o povo se levanta. O povo está alçando a sua voz e evidentemente devemos seguir lutando. Qual o problema? É que a direita não nos deixa em paz”, comenta Carol Morán.

 

 

E essa nova etapa tem idade e gênero. É a juventude e as mulheres que protagonizaram os últimos processos de transformação nas nações latino-americanas.

 

 

“A juventude chilena e as mulheres tiveram um papel protagonista em todo esse processo. Não somente organizando e liderando essas organizações e protestos, mas também obtendo êxito eleitoral nos últimos processos”, afirma Carlos Casanueva Troncoso do PC chileno.

 

 

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Buscando promover uma agenda de unidade dos movimentos sociais da região, o governo venezuelano realiza o Congresso Bicentenário dos Povos do Mundo.

 

 

Além de celebrar os 200 anos da Batalha de Carabobo – decisiva para a independência da Venezuela – o encontro também contará com uma reunião da Aliança Bolivariana para os Povos da Nossa América (Alba-TCP).

 

 

“Estamos sofrendo um constante assédio, mas temos grandes exemplos como o povo venezuelano, povo cubano que seguem resistindo. Temos que lutar por uma quarta transformação que nos permita ter soberania, empoderamento e, com isso, a unidade latino-americana”, conclui Carol Morán.

 

 

Do Jornal Brasil de Fato

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