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Almirante Othon, o pai do programa nuclear brasileiro

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Todo grande projeto e todo grande avanço envolve esforços de vários seres humanos. Raras vezes algo é fruto de apenas uma única mente e, mesmo quando é, na verdade é a superação dos caminhos anteriores que outros trilharam.

 

 

Na década de 1940, o cientista soviético Igor Kurchatov, junto de outras célebres mentes daquele país, como Georgy Flyorov, se tornou o “pai do programa nuclear da URSS”. O título veio após o cientista dedicar toda sua vida ao estudo da Física nuclear e conseguir, em 1949, construir com sucesso o primeiro dispositivo nuclear de guerra da União Soviética, chamado de “Primeiro Relâmpago”.

 

Após dotar a URSS de poderio nuclear de guerra, Kurchatov se dedicou ao uso pacífico da energia do átomo, trabalhando no programa energético da URSS e na construção da primeira usina nuclear de energia do mundo, em Obninsk. Ele foi honrado pelo governo soviético com vários prêmios e medalhas, alcançando o incrível feito de ter sido 3 vezes premiado com o título de Herói do Trabalho Socialista e 5 Ordens de Lenin, as mais altas honrarias estatais. Ele transformou a URSS num país nuclearmente avançado e capaz de se defender da chantagem bélica dos EUA.

 

 

O Brasil, por incrível que pareça, também tem nomes como o de Igor Kurchatov, talvez com uma aura ainda mais especial.

 

 

O nosso Kurchatov se chama Othon Luiz Pinheiro da Silva, Almirante da Marinha do Brasil. Ele é considerado o “pai do programa nuclear brasileiro” e dedicou toda sua vida à nossa Pátria e ao desenvolvimento científico autônomo do Brasil.

 

 

Com um longo e exemplar histórico na Marinha, Othon estudou no exterior e, quando voltou, foi perguntado sobre se o Brasil teria a capacidade de desenvolver uma indústria nuclear. Othon apresentou aos seus superiores na Marinha um relatório que os fascinou o alto comando, que deu para ele a tarefa de desenvolver essa área. Na época, o Brasil havia assinado acordos com a Alemanha Ocidental para a construção de usinas nucleares no Rio de Janeiro (as famosas usinas de Angra).

 

 

Othon, mesmo assim, estava interessado não apenas em participar da construção das usinas e a implementação de métodos estrangeiros limitados. Ele juntou uma pequena equipe e desenvolveu uma técnica totalmente nova, autônoma e nacional para o enriquecimento de urânio chamado ultracentrifugação isotópica, capaz de fazer o urânio se tornar rico suficiente para ser operado em usinas nucleares para gerar energia elétrica. A mesma técnica pode ser usada para a produção de armas nucleares e para a propulsão nuclear de submarinos, por exemplo; o Brasil desenvolve há anos um submarino nuclear com base nos estudos do Almirante, projeto esse que continuamente segue sendo boicotado ou atrasado.

 

 

O currículo acadêmico e profissional do Almirante Othon é gigantesco demais para ser comentado em poucas palavras, mas inclui esforços legítimos de um cientista brasileiro com mente brasileira, um exemplo raro de militar patriota que, segundo suas próprias palavras, abomina o pensamento subserviente às potências estrangeiras.

 

 

Em 2005, o Almirante Othon escreveu um importantíssimo estudo que poderia ser considerado um divisor de águas em nossa história enérgica, no qual analisa os horizontes da geração hidrelétrica do Brasil até 2035 e atesta que não temos capacidade de seguir dependentes dessa matriz. Pouco tempo depois, convidado por Lula, ele assumiu o posto da Eletronuclear e também coordenou os esforços para a retomada da construção de Angra 3, que representaria um importante incremento da nossa capacidade de produção de energia.

 

 

Por várias vezes, Othon desbaratou as forças da Agência Internacional de Energia Atômica, que se desesperou com o desenvolvimento nuclear do Brasil e tentou interferir no processo. Ele também escondeu diversas vezes nossos projetos da Embaixada dos EUA, que insistiu que seus funcionários fizessem inspeções em nossas usinas. O Almirante Othon chegou a trocar os equipamentos de Angra pelos alemães adquiridos na década de 1970 durante uma visita de autoridades estrangeiras e, em outra ocasião, tampou nossos reatores nucleares com lonas para manter o segredo.

 

O estudo de 2005, infelizmente, foi depois considerado pela Lava Jato como uma desculpa fraudulenta para a retomada das obras da Usina Nuclear Angra 3, nas quais supostamente haveria ocorrido corrupção. A Lava Jato, nitidamente operando os interesses dos EUA no Brasil, prendeu e condenou o Almirante Othon a 43 anos de prisão, a maior pena de todos os tempos da operação. Na prisão, o Almirante, deprimido, tentou suicídio, felizmente sem sucesso. Ele foi liberado para a prisão domiciliar, mas foi completamente humilhado e desonrado por pessoas que sequer eram competentes para tal (o delegado que o prendeu foi posteriormente condenado por corrupção).

 

 

O Almirante Othon hoje tem 82 anos de idade e vive sob constante ameaça de novas prisões. Segundo ele, sua prisão serviu para tirar o Brasil do seu caminho de autonomia, uma vez que o domínio do ciclo de produção e enriquecimento de urânio “dá medo às grandes potências”. Ele também acusa os seus carrascos de serem submissos aos Estados Unidos e detestarem a visão de um Brasil forte e autônomo. Em uma entrevista, perguntado se nós poderíamos produzir uma bomba nuclear, ele pediu o tempo de 4 meses para apresentar ao mundo um dispositivo nuclear 100% nacional.

 

 

Ele é um herói brasileiro sem igual que deve ser defendido por todos aqueles que lutam por um projeto de um Brasil novo e independente.

 

 

Por: Lucas Rubio.
(*) Reproduzido do site Disparada

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