Publicidade

Alberto Fernández, presidente da Argentina, acumula saúde popular para enfrentar a pós-pandemia

  • em


“Apesar da incerteza, de uma coisa estamos certos: sabemos que fracassou um modelo baseado na especulação financeira global. Sabemos que também fracassou o menosprezo pelo público e por Estados preparados para proteger seus cidadãos. No mundo por vir, deverão estar no centro os seres humanos, a justiça e a igualdade.”

Alberto Fernández. Carta ao povo argentino. 10.05.2020

 

O governo de Alberto Fernández parecia que não arrancava. Desde que assumiu, no dia 10 de dezembro de 2019, até os primeiros dias de março, foram poucas as medidas que retificaram o rumo da gestão do ex-presidente Mauricio Macri.

 

De todas as maneiras, reinava um clima de trégua no conflito político.

 

A atroz dívida externa que Macri deixou e as negociações com os grandes fundos de investimento, abutres financeiros do mundo, parecia o tema que marcaria o rumo do governo popular: acordo de pagamento aos abutres ou falência.

 

Mas um dia chegou o coronavírus e Alberto decidiu colocar todo mundo em quarentena, em confinamento mais ou menos forçoso. Juntou um grupo plural de epidemiologistas, virologistas e sanitaristas, somou a todos os governadores – macristas, peronistas, e independentes – e conseguiu um apoio inédito na história argentina: 80% da população o apoia na gestão da pandemia.

 

No entanto, as diferenças políticas persistem e os setores econômicos mais poderosos, por meio de duas cadeias de comunicação, atacam o presidente indiretamente, montam cenários de tensão com motins carcerários, demissões de trabalhadores e, no cúmulo da desfaçatez, promoveram uma (finalmente fracassada e bolsonarista) “Revolução dos Mascarados contra o comunismo”.

 

Alberto escolheu a saúde, à frente da economia, mas sabe que a mãe de todas as batalhas está por vir.

 

Nestor Picone, direto da Argentina
(tradução de Eduardo Wendhausen Ramos)
  • Compartilhe