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Agrotóxico usado na lavoura de soja afeta produção de uva e vinho no RS 

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Considerado um dos componentes do agente laranja, usado como arma química na Guerra do Vietnã, o agrotóxico 2-4-D é usado na lavoura de soja transgênica gaúcha. Sua aplicação está inutilizando a produção de uva e vinho em algumas regiões no Rio Grande do Sul. O herbicida 2-4-D se propaga no ar e afeta os parreirais. Agricultores relatam a perda de 50% na sua produção.

 

“A planta que é transgênica permanece e o herbicida é utilizado, mata o período de germinação das ervas daninhas e a planta que resiste ao herbicida é a soja transgênica”, como explica a professora Larissa Bombardi do programa “Agro e Tóxico” do jornalista Bob Fernandes no YouTube. Ela acrescenta que um fenômeno chamado deriva, “faz com o que o agrotóxico pulverizado sobre a soja, uma parte se desloque em função do vento, das condições atmosféricas e é levado para as áreas onde tem cultivo de uva. Como é um herbicida, ele mata as videiras”. Argumenta que, além do impacto ambiental e econômico, o agrotóxico é extremamente perigoso para a saúde humana, já que a substância está associada ao câncer de estômago, ao linfoma não Hodgkin, ao mal de Alzheimer, doença de Parkinson e infertilidade. Não são somente os parreirais que sofrem com os efeitos do agrotóxico, os prejuízos também afetam a produção de oliveiras. Produtor rural, José Rigo relata que costumava colher 10 quilos de oliva por planta, no município de Dom Pedrito na Campanha. Em 2020 foram 3,5 quilos em cada pé.

 

O herbicida 2-4-D é autorizado pela Anvisa para eliminar ervas daninhas. Levantamento divulgado pela Secretaria de Agricultura do Rio Grande do Sul no início de janeiro mostra que entre agosto e dezembro de 2020, 101 amostras de videiras e outras culturas apontaram a presença do 2-4-D. Rafael Friedrich de Lima da Secretaria de Agricultura explica que “é necessário fazer um trabalho mais cirúrgico, mais específico em determinadas regiões”. Mas reconhece que é preciso reforçar a fiscalização conjunta com outros órgãos. Finaliza destacando que “é preciso conscientizar para a correta aplicação dos produtos”.

 

Associações de produtores de vinhos e maçãs ingressaram com uma ação na Justiça para pedir a suspensão do uso do agrotóxico no Estado. Ainda não houve decisão.

 

Parreirais afetados pelo uso do agrotóxico 2-4-D  /  Foto do Jornal A Plateia

 

 

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