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Agroecologia é estratégia de preservação da vida e da natureza

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Não é novidade o fato de que grande parte dos alimentos que chegam à mesa de brasileiros e brasileiras, tais como café, arroz, maçã, feijão, são produzidos com uso de agrotóxicos em larga escala. A justificativa é de que o uso dos defensivos químicos é necessário para o controle de pragas e doenças que prejudicam as plantações, garantindo o aumento da produtividade. Ocorre que a utilização de tais produtos químicos na produção alimentos está cientificamente associada a diversas doenças, como câncer, danos genéticos, alergias, suicídios, infertilidade em homens e mulheres, entre outras.

 

Como alternativa à produção agrícola à base do uso dos agrotóxicos ganha cada vez mais espaço no Brasil o debate sobre a importância da produção de alimentos saudáveis através de práticas agroecológicas. A agroecologia é entendida como uma ciência que busca desenvolver práticas agropecuárias pautadas em princípios ecológicos para o estabelecimento de sistemas de produção agrícolas sustentáveis, com harmonia entre homem e natureza, preservando o meio ambiente, eliminando o uso dos defensivos químicos nos alimentos produzidos.

 

A agroecologia tem um papel primordial para a agricultura familiar por proporcionar qualidade de vida, qualidade dos alimentos produzidos, sustentabilidade, tudo isso porque não há a utilização de agrotóxico no processo produtivo. Ressalte-se ainda a valorização do homem e da mulher do campo com esta prática, por ser instrumento viável à geração de renda e emprego às inúmeras famílias de agricultores e agricultoras familiares que já trabalham com essa forma de produzir alimentos.

 

Sistema Agroflorestal de produção agroecológica do Sítio Jatobá/MG
Foto de Lorena Freitas, Assessoria da CONTAG Regional Sudeste

 

A Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG) entende que a prática agroecológica é sinônimo de cuidado não só com o indivíduo, mas com a coletividade, com a saúde da população, bem como por oportunizar aos agricultores e agricultoras familiares novas frentes de trabalho. Para tanto, se faz necessário o incentivo do Estado Brasileiro a essa modalidade de produção através da oferta de editais para viabilização de projetos produtivos, do apoio à comercialização, da capacitação técnica e da extensão rural, bem com através do investimento em novas pesquisas para expansão da produção de alimentos saudáveis.

 

Durante a Pandemia de Covid-19, a CONTAG fortaleceu esse debate junto às suas Federações filiadas, dialogando conjuntamente com o Coletivo Nacional de Meio Ambiente da CONTAG, com entidades parceiras, tais como a Articulação Nacional em Agroecologia (ANA) e instituições de ensino superior, ouvindo experiências oriundas das 05 regiões do país. O objetivo é fortalecer estratégias de incentivo e apoio à produção agroecológica da agricultura familiar, bem como difundir esse tema aos diversos estados brasileiros através de sua rede de sindicatos filiados, mostrando que há viabilidade social, técnica e econômica para a produção agroecológica no Brasil.

 

Nessa trajetória diversas experiências foram compartilhadas, como as que seguem: o Sistema Agroflorestal de produção agroecológica do Sítio Jatobá, desenvolvido em regime de economia familiar pelo Sr. Darcio do Carmo (atual Presidente do STTR de Bonfim MG); a iniciativa coletiva de comunidades rurais do Sul do país, através da comercialização de Cestas Orgânicas oriundas do Projeto Células de Consumo Responsável (Laboratório de Comercialização da Agricultura Familiar-LACAF/Universidade Federal de Santa Catarina/UFSC); a experiência da Associação dos Produtores Orgânicos de Mato Grosso do Sul na Agricultura Familiar (APOMS), que realiza um trabalho no processo de organização e comercialização da produção agroecológica; realizamos uma visita, ainda que virtual, pela experiência de quintais produtivos no Rio Grande do Norte; por fim, ouvimos o relato acerca do processo de criação de um Biodigestor (artesanal e de baixo custo), projeto desenvolvido pela Escola Familiar Rural de Sergipe, tecnologia de apoio ao processo de produção sustentável de alimentos.

 

Educandos da ENFOC, conhecem o Sistema Agroflorestal de produção agroecológica do Sítio Jatobá/MG
Foto de Lorena Freitas, Assessoria da CONTAG Regional Sudeste

 

 

Na atual conjuntura brasileira de insustentabilidade social, nutricional e ambiental, quando o Brasil retorna ao mapa da fome no mundo, com um cenário de pandemia da Covid-19, de aumento desenfreado da degradação ambiental, do avanço da produção de alimentos transgênicos, torna-se necessária uma mudança na questão agrícola, nos hábitos alimentares, no modo de vida da sociedade, nos investimentos públicos para agricultura familiar e para ampliação de práticas agroecológicas. “Essa mudança, a médio e longo prazo, poderá proporcionar o estabelecimento do equilíbrio dos agroecossistemas e de uma forma de vida que tenha como principal premissa a valorização das questões sociais e ambientais, e da vida humana acima dos interesses dos grandes grupos empresariais da agricultura brasileira”, destaca a secretária de Meio Ambiente da CONTAG, Rosmarí Malheiros.

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