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Agro é fogo: Queimadas são crimes do agronegócio

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Movimentos e organizações da sociedade civil divulgam nota pública denunciando a destruição de biomas brasileiros pelo fogo criminoso e marcam oposição ao pronunciamento de Jair Bolsonaro.

 

O “Brasil em chamas” é notícia no mundo inteiro; os biomas e modos de vida da Amazônia, do Cerrado e do Pantanal ardem. Visíveis até nas grandes cidades e monitoradas por satélites, as queimadas colocam em risco a sociobiodiversidade de todo o planeta. Diante deste cenário, mais de 90 movimentos e organizações da sociedade civil divulgam nota pública conjunta denunciando a destruição dos biomas brasileiros pelo fogo criminoso e marcando oposição às afirmações de Jair Bolsonaro na abertura da Assembleia Geral da ONU, no último dia 22 de setembro.

 

O Presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou durante a Assembleia da ONU que o Brasil tem a “melhor legislação” ambiental em todo o mundo e que o país respeita as regras de preservação da natureza. Ele também declarou que “índios” e “caboclos” são os responsáveis pelas queimadas. As acusações do discurso negam a realidade e os dados do Programa Queimadas do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).


Queimadas por todos os cantos

 

Cerca de 16,9 mil focos de incêndio foram detectados no Pantanal entre janeiro e setembro deste ano, maior número já registrado pelo INPE, cujo monitoramento acontece desde 1998. Mas o enfrentamento às queimadas criminosas é uma luta comum a várias regiões do país. Embora proporcionalmente o Pantanal seja o bioma mais afetado, ele não é o bioma brasileiro com a maior porcentagem de queimadas. Dados do INPE apontam que, este ano, mais de 43,6 mil focos de queimadas aconteceram no Cerrado, tornando o berço das águas o segundo bioma brasileiro com maior registro de queimadas, 28,4% do número total. A situação do Cerrado só não é mais grave que a Amazônia, onde aconteceram no mesmo período mais de 73,9 mil queimadas, correspondendo a 48,1% do total. Na sequência, vem Pantanal, 11%; Mata Atlântica, 8,7%; Caatinga, 2,7%; e Pampa, 1%.

 

Além das mentiras e da negação de fatos, Bolsonaro ainda atribuiu a responsabilidade do fogo aos povos tradicionais e indígenas. Uma “grande mentira” contada para acobertar os verdadeiros culpados pelos incêndios criminosos: agentes do agronegócio. Os verdadeiros responsáveis pelo fogo nos biomas têm nome e CNPJ; a Polícia Federal abriu investigação para indiciar quatro grandes fazendeiros do Mato Grosso do Sul, que teriam iniciado o incêndio no Pantanal. Há indicações de que o crime foi combinado e que ações semelhantes também foram feitas na Amazônia e no Cerrado.

 

Junto à indignação da sociedade brasileira diante da hecatombe ambiental e das mentiras de Jair Bolsonaro sobre a devastação dos biomas, os movimentos, organizações e pastorais sociais do campo; redes, articulações e campanhas; e redes e grupos de pesquisa brasileiros que assinam essa Carta afirmam o compromisso com a memória, a verdade e a justiça. “Não nos calamos diante de velhos estratagemas autoritários reeditados, que incitam o ódio e o racismo e sustentam farsas e crimes contra os direitos dos povos”. O documento apresenta cinco pontos que unificam as denúncias e resgatam a memória e a sabedoria ancestral dos povos e comunidades tradicionais

 

Bate-papo virtual sobre as queimadas


As ações conjuntas seguirão durante os próximos dias, e na quarta-feira, 30, às 15 horas (horário de Brasília), será realizada o bate-papo virtual “#Agroéfogo: em defesa dos biomas, dos povos e da biodiversidade”A atividade contará com a participação da Ludivine Eloy, pesquisadora do Centro Nacional de Pesquisa Científica na França (CNRS-Umr Art dev) e professora visitante na Universidade de Brasília (UNB). A conversa virtual também terá representantes dos povos do campo e das comunidades tradicionais: Alessandra Korap (Povo Munduruku – Amazônia), Miraci Silva (Agricultora familiar – Pantanal), Leandro dos Santos Silva (Quilombola – Cerrado), e a mediação será realizada por Fábio Pacheco da Associação Agroecológica Tijupá, ANA Amazônia e Grupo Carta de Belém.

 

SERVIÇOS:

  • 28/09– Lançamento da Carta Pública: Diante de mentiras que ninguém acredita, é preciso reafirmar o óbvio: As queimadas são culpa do agronegócio!
  • -> Link para acessar a carta: clique aqui
  • -> Leia no site da CPT Nacional: clique aqui

 

  • 30/09– Bate-papo virtual (live): #Agroéfogo: em defesa dos biomas, dos povos e da biodiversidade”
    HORA:
     15 horas (horário de Brasília)
    ONDE: Nos canais do Youtube e nas páginas de Facebook da CPT Nacional, da Fase e do Levante Popular da Amazônia.

 

Foto de João Paulo Guimarães
Com informações da CPT
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