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ACQ premiado no 5º Festival Internacional de Poesia e Bebida de Luzhou, China

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No concurso que contou com a participação de milhares de chineses e dezenas de poetas de outros países, o jornalista Antônio Carlos Queiroz (ACQ) foi um dos 10 premiados estrangeiros. O festival foi promovido pelo Jornal de Poesia da Associação de Escritores da China e pela prefeitura de Luzhou, capital da província de Sichuan. Confira a notícia que ele mesmo escreveu sobre a premiação:

 

 

Antônio Carlos Queiroz (ACQ). Foto: Divulgação

 

 

Pessoal, tenho a satisfação de anunciar que fui premiado no 5º Festival Internacional de Poesia e Bebida promovido pelo Jornal de Poesia da Associação de Escritores da China e pela prefeitura de Luzhou, capital da província de Sichuan. Participaram do concurso milhares de cidadãs e cidadãos chineses e dezenas de poetas de outros países, disputando os prêmios de várias categorias: poesia moderna, poesia em estilo antigo, poemas em inglês, crítica de poesia, prêmio de literatura e poesia, artigos acadêmicos sobre a poesia global e a cultura da bebida.  

 
Junto comigo foram agraciados outros nove poetas estrangeiros, sem ordem de classificação, de um total de 160, todos concorrendo com poemas redigidos em inglês: Richard Berengarten (Reino Unido), Vadim Terekhin (Rússia), Azam Abidov (Uzbequistão), Dinko Telećan (Croácia), Dragan Dragojlović (Sérvia), Hrant Aleksanyan (Armênia), Les Wicks (Austrália), CK Stead (Nova Zelândia) e Podareva Anastasia (Rússia).

 

 
O júri foi presidido pelo poeta Jidi Majia, ex-governador da província de Qinghai, Nordeste do país.

 
O lema do concurso deste ano, “Deixe que a poesia e a bebida aqueçam todo mundo”, evoca a antiga tradição do país de misturar literatura com bebidas alcoólicas, iniciada desde o século VIII, pelo menos, quando viveram os grandes poetas Li Bai e Dufu. A produção dessas bebidas na China é bem mais antiga, no entanto, tendo sido encontrados recipientes de bronze da época da Dinastia Shang ou Yin (1766-1122 EC), aparentemente apropriados para o aquecimento de bebidas fermentadas.

 

 
O Festival foi encerrado na semana de 13 a 17 de outubro, com um fórum internacional que discutiu o tema “Deixe a poesia viajar livremente pelo mundo – A poesia e nós na era da pós-pandemia”. Nesse evento foi outorgado o Prêmio Internacional de Poesia 1573 ao poeta e dramaturgo francês Jean Pierre-Siméon. O número 1573 refere-se ao ano a empresa Luzhou Laojiao, uma das patrocinadoras do festival, criou a sua marca premium de baijiú, a bebida nacional da China.

 
Normalmente a mídia internacional traduz como “vinho” o baijiú, uma forte bebida destilada à base de arroz, trigo, batata ou sorgo. No entanto, o baijiú é mais parecido com a nossa cachaça ou com o rum cubano, tendo, inclusive, maior teor alcoólico. No caso do baijiú à base sorgo vermelho, a graduação varia entre 50° e 60°.

 

 
Uma curiosidade: os ex-primeiros ministros Zhou Enlai e Deng Xiaoping foram grandes bebedores de baijiú. O presidente americano Richard Nixon foi recebido por Zhou Enlai, em julho de 1971, com um brinde da bebida. E a marca Luzhou Laojiao parece ter sido a preferida de Deng Xiaoping.

 

 
O POEMA – Como ainda não tive tempo nem coragem para traduzir o poema em brasileiro, descrevo agora meio às pressas, sem muita revisão, a peça dividida em seis partes que submeti ao concurso.

 
Com o título “Sob a bandeira do sorgo e da cana de açúcar”, óbvia referência – com uma pitada política – aos pendões das duas gramíneas quando maduras, tive a intenção de chamar a atenção para a aliança da República Popular da China com o Brasil.

 
Na primeira parte, digo (quer dizer, o eu lírico é quem diz…) que nenhuma musa será invocada hoje porque a bebida será a minha musa (Booze will be my muse!). A própria musa é convidada a fazer um brinde para que a gente “voe como um “tonto tordo”, um “elefante trôpego”, um “guariba que esganiça” ou uma “mosca de porre”. Uma hipótese: se nós, os humanos, não temos o privilégio da bebedeira, talvez não sejamos também os únicos poetas na face da terra ou nos céus. Talvez estejamos a bordo de um Bateau ivre, como aquele do Rimbaud.

 
Na segunda parte, o poeta declara que não está cantando nada de novo, pois os seus avós e tataravós já tomavam as suas doses para se confortar na tristeza, acender a coragem para enfrentar a frieza, e evitar ou esquecer as tragédias do dia a dia. O poeta diz, com humildade, que o tema que agora está cantando já foi cantado e tragado muito antes pelo Eclesiastes, por Lucrécio, por Jesus Cristo, por Machado de Assis e “mil e um outros poetas das Nações Unidas e Desunidas”.

 
Na terceira parte, o eu lírico diz que, de qualquer lugar onde estiverem, os mestres da poesia recitam os mesmos temas e a mesma lua, “com outros metros e outros meios”. E cita frases de efeitos (efeitos do álcool, bem entendido!) de Robert Louis Stevenson, Vinicius de Moraes, Carlos Drummond e Baudelaire para demonstrar que os sentimentos estimulados pelo álcool independem da cultura.

 
Na quarta parte, o poeta faz um brinde aos amigos de todo o mundo, “sob a bandeira de duas folhas de relva, o sorgo vermelho da China e a cana de açúcar do Brasil. Por coincidência, ele nota que ambas têm o mesmo nome nas respectivas línguas, “branquinha”. E que os chineses também oferecem um gole pro santo.  

 
Na quinta parte, já trêbado, o poeta está na varanda, olhando a lua se multiplicar. Ele oferece mais um brinde ao amigo chinês Gao, e pergunta sobre a feijoada que os dois acabaram de comer. Diz então que está na hora de partir num barco em que a imaginação serve de timão. “Sabe, quando o luar / passa por nossa janela, contemos o tempo / “inimigo jurado da fantasia”. O poeta imagina uma viagem em que cruzam o Amazonas e o Yangtzé e diz que se as suas águas fossem alguma cachaça, ambos a tomariam de um gole, o “maior brinde de todos os tempos”!

 
Na sexta parte, que é a final, o poeta diz que a gente não sabe nada do amanhã, mas que é possível imaginá-lo sentados na varanda na companhia de Li Bai, de Dufu, da poeta Yu Xuangji e de Vinicius de Moraes, “só para beber, papear e ver / a lua se multiplicando / como se a nossa janela/ fosse um caleidoscópio/ como se os nossos versos e canções / fossem um caleidofone –“. Afinal, conclui o poeta, “a gente vive uma caleidovida, não é!/ Pelo menos sob a bandeira do sorgo vermelho!/ Pelo menos sob a bandeira da cana de açúcar!”

 
Aí embaixo vai o meu poema, com o qual quis fazer um efusivo brinde de baijiú e de cachaça aos povos do Brasil e da China, e a todos os povos da Terra, esse nosso planetinha iluminado pelo mesmo Sol e pela mesma Lua, banhado pelas mesmas águas, mas cantado em verso e prosa em quase sete mil línguas, algumas delas em processo de extinção neste exato momento.

 
Para finalizar, gostaria de agradecer à poeta Maria Lúcia Verdi, ex-chefa do Setor Cultural da Embaixada do Brasil em Beijing, por ter indicado o meu nome à Comissão Organizadora do 5º Festival Internacional de Poesia e Bebida de Luzhou.

 

Agradeço também à minha ex-professora de inglês, Simone Lima, da época em que vim parar em Brasília, no fim dos anos 1970, pela gentileza de revisar o meu poema.

 

(*) Antônio Carlos Queiroz (ACQ) – 25/10/2021

 




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