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Abrace a Carris antes que acabem com ela

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A Companhia Carris Porto-Alegrense é a mais antiga empresa de transporte coletivo do país em atividade, e nasceu graças à autorização do imperador Dom Pedro II, via decreto, publicado em 19 de junho de 1872. Em 1930, a Carris passou a oferecer também o transporte por ônibus para as localidades onde as linhas de bonde não chegavam.

 

Ou seja, Porto Alegre completará seus 250 anos em 2022, e a Carris deve festejar os seus 150.

 

Nesta longa história, temos que lembrar que do primeiro bonde puxado por burros para a Linha do Menino Deus, em 1976, a Carris criou e inovou com suas Linhas T, Tranversais. Daí em diante vem o ar condicionado, o piso rebaixado, a acessibilidade universal, a TV, os Poemas nos ônibus e os prêmios, como de repetir ano a ano o Top of Mind ou o de melhor empresa de transporte coletivo no Brasil.

 

EMPRESA PÚBLICA

 

Conceitualmente, empresa pública pertence integralmente ao governo, de forma que sua administração é pública.

 

Tem a finalidade de prestar serviço público e exploração, no caso da Carris, de uma atividade econômica, por ser de relevante interesse coletivo. Logo, está na Lei, está na vida das pessoas.

 

SUBSÍDIOS

 

Na Europa, há subsídios em Praga (74%), Turim (68%), Madri (56%), Berlim (54%) e Copenhague (50%). Já em Londres, e em Paris, respectivamente, com 25% e 20% do valor total.
As fontes são as mais diversas.

 

Já no o Brasil o passageiro é, via de regra, o único responsável por bancar o funcionamento do sistema. Não à toa, o país teve queda de usuários transportados de 35,6% entre 1993 e 2017, segundo o anuário da Associação Nacional dos Transportes Urbanos (NTU), ambém ao preço da tarifa: quanto mais elevado, menor o número de pessoas capazes de bancar o custo.

 

Em Porto Alegre, em 1989, ao assumir o governo local, o então prefeito Olívio Dutra (PT) fez uma intervenção no sistema diante do caos que havia.

 

Recomposto o sistema, sem subsídios mas com medidas administrativas, controle social, fiscalização, o transporte teve melhorias significativas, e a Carris avançou em espaços e emqualidade.

 

 

PREJUÍZOS

 

A imprensa local deu manchetes e vem sistematicamente fazendo campanhas contra o caráter público da Carris, propondo sua privatização, por diversas pressões.

 

Em 2011, no segundo ano da gestão do ex-prefeito José Fortunati (2010-2016), a Carris começou a dar prejuízo. Os déficits foram aumentando até 2016, último ano da gestão Fortunati, quando o atual prefeito Sebastião Melo era vice do ex-prefeito.

 

Aquela gestão, quanto a seguinte, Marchezan, não tomou medidas cabíveis, apesar de por um tempo este déficit teve uma relativa reversão.

 

FRENTE EM DEFESA DA CARRIS

 

Dado este quadro, a Câmara Municipal de Porto Alegre aprovou a Frente Parlamentar em defesa da Carris e do transporte público, com a participação de todas as bancadas, com fortes atuações do PSOL, PT e do vereador Paulinho Motorista do PSB.

 

Esta Frente constatou o desmonte estrutural da companhia e o assédio moral aos seus funcionários.

 

Na época o vereador Paulinho Motorista disse que conhecia bem a pressão que motoristas e cobradores sofrem para cumprir tabelas

MAURI: MELO TAMBÉM QUER PRIVATIZAR AGORA

 

O ex-presidente da EPTC, o advogado Mauri Cruz, escreve em artigo recente que o prefeito Sebastião Melo está traindo um dos seus alegados princípios democráticos que seria a prática do diálogo antes de tomar decisões importantes.

 

Mauri chega a falar em crime, pois o prefeito estaria colocando a cidade à mercê das empresas privadas.

 

A Carris possui um patrimônio de aproximadamente R$ 300 milhões de reais se somados os valores da frota de 347 veículos – dos quais 89% possui acessibilidade para pessoas com deficiência e 82% possuem ar-condicionado custos em prol do conforto dos usuários da cidade -, uma garagem bem situada ao lado do Carrefour entre as Av. Ipiranga e Av. Bento Gonçalves e os demais equipamentos e instalações, isto também foi lembrado pelo ex-presidente da EPTC.

 

Estudos feitos e apresentados pelo Tribunal de Contas do Estado do Rio Grande do Sul (TCE/RS), realizados em 2018, identificaram que os problemas da Carris foram causados por anos de má-gestão administrativa e financeira. Nestes estudos, o Tribunal aponta as medidas necessárias para o saneamento das contas da empresa e, dentre elas, não há indicativo de sua privatização, ou seja, a Carris pública é viável, reforça mais uma vez o advogado e especialista em mobilidade Mauri Cruz.

 

A SERVIÇO DO PRIVADO

 

De todas as consultas que o Jornal Brasil Popular realizou ao longo dos últimos dias com segmentos da categoria e especialistas, dão conta que, como sinalizamos na introdução desta matéria, é que há uma campanha bem orquestrada para convencer a cidade da inviabilidade econômica da Carris. A privatização sempre foi um grande interesse das empresas privadas da cidade. Estas, diga-se de passagem, também com estreitas ligações com as empresas de comunicação da cidade.

 

A RESISTÊNCIA

 

A resistência na categoria é grande. Nelton Gabriel Massoco, motorista e uma histórica liderança da categoria é taxativo:

 

“como que a empresa que foi administrada por alguém, indicado pelo prefeito José Fogaça, assume em 2009 com um saldo de caixa positivo de R$ 1,09 milhões, e logo após José Fogaça renunciar ao cargo e assume José Fortunati e em seu segundo ano como prefeito, a Carris começa a dar prejuízo?”

 

O líder Nelton vai mais longe:

 

“Em 2010 foram R$ 5,92 milhões de prejuízo. Vieram as eleições e José Fortunati virou prefeito e Sebastião Melo, seu vice. A Carris fechou 2016 com um déficit de R$ 74,2 milhões, como isso acontece durante 2010 e 2016, a Carris foi matéria de jornal, quase que diariamente, tivemos envelopamentos de ônibus subfaturados, compra de software subfaturado que o MP mandou devolver e buscar o dinheiro de volta, tivemos administradores que assinavam cheques sem ler e isso, dito por ele mesmo em entrevista à Rádio Gaúcha, lembrando que desde 2006 as figuras do PMDB, PSDB, PDT entre outros partidos sempre estiveram juntos, quando não estavam no protagonismo, estavam na coligação e no apoio.

 

“Tudo isso me leva a crer que, tudo não passou de um grande plano diabólico, altamente pensado e executado que agora será concluído, com a venda da carris, FECHAM-SE algumas feridas, ACABA-SE com o medo de alguns que poderão dormir tranquilos, EMPRESÁRIOS poderão fazer o que sempre desejaram que é, aumentar a tarifa quando quiser, colocar ônibus somente onde dá lucro, todos ficam felizes POLÍTICOS e EMPRESÁRIOS, ELES GANHAM e PERDEMOS nós funcionários e o povo de Porto Alegre.”

 

 

ABRACE A CARRIS

 

No dia 1º de maio realizou-se o ABRACE A CARRIS, um chamado público para a defesa da Companhia, bem como recolhimento de donativos para famílias carentes.

 

 

O vereador Roberto Robaina que preside a Frente Parlamentar em Defesa da Carris, dado as manchetes de 16 de junho , dizendo que o prefeito Melo encaminha projeto de privatização da Carris, disse taxativamente:

 

“O projeto de Melo é de liquidação da Carris. Isso está dito literalmente. É um absurdo. A luta deve ser por outra política: fortalecer a Carris. Tenho um projeto de lei, 19/21, que cria a Taxa de Mobilidade Urbana e que permite o financiamento do sistema e a redução drástica dos preços das passagens. É disso que precisamos.”

 

PREÇO DA TARIFA

 

Já está aprovado no Conselho de Transporte Urbano de Porto Alegre aumento da passagem para R$ 5,20.

 

Nas redes sociais choveram postagens de indignação, como “provações” aos Black Blocks, perguntado por sua mobilização pelos “20 centavos”. Agora, seriam 30 centavos numa tacada.
O prefeito Melo fala há anos, desde os tempos de vereador, que era necessário mexer nas isenções, mas até o momento passado quase meio ano de seu governo, nada foi feito.

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