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ABI saúda decisão da Justiça britânica de não extraditar Assange

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“Não extraditem Assange, jornalismo não é crime” 

Esta frase foi dita por centenas de manifestantes nesta segunda-feira, dia 4, diante do tribunal do Reino Unido que julgou e recusou o pedido de extradição do jornalista Julian Assange, criador do site Wikileaks, feito pelos Estados Unidos.

 

Assange, detido desde abril de 2019, está sendo acusado de espionagem por ter publicado documentos caracterizados como secretos pelos Estados Unidos. Registre-se que o jornalista não é funcionário do governo norte-americano. Portanto, não deveria ter qualquer compromisso com a manutenção do sigilo em torno daqueles documentos. Como jornalista, tem o direito e o dever de dar divulgação a informações que sejam de interesse público.

 

Se os documentos deixaram o governo norte-americano em situação politicamente incômoda, por mostrarem ataques militares à população civil em países com os quais os Estados Unidos não estavam em guerra, e a prática de espionagem contra governantes de países aliados, inclusive o Brasil, isto não é problema de Assange.

 

Entre as publicações divulgadas há um vídeo registrando helicópteros americanos atacando civis no Iraque, em 2007. O ataque matou pelo menos dez pessoas em Bagdá, dentre elas dois jornalistas da agência de notícias Reuters. Deve ser condenado quem promoveu ataques como este, ou quem os divulgou?

 

Embora a decisão do tribunal britânico tenha sido justificada “por razões humanitárias” e pelo temor de que Assange se suicidasse, o que teria ampla repercussão política – e não pelo reconhecimento da legitimidade da prática do jornalismo – ela é importante. Assange poderia ser condenado a 175 anos de prisão nos Estados Unidos.

 

O governo norte-americano tem 14 dias para recorrer da decisão e já informou que vai fazê-lo. Daí a importância de se manter a mobilização em defesa de Assange.

 

É fácil perceber que a questão vai muito além de um caso individual. A condenação de Assange significaria uma grave ameaça ao trabalho dos jornalistas em todo o mundo.

 

Daí porque, desde o primeiro momento, a ABI se alinhou em sua defesa, participando de amplas articulações que exigem a sua libertação.

 

A ABI conclama, também, os meios de comunicação brasileiros, que não têm dado ao caso a atenção merecida, a se somarem à sua divulgação e à defesa de Assange.

 

O que está em jogo é a defesa da democracia, da liberdade de imprensa e do trabalho jornalístico.

Paulo Jeronimo, presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI)

 

 

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