Em reunião realizada ontem (15/3) com vários parlamentares, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) manifestou apoio à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da pandemia e reforçou os pedidos de impeachment que estão sobre a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados.

 

 

Representantes da diretoria da ABI reuniram-se, por meio virtual, com os deputados federais Alessandro Molon (PSB-RJ), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) , Glauber Braga (PSOL-RJ), Tulio Gadelha (PDT-PE) e Ivan Valente (PSOL-SP) para analisar os pedidos de impeachment do então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello (substituído por Marcelo Queiroga) e do presidente Jair Bolsonaro feitos  pela Casa dos Jornalistas.

 

 

Além disso, foi debatida a possibilidade dessas demandas por impeachment evoluírem para a instalação de uma CPI da pandemia, que apure a responsabilidade do governo federal pela morte, até o momento, de mais de 280 mil brasileiros contaminados pelo coronavírus.

 

 

O pedido da ABI de impeachment de Pazuello foi protocolado na Câmara dos Deputados em 6 de janeiro deste ano. Nele, a entidade aponta crimes de responsabilidade, negligência e inabilitação cometidos pelo ministro da Saúde no combate à pandemia de Covid-19. Já o processo para o afastamento de Bolsonaro deu entrada em abril de 2020 e é uma das 68 ações com o mesmo objetivo protocoladas na Câmara dos Deputados e engavetadas pelo, na época,  presidente da Casa Rodrigo Maia.

 

 

O presidente da ABI, Paulo Jeronimo, disse que, além do impeachment, a entidade apoiará a instalação da CPI, que já tem aprovação no Senado Federal e busca adesões também na Câmara. Segundo Jeronimo, apoio aos impeachments e à CPI não são iniciativas antagônicas. Ao contrário. Elas devem ser mantidas e ocorrerão em paralelo.

 

 

Tampouco a substituição de Pazuello à frente da Saúde altera a determinação da ABI e dos parlamentares. “Independentemente de trocar ministro, temos que apurar os crimes do governo federal cometidos na pandemia. Para isso, estamos coletando assinaturas para aprovação de uma  CPI também na Câmara. Se toda a oposição assinar o documento, atingiremos 130 assinaturas. Vamos precisar de mais 40 adesões  e vamos buscá-las ”, ressaltou a deputada  Jandira Fegahli. Ela lembrou que criação de  CPI é instrumento constitucional, apoiado no direito contra hegemônico, em defesa  das minorais.

 

 

Segundo a deputada do PCdoB, com assinaturas suficientes, a CPI da pandemia já foi protocolada no Senado e parlamentares ingressaram no Supremo Tribunal Federal (STF), a fim de pressionar o presidente Rodrigo Pacheco a instalar a Comissão. O ministro do STF Luís Roberto Barroso é o relator do processo.

 

 

“Levantando e escancarando os crimes cometidos na pandemia, a CPI é o melhor instrumento de acumulação de forças para se construir  uma saída para o impeachment de Bolsonaro”, acredita Jandira.

 

 

A opinião é compartilhada pelo deputado Ivan Valente. Segundo ele, é importante manter pressão pelo impeachment e, ao mesmo tempo, abrir flanco para a CPI da saúde. Em seu entender, a sociedade deve pressionar Arthur Lira (presidente da Câmara dos Deputados) e Rodrigo Pacheco ( presidente do Senado) a investigarem tudo o que está contido  nos pedidos de CPI relacionados à política sanitária. “É necessário formar uma massa crítica na sociedade”, disse ele.

 

 

Para o deputado Alessandro Molon, a CPI da Câmara deve continuar a coletar assinaturas, mas o caminho mais curto para uma comissão de inquérito sobre a atuação do governo em relação à pandemia  é a pressão sobre  Rodrigo Pacheco, no Senado.

 

 

O presidente da ABI se comprometeu a mobilizar entidades da sociedade civil para a construção de uma agenda de audiências com os presidentes do Senado e da Câmara.

 

 

“Pazuello assumiu a Pasta da Saúde com 14 mil mortos por Covid e entrega o Ministério com mais de 278 mil mortos. Só neste ano, em pouco mais de dois meses, já foram 80 mil mortos”, ressaltou o deputado Tulio Gadelha. Mas, para ele, “a questão não é apenas o Pazuello. O problema é o chefe do Pazuello”.

 

 

Jandira Feghali lembrou que “crimes na pandemia foram feitos pelo governo. Mesmo que troque o ministro, os crimes estão lá, já foram cometidos e precisam ser apurados” .

 

 

ABI está ao lado de Felipe Neto

 

 

O youtuber Felipe Neto foi intimado a depor na Delegacia de Crimes de Informática da Polícia Civil após ter chamado o presidente Jair Bolsonaro de genocida, em razão da sua gestão à frente da pandemia.

 

 

Em vídeo publicado no Instagram, Felipe diz ter ficado muito espantado por ter sido acusado de crime contra a segurança nacional. “Vou enfrentar como sempre enfrentei as tentativas de silenciar desse governo. Eles querem propagar o medo. Mas um povo nunca deve ter medo do governo”.