Bolsonaro sente a terra tremer cada vez mais sob seus pés à medida que se aproxima a data do 7 de Setembro, dia que ele marcou para dar o seu tão sonhado autogolpe no regime democrático, ou do que ainda resta dele.

Com cada pesquisa confirmando a sua rápida queda de popularidade, o aumento contínuo de sua rejeição, enquanto Lula, quem ele considera o seu arqui-inimigo, lidera folgado os dois turnos e todos os cenários, Bolsonaro vê sua força política e base de apoio se fragmentar, com setores partidários, empresariais e sociais começando a abandonar o campo de batalha sob o seu comando.

Tal como os estertores finais de Hitler em seu bunker, Bolsonaro delira vendo conspirações comunistas e chinesas dirigidas pelo STF, pelos governadores e pelo PT. Essa visão enlouquecida é seu último recurso para mobilizar suas fanáticas hordas fascistas no dia 7 de Setembro. Ele está apostando tudo nisso, pois sabe que não há alternativa em 2022, pois disputar as eleições deixou há muito de ser algo certo, já que perde para quase todos os candidatos, e não apenas para Lula.

Porém, se no planalto o campo bolsonarista perde força, na planície o amplo campo democrático e antifascista se prepara para resistir a esse golpe rastaquera de Bolsonaro, se articula, soma forças e passa a agir com mais determinação.

O STF prende quem maneja a principal arma de Bolsonaro, as redes de fakenews; e 24 dos 27 governadores se reúnem para enquadrar disciplinarmente suas respectivas polícias militares. A grande mídia de oposição não lhe dá folga. O genocida perdeu o predomínio anterior nas redes sociais e naquela fundamental frente de luta, as manifestações das ruas, vemos o movimento popular manter e ampliar o seu tradicional Grito dos Excluídos do 7 de Setembro, com a bandeira comum do antifascismo, Fora Bolsonaro – Impeachment Já!.

Diante disso, e sabendo que a hierarquia das FFAA não embarcaria numa aventura golpista, pois certamente nenhum general, almirante ou brigadeiro aceitaria receber ordens de policiais militares e milicianos, Bolsonaro pensa em convocar a Força Nacional de Segurança. No entanto, essa força é composta por policiais e bombeiros vinculados às Polícias estaduais.

De um modo geral, esse é o cenário político nacional para os próximos 12 dias até a data do golpe de Bolsonaro, que tudo indica será tão ridículo quanto foi o desfile dos tanques fumacê.

A Central dos Movimentos Populares, que reúne as duas principais frente populares do país, a Frente Brasil Popular e a Frente Povo Sem Medo, tomou a decisão correta, que é mobilizar o povo nas ruas de forma organizada e sem aceitar provocações fascistas, para enfrentar a tentativa de golpe e lutar pela vida, a democracia e a soberania nacional.

Tal como o STF e os governadores, também o movimento popular está pagando para ver.

#GolpeNuncaMais

Val Carvalho – escritor e militante de esquerda