À exceção de Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro, onde os atos reuniram muita gente, mas num número muito abaixo do esperado, nos demais estados as manifestações fracassaram completamente.

Em Brasília, como muito bem resumiu um internauta, “sobrou pasto e faltou gado” para invadir o STF e o Congresso Nacional, não dando condições para Bolsonaro dar o seu golpe ao estilo Trump.

Mesmo com tudo pago, transporte, hotel e mais um kit com camiseta verde amarela e um “estímulo” golpista de R$ 100, o número de pessoas em Brasília, no auge do ato, não ultrapassou 100 mil pessoas ou 5% dos 2 milhões apregoados por Bolsonaro. E isso com o próprio “mito” convocando o ato há mais de dois meses.

A primeira conclusão que se impõe diante da fraca mobilização em relação à requerida para respaldar uma ruptura golpista, é que Bolsonaro está isolado em sua bolha fascista/fundamentalista. Aquelas multidões do golpe do impeachment, que reunia a extrema-direita, a direita liberal e o centro, não existem mais. A burguesia liberal e as classes médias de centro se afastaram de Bolsonaro e o deixaram sozinho sonhando com sua ditadura.

Esse isolamento se fez sentir quando os governadores desmontaram as pretendidas rebeliões de suas polícias militares e o STF tem prendido divulgadores de fakenews atentatórias à democracia.

No entanto, pressentindo que a oposição liberal, representada principalmente pelo STF, não vai tomar medidas mais duras contra seus ameaças golpistas, Bolsonaro já cria nova pauta para o dia 8, que seria a convocação do Conselho da República, na qual vem induzida nova ameaça golpista, dessa vez sob a forma do Estado de Sítio. Segundo a Constituição Federal, o STF não é membro desse Conselho, como ele disse no discurso.

E infelizmente parece que a intuição miliciana de Bolsonaro está certa. Apesar de ele ter convocado pessoalmente tais atos golpistas e neles feito ameaças públicas ao STF, aos seus ministros e à democracia, tudo indica que mais uma vez as classes dominantes que controlam as instituições de República ainda não aparelhadas pelo genocida não tomarão nenhuma decisão para afastá-lo da presidência, como seria de se esperar.

A correlação de forças indica uma situação de empate político entre o bolsonarismo e a oposição, o que faz prolongar a agonia do povo e a destruição do país.

O desempate cabe principalmente à oposição popular, que esteve nas ruas com o Grito dos Excluídos, precisa pressionar o amplo campo democrático por uma atitude mais dura, um basta definitivo nos planos ditatoriais de Bolsonaro, afastando-o de vez da presidência e assim esmagando a cabeça da serpente fascista.

Val Carvalho – escritor e militante de esquerda.