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A mídia e os fatos do mundo real

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Nossa grande mídia demorou a noticiar os eventos mais importantes da viagem de Lula à Europa, mas teve de render-se na quarta-feira à recepção com honras de chefe de Estado que o aguardava para seu encontro com o Presidente Macron, da França.

 

 

Antes não houve registro nessa grande mídia de seu encontro em Berlim com o futuro chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, do Partido Socialista, que derrotou os democratas-cristãos na recente eleição alemã. Já o discurso de Lula em Bruxelas, aplaudido de pé no Parlamento Europeu, teve de ser registrado, embora tardiamente, nos telejornais da GloboNews, porque já transbordava das redes sociais e era impossível, sob pena de grande perda de credibilidade, uma TV noticiosa não tomar conhecimento dele.

 

 

Assim, ficou impossível a GloboNews deixar de mostrar a chegada de Lula, em Paris, ao palácio do Eliseu, para o encontro com Macron. Apesar disso, O Globo só incluiu a notícia horas depois, e muito discretamente, em sua edição digital. Teimosamente, o Estadão nada tinha registrado até o fim do dia.

 

 

À medida que as horas passavam, a cena à entrada do Eliseu teve de ser repetida várias vezes, tal a inegável importância jornalística daquela sequência – a tropa marchando em continência, o carro se aproximando e sua porta sendo aberta, Lula desembarcando e ao mesmo tempo Macron descendo a escadaria para acolhê-lo. Finalmente a imagem de ambos em close, já no interior do palácio, cumprimentando-se, foi decisiva.

 

 

Pouco depois, nessa mesma ou em outra edição, o contraste involuntariamente impiedoso: Bolsonaro nos Emirados Árabes à frente de uma pequena procissão de motocicletas de alto custo, mostrando a vulgaridade de sua postura habitual de mau-humor e riso sempre desagradável, uma figura nada presidencial enquanto Lula como que exercia uma representação não-oficial, mas respeitável e admirada, do país de ambos.

 

 

Mas a maior consagração veio à noite, no programa “Em Pauta”, da GloboNews, com comentaristas quase todos habitualmente muito críticos de Lula. Eles tiveram de reconhecer o impacto da visita de Lula à Europa. “Acachapante” – disse Eliane Cantanhêde sobre o contraste entre as imagens e Lula na Europa e as de Bolsonaro nos Emirados. Contraste, acrescentou Guga Chacra, entre a Europa democrática e as ditaduras dos Emirados, cúmplices até do assassinato de jornalistas de oposição como o saudita Jamal Kashogi.

 

 

O “Em Pauta” de quarta-feira foi uma consagração de Lula e até uma absolvição tardia, com o reconhecimento de que para a Europa sua condenação e prisão foram atos injustos e políticos, atos, só faltou dizer, comparáveis às prisões de Gandhi na Índia pelo governo britânico e aos 27 anos de encarceramento de Nelson Mandela pelo regime do apartheid da África do Sul.

 

 

O programa de quinta-feira, em compensação, foi devastador para Bolsonaro, sobretudo pela revelação de que seu governo escondeu da Cop26 o relatório produzido dias antes de seu início sobre o desflorestamento da Amazônia em 2021, o mais extenso e destruidor desde 2006.

 

 

Além do caso da Amazônia, o programa estendeu-se também sobre outras denúncia que justificariam, em conjunto ou separadamente, o impeachment de Bolsonaro.

 

 

Era o caso do Enem, por exemplo, com 37 dirigentes do INEP afastando-se de suas funções de chefia às vésperas do exame, denunciando a interferência do governo no conteúdo das provas, interferência, aliás, confirmada pelo próprio Bolsonaro ao dizer, pública e imprudentemente, que agora o Enem tem a cara de seu governo.

 

 

Era o caso também das investigações sobre a interferência do governo na Polícia Federal, com a demissão da delegada Silvia Amélia por ter dado cumprimento à decisão do Ministro Alexandre de Morais, do Supremo, e comunicado às autoridades norte-americanas o pedido de extradição do blogueiro Alan dos Santos, acusado de participação e até liderança nas milícias digitais bolsonaristas.

 

 

O caso de Alan dos Santos pode ser mais complicado do que parece, por existir, em consequência da quebra de seu sigilo telemático, a transcrição de mensagens entre ele e Eduardo Bolsonaro, o filho 03, sobre a possibilidade de financiamento do empresário Luciano Hang, já investigado pela CPI da Covid, ao blog “Terça Livre”, de Alan e seus parceiros. Numa das mensagens, Alan pede a Eduardo que o ajude a conseguir o apoio de Hang; em outra, algum tempo depois, comemora: “O Luciano está dentro!”

 

 

Essas mensagens comprometem não apenas o miliciano Alan, mas também Luciano Hang e, pior para Bolsonaro, seu filho Eduardo.

 

 

A abertura da GloboNews ao fato jornalístico Lula e seus desdobramentos e a fatos como esse, foi acompanhado – timidamente, é verdade, pelo Jornal Nacional da TV-Globo – e essa pequena fresta atingiu um público ainda maior. Depois disso fica muito difícil silenciar sobre novos desdobramentos do fato Lula e minimizar casos como o de Alan dos Santos, do Enem e da Amazônia.

 

 

Era inevitável que em algum momento isso acontecesse e que a grande mídia tivesse de trocar pelos fatos do mundo real o mundo ilusório que impingia a seu público. 

 

 

(*) José Augusto Ribeiro – Jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.

 




 

 

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