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A matança no Texas e as ações em alta dos fabricantes de armas 

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O que havia de comum entre os dois casos que horrorizaram o mundo (e aconteceram nos Estados Unidos com intervalo de menos de dez dias) era o fato de os dois atiradores mal terem chegado aos 18 anos. Com 18 anos eles não poderiam consumir bebida alcoólica em qualquer estabelecimento público – para isso teriam de esperar até os 21 – mas puderam comprar suas armas legalmente e com a maior facilidade, encomendando-as pela internet.

 

Naturalmente o segundo caso teve mais repercussão, por acontecer numa escola, com a morte de 19 crianças e duas professoras e tão pouco tempo depois do primeiro caso. 

 

Neste, num supermercado em Buffalo, perto de Nova York, a 16 de maio, o atirador matou 10 pessoas e feriu outras três. Ele escolhera um supermercado situado num bairro de maioria negra com a intenção de matar negros – certamente sob influência de pregadores da supremacia branca que acusam o Partido Democrata de promover fraudulentamente o crescimento do eleitorado negro, latino e de outras correntes de imigrantes e refugiados “atrasados”, como indianos e árabes. 

 

Em pouco tempo, segundo esses supremacistas e a continuarem as coisas assim, e piorarem ainda mais com casamentos e engravidamentos inter-raciais, a população branca, herdeira dos pais fundadores da pátria (e exterminadores das nações indígenas nativas), se tornaria minoritária e seus valores e sua cultura se dissolveriam e desapareceriam, vencidos pelos de uma nova maioria sem qualquer compromisso com o passado e as tradições da orgulhosa América.

 

Para dar sua contribuição à sobrevivência da supremacia branca na sociedade americana e por confiar num futuro louvor da história, esse atirador eliminou 10 eleitores ou futuros eleitores negros e se pudesse mataria mais.

 

No segundo caso, o da escola no sul do Texas, quase na fronteira do México, numa cidade de maioria latina,  o atirador era um latino, Salvador Ramos, também de 18 anos, de ascendência mexicana ou centro-americana e portanto, pelos padrões do atirador de Buffalo, um não-branco. Esse não-branco matou 19 crianças que poderiam ser todas ou a grande maioria de origem latina como ele e portanto, pelos mesmos padrões, não-brancas. 

 

Um caso de compulsão suicida que exigia outras mortes, um ritual coletivo de sangue? O atirador, soube-se logo, sofrera bullying na adolescência, por ser gago, e antecipou a uma amiga, em mensagem pessoal pelo Facebook, que logo sairia para a escola, mas antes atiraria na avó. Foi o que fez.

 

Entre as muitas explicações, respostas e cobranças na mídia, um artigo no Guardian, de Londres, de autoria de sua repórter Gloria Oladipo, fornece informações esclarecedoras sobre o estado presente da cultura das armas nos Estados Unidos. Peço licença para traduzir e transcrever:

 

–  A fabricante do rifle usado no tiroteio da escola elementar no Texas enfrenta manifestações de indignação devido a um anúncio que publicou dias antes da matança, exibindo uma criança pequena. 

 

– A empresa, Daniel Defense, baseada na Georgia, que produz a arma usada no massacre de Uvalde em que morreram 21 pessoas, postou um anúncio no Twitter no dia 16 de maio, com a imagem de um menino segurando um rifle e a seguinte legenda: “Treine uma criança no caminho que deve seguir e até a velhice ela não se afastará dele.” A criança veste uma camisa com a inscrição “Rascal” e está sentada de pernas cruzadas com o rifle empunhado por ambas as mãos, enquanto um adulto parcialmente visível aponta para ela.

 

(A inscrição “Rascal” poderia ser traduzida como “Patife”, mas com certeza será melhor traduzi-la como “Pilantra” ou “Malandro”.)

 

– A Daniel Defense é uma das maiores fabricantes privadas de rifles nos Estados Unidos. Fundada por Marty Daniel, ela já era conhecida por anúncios controvertidos que violavam os padrões da indústria. Um comercial de TV de 2014 mostrava um fuzileiro fictício falando em como defender sua mulher e seu bebê usando produtos da Daniel Defense. Esse anúncio foi rejeitado para veiculação num dos intervalos da transmissão ao vivo do Super Bowl (a decisão do campeonato nacional de futebol americano dos Estados Unidos).

 

– Frequentemente os anúncios da mídia social da empresa misturam versículos da Bíblia com imagens de suas armas. Num deles, tendo a Páscoa como tema e postado a 17 de abril deste ano, a legenda “Ele se elevou!” figurava sob a imagem de uma cruz em cima de um rifle pousado sobre uma Bíblia aberta.

 

– O massacre de Uvalde não é a primeira vez que armas da Daniel Defense aparecem envolvidas num ataque a tiros em massa. Armas produzidas pela empresa estavam no arsenal do atirador que matou 58 pessoas e feriu mais de 500 em Las Vegas em 2017. Meses antes desse ataque a Daniel Defense admitira o impacto de grandes tiroteios na venda de armas.

 

– “O ataque em massa à Escola Elementar Sandy Hook em 2012 [em Newtown, Connecticut, com 26 mortos] provocou um monte de vendas” disse Daniel à revista Forbes. “Foi horrível e nós não usamos esse tipo de coisa para promover vendas. Mas quando os políticos começam a falar de controle de armas, as pessoas ficam com medo e logo vão comprar armas.” 

 

– No dia seguinte ao ataque de Uvalde, o preço das ações [de empresas fabricantes de armas] se valorizou, segundo a Fortune. Ações da Sturm, Ruger & Company subiram cerca de 5.8% e as da Smith & Wesson subiram 10%. A Daniel Defense divulgou um pronunciamento depois do ataque de Uvalde, dizendo: “Estamos profundamente entristecidos pelos trágicos acontecimentos no Texas esta semana. Nossos pensamentos e orações vão para as famílias e a comunidade devastadas por esse ato do mal.”

 

–- A empresa suspendeu sua conta no Twitter, limitou comentários em sua página do Facebook e abandonou na sexta-feira a conferência da Associação Nacional do Rifle [realizada em Houston, no Texas, com a presença e um discurso de Donald Trump e sob grandes protestos populares].

 

Algum paralelismo entre as informações acima e as iniciativas pró-armamento no Brasil? E, para não falar em casos anteriores, entre os acontecimentos nos Estados Unidos e as 26 mortes na Vila Cruzeiro e a execução do segipano Genivaldo na câmara de gás improvisada num camburão da Polícia Rodoviária Federal?

(*) José Augusto Ribeiro – Jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.




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