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A maldição do cocar – Bolsonaro na berlinda

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Pelo número de acontecimentos negativos para o presidente Jair Bolsonaro em uma única semana pode-se afirmar que se trata da maldição do cocar. Acredita-se no meio político que aquele que desrespeita os indígenas, ao usar o cocar, será amaldiçoado. E mais, se a ave que cedeu as penas tiver morrido, o azar é ainda maior.

 

 

Pré-candidato à reeleição, Bolsonaro, em maio deste ano, em São Gabriel da Cachoeira (AM), posou ao lado de um índio com um cocar na cabeça. Daí para cá as coisas só pioraram para o seu lado. Pelo visto, essa ave morreu e a floresta lançou sobre o presidente a sua fúria.

 

 

Muitos índios foram golpeados pela PM na Esplanada dos Ministérios enquanto defendiam seus direitos contra projeto de lei que dificultará o processo de demarcação e facilitará obras e exploração de recursos naturais em terras indígenas. A situação ficou tensa.

 

 

Em suas andanças pelo país, o presidente tem se irritado toda vez que sai para fazer campanha. Ofende jornalistas, especialmente as mulheres, grita com seus subalternos em público e comete absurdos inimagináveis para uma autoridade. No Rio Grande do Norte pegou uma criança no colo, retirou acintosamente a sua máscara e desafiou as instituições republicanas, que defendem a vacina em massa contra a Covid-19, o distanciamento social e o uso de máscaras protetivas.

 

 

A situação foi piorando quando a CPI da Pandemia convidou o deputado Luiz Miranda (DEM-DF) e seu irmão Luiz Ricardo Miranda, funcionário do Ministério da Saúde, para revelarem as suspeitas na compra da vacina Covaxin.

 

 

Os desmandos do governo federal estão escancarados, passam pelo líder na Câmara Ricardo Barros (PP-PR) e chegam ao filho mais velho do presidente, senador Flávio Bolsonaro (Patriota-RJ). Segundo a revista Veja, Flávio teria intermediado a visita do dono da Precisa Medicamentos ao BNDES. A Precisa é exatamente aquela empresa toda enrolada e que deu golpe milionário no Ministério da Saúde, na época do ministro Ricardo Barros (governo Temer).

 

 

Em meio a todo esse tumulto, o primeiro a cair foi o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Agora, nem passaporte pode ter. A ministra Carmem Lúcia mandou confiscar o documento do ministro para que ele não fuja do país enquanto estiver respondendo a processo no STF. Pode ser que ele consiga ser julgado na justiça comum por ter deixado de ser ministro, mas isso não significa que ficará impune.

 

 

Para piorar o desespero de Bolsonaro, pesquisa do Ipec (ex-Ibope) dá Lula como vencedor no primeiro turno se a eleição fosse hoje. Bolsonaro arranca os cabelos, ameaça denunciar fraude caso perca a eleição. Exige que o voto seja impresso, mas onze partidos se unem para impedir essa manobra estapafúrdia do Palácio do Planalto.

 

 

Analistas políticos vislumbram insatisfação em setores militares e empresariais com o desempenho de Bolsonaro. Já pensam em desembarcar dessa canoa furada. Admitem que o impeachment pode ser uma saída honrosa, colocando no lugar Hamilton Mourão e preparando alguém com capacidade de derrotar Lula. Estariam eles buscando uma terceira via que pode se tornar a segunda? Lula está cada vez mais consolidado como candidato de uma centro-esquerda em construção.

 

 

O ministro das Finanças Paulo Guedes bem que tentou desviar as atenções ao levar à Câmara projeto que eleva o mínimo de isenção do Imposto de Renda de R$ 1,9 mil para R$ 2,5 mil, mas Bolsonaro foi atropelado pelo deputado Luiz Miranda (DEM-DF), que entregou o líder do governo na Câmara dos Deputados, Ricardo Barros (PP-PR), aos leões da CPI da Covid.

 

 

Bolsonaro, de volta às motociatas, hoje em Santa Catarina, afirmou que a CPI da Covid é conduzida por “sete pilantras” e ignora solenemente as acusações dos irmãos Miranda.

 

 

A CPI da Covid considera que agora o foco das investigações será o presidente da República. Resta saber se ela pode fazer isso. Juristas estão debruçados sobre as leis, os usos e os costumes para decidir, na próxima semana o que fazer. Uma possibilidade é apresentar notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal por suposta prevaricação do presidente. Nas redes sociais, o deputado Luiz Miranda admite que tem como comprovar que Bolsonaro sabia quem estava por trás das tramoias no Ministerio da Saúde no caso da Covaxin.

 

 

Como no Brasil nada é para valer, teremos que esperar mais uma semana. O que é certo é que o Fora, Bolsonaro tende a aumentar de volume nos próximos dias. O que é certo é que Bolsonaro derrete nas pesquisas de opinião.

 

 

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