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A ilusão da egolatria: você sabe com quem está falando? 

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Episódios de pessoas que se julgam superiores e acima da lei, infelizmente têm se tornado comuns na sociedade brasileira. Num país marcado por um histórico de analfabetismo e negação da educação, sobretudo a camadas mais pobres da população, atitudes como essas apresentam-se como reflexo de um histórico de desigualdade que para alguns infelizmente é considerado natural.

 

Há pessoas que se consideram superiores e com a prerrogativa de humilhar publicamente aqueles que se consideram inferiores. O fato de ter trilhado um caminho de conquistas no horizonte da formação e no campo profissional ao invés de funcionar como um indutor de solidariedade e humanismo, converte-se em motivo de egolatria e justificativa para a manutenção da desigualdade. É fato que ocorreram falhas nessa trajetória formativa, sobretudo no que diz respeito à formação humana. E faz muito sentido refletir sobres questões como essas em um momento histórico de desvalorização das ciências humanas, com desculpa de que são inúteis. A falta desses conteúdos, ou o seu desprezo na formação humana parece mostrar de imediato os seus efeitos desastrosos.

 

Com razão afirmou Schopenhauer que o ser humano é o único animal capaz de fazer mal ao seu semelhante e outros seres simplesmente pelo fato de vê-los sofrer e regozijar-se com esse sofrimento. E a coisificação de seres não humanos também foi alvo das críticas de Schopenhauer, pois animais não podem ser considerados meros meios para quaisquer fins. Buscou mostrar com isso que a moralidade não pode ser a da própria conveniência e apenas a dos semelhantes.

 

Exige-se submissão e respeito em nome de uma suposta superioridade conquistada em nome de uma meritocracia, cuja igualdade de oportunidades, que deveria ser a sua base é, em grande parte ilusória. E o fato de dizer em grande parte, é justamente para fazer uma ressalva àqueles que enfrentam e todo tipo de preconceito e dificuldades para superar enormes barreiras e concluir um curso superior, conquistar um trabalho digno e continuar lutando por uma vida digna.

 

Uma das principais razões que podem ser buscadas para explicar esse ódio descabido contra os menos favorecidos está na insegurança. O medo de perder privilégios injustos provoca atitudes reacionárias estúpidas, que agridem, assolam e afrontam a dignidade humana. Que mérito existe em manter uma pretensa superioridade em nome de anos de estudo cujo acesso foi negado aos mais pobres? Por que continuar sendo parte do problema, quando o dever ético nos obriga a ser parte das soluções?

 

O que eu e você podemos dizer e fazer para que essa realidade seja transformada e o verdadeiro respeito pela humanidade impeça que atitudes irracionais não voltem a se repetir?

 

Luís Fernando Lopes é professor da área de Humanidades da Escola Superior de Educação do Uninter

 

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