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“A hora é de união para salvar a Petrobras “, afirma Rosângela Buzanelli

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Em entrevista realizada pela Aepet (Associação dos Engenheiros da Petrobras),  a representante dos trabalhadores no Conselho de Administração da Petrobras, Rosângela Buzanelli, alerta para a “tragédia que vem atrás da política de entrega da estatal”.

 

Eleita no primeiro turno como representante dos trabalhadores no CA da Petrobras,  a geóloga Rosangela Buzanelli está ciente da dimensão dos problemas que irá enfrentar como representante dos trabalhadores numa correlação desigual de forças. Com 33 anos de Petrobrás e experiências profissionais tanto na área operacional quanto na administrativa, ela adiou seus planos de aposentadoria ao aceitar este desafio. Mas, para que seu trabalho tenha êxito, faz um apelo à união de todos os que lutam na defesa de uma Petrobrás integrada, capaz de cumprir a missão para a qual foi criada.

 

Nesta entrevista ao Aepet Direto, Rosangela frisa que as portas estão abertas a todos os que quiserem se engajar na conscientização da sociedade para os riscos que a empresa vem correndo e sua importância no dia-dia da população e para o desenvolvimento do Brasil. “A Petrobrás ainda está no coração dos Brasileiros”, afirma.

 

Qual a maior motivação para sua candidatura?

 

A indignação com os recentes acontecimentos no país e na empresa, pois não estamos conseguindo estancar o processo de entrega da Petrobrás. Sei que o desafio é grande, por isso a representação dos trabaladores no CA tem que ser um processo coletivo. Tentarei incansavelmente denunciar o que possível e reverter votos em decisões contrárias aos interesses da empresa e dos trabalhadores. Hoje a situação é muito adversa. Não usam mais a palavra privatização, porque apesar de tudo a Petrobrás ainda está no coração dos brasileiros. Mas a Companhia já opera como empresa privada. Significa que não tem como meta desenvolver o país e dar retorno à sociedade.

 

Qual é a meta da atual diretoria?

O projeto deste governo, implantado com velociadde jamais vista, é transformar a Petrobrás numa empresa voltada apenas para a exploração e produção, com o objetivo de dar retorno ao acionista. É um crime contra o país, um projeto mesquinho até para uma empresa privada, sobretudo porque a Petrobrás, integrada, já se apresentava como empresa de energia, não apenas de petróleo. Hoje querem produzir no pré-sal para maximizar lucros e dividendos ao acionista. Não interessa se o consumidor paga caro pelo combustível ou se o Brasil não está se desenvolvendo.

 

Como esclarecer a sociedade sobre esses fatos, se na mídia hegemônica tem predominado a desinformação a respeito da empresa?

 

Temos dificuldade de furar essa bolha. Falamos muito para nós mesmos. No entanto, na greve de novembro do ano passado, na verdade uma paralisação apenas parcial, tocamos muito na sociedade. O preço do gás já caro e fizemos campanha junto à população, ofertando gás mais barato para explicar a razão de o preço estar tão alto. Não conseguimos desmistificar a questão da corrupção porque o tema já não estava na ordem do dia e o trabalho feito na mídia foi muito intenso, com dutos enferrujados soltando dólares e outros adereços.

 

É importante mostrar para a sociedade que a operação Lava Jato destruiu a engenharia nacional. Não foi só a indústria naval, mas a metalurgia, siderurgia. Em nenhum país se pune empresas. Quando há corrupção provada, a pessoa corrupta é punida, não as empresas, que geram empregos e fazem girar a economia. Tivemos uma guerra no Iraque, que destruiu o país, para depois entrarem os “bonzinhos”, com suas empresas, para reconstruir. Aqui não precisou de bomba. O que tentamos hoje é lembrar que a Petrobrás é uma empresa compromissada com o Brasil e seu povo, que jamais poderia praticar preços internacionais para combustíveis como o gás de cozinha e o diesel, por exemplo.

 

Como o seu mandato poderia se articular com outros segmentos para falar com o conjunto da sociedade?

 

Há uma respeitabilidade no cargo, o que pode abrir portas. Minha eleição foi noticiada em veículos como o jornal Valor e O Globo, por exemplo. Durante a greve, nos aproximamos dos caminhoneiros, tentando explicar porque o diesel estava caro. Aquela paralisação também foi conduzida pelos donos das empresas de transporte, boa parte da categoria votou no atual presidente, mas ainda assim chegamos a muitos caminhoneiros. Foram receptivos, mas tinha o momento da greve. Mas nem sempre é possível quebrar essas barreiras. Além disso, estamos sob tantos ataques, AMS, vendas de refinarias, o acordo coletivo de trabalho é atropelado. Não há segurança jurídica no país. Hoje a guerra de informação é muito grande, detro e fora da empresa. Um trabalho árduo.

 

Como unificar a luta em defesa da Petrobrás junto à mídia para chegar à sociedade?

 

Temos de unir forças. Os canais estão abertos, temos que conversar sobre essa unificação. Hoje, devido à pandemia, há um congestionamento nas mídias sociais, lives por exemplo, o que torna essas ferramentas um pouco massantes. Mas temos que pensar junto as alternativas. Certamente as mídias alternativas podem se unir com outras entidades, como a AEPET, o Clube de Engenharia, Senge, ABI, Crea. Não são partidos, estes são de outro fórum, pois muitas vezes acabam afastando alguns segmentos.

 

Como sensibilizar os políticos?

 

Na greve, iniciamos um trabalho na Assembleia Legislativa do RJ e algumas câmaras municipais. O Estado do Rio está perdendo muito. O Norte Fluminense, por exemplo. A arrecadação está caindo aceleradamente. Campos de água rasa estão sendo vendidos ou hibernados. Os gigantes do pós-sal estão em parcerias, há precarização impressionante das relações de trabalho, redução do efetivo, denúncias em relação às plataformas. Alguns campos têm redução dos royalties para estimular a produção, o que reduz a arrecadação. A construção naval praticamente acabou. Os poderes executivos – prefeituras e governos de estado – também precisam ser alertados para a tragédia que vem atrás dessa política de entrega de patrimônio.

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