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A guerra híbrida na Venezuela e o silêncio da mídia brasileira

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Constatamos, sem surpresa, a parcialidade da mídia brasileira na cobertura das eleições venezuelanas realizadas no dia 6/12. As notícias apontam falta de lisura do pleito, mas não citam dados objetivos que respaldem tal afirmação.

 

Algo que nos faz indagar se as acusações seriam mais um subterfúgio da oposição, liderada pelo enfraquecido Juan Guaidó, que tenta há anos derrubar o governo Nicolás Maduro sem sucesso.

 

Ninguém tem dúvidas de que todo governo que contrarie interesses estadunidenses será castigado. A potência vem inclusive desenvolvendo táticas de intervenção capazes de combater internamente governos “inimigos”, sem revelar, no entanto, os reais protagonistas e suas verdadeiras intenções.

 

Tal estratégia consiste em fomentar movimentos de contestação ao governo, com o objetivo de desestabilizá-lo e enfraquecê-lo até ser deposto, supostamente, por sua própria população.

 

A metodologia foi empregada na Ucrânia, onde o presidente Víktor Yanukóvytch foi deposto e substituído por um político alinhado aos interesses estadunidense – processo descrito por Andrew Korykbo em estudo intitulado Guerras Híbridas.

 

É importante que os movimentos de esquerda latino-americanos tenham consciência de que a Venezuela e outros vizinhos possam ser alvo dessa forma de intervenção. Cabe, então, observar os pontos a seguir.

 

A aplicação do modelo de guerra híbrida pressupõe formação de um elo entre agentes intervencionistas e figuras locais, políticos ou partidos de oposição. Não há dúvida de que o grupo liderado por Guaidó encarna o polo interno de tal relação. Não é segredo, tampouco, que a atuação de seu grupo é subsidiada por recursos provenientes do exterior, seja sob a forma de treinamento militar, logística ou aporte material ou financeiro disfarçado de ajuda humanitária.

 

Por outro lado, as críticas de Guaidó ao governo de Maduro servem de chamamento ao endurecimento de sanções econômicas por parte dos Estados Unidos – claramente destinadas a destruir a economia venezuelana e levar a população a um estado de carência e descontentamento que potencializem insatisfações.

 

O surgimento de protestos de rua são o campo ideal para intensificação das táticas da guerra híbrida. Ferramentas de comunicação da Internet e redes sociais servem para fazer com que os protestos aumentem em número de participantes, se avolumem e se expandam, produzindo situação de descontrole e ingovernabilidade capaz de levar o governo ou a renunciar ou ser deposto.

 

Parece ser esse o objetivo do grupo de Guaidó – representante de uma elite cujo enriquecimento se prende à lucratividade de corporações internacionais. Não há dúvida de que esse setor almeja o retorno ao regime anterior.

 

O resultado das recentes eleições parlamentares evidenciou, no entanto, o vazio da oposição, ao tempo em que assegurou a continuidade do projeto bolivariano.

 

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