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A globalização da violência política, do Japão ao Brasil de Bolsonaro 

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O artigo a seguir já estava escrito quando, no domingo, tivemos as primeiras notícias do assassinato de Foz do Iguaçu. Relendo-o, verifico que ele não precisa ser jogado fora, porque oferece referenciais para ampliar o contexto em que aconteceu o caso de Foz. Em resumo, o que se pode pensar é que a globalização da violência política é um cenário estimulante para a violência própria do bolsonarismo, estimulada, por sua vez, pela enxurrada de ódio e mentira que a cada dia Bolsonaro, pessoalmente, espalha a seu redor. Só mudei o título.

 

 

Se já era com horror e medo que acompanhávamos o noticiário sobre sucessivas matanças com armas de fogo nos Estados Unidos, como não reagir ainda mais diante do assassinato do ex-Primeiro-Ministro do Japão Shinzo Abe? 

 

Nos Estados Unidos é facílimo comprar armas e as tentativas de regulamentar o acesso a elas esbarram sempre em resistências no Congresso e na própria Suprema Corte, em nome de uma discutível proibição constitucional.

 

No Japão, porém, o controle da posse e uso de armas de fogo é rigorosíssimo, talvez o mais rigoroso do mundo, e são tão raros os casos de homicídio com arma de fogo que no ano passado inteiro só houve um caso, só um.

 

Por isso o assassino teve de contentar-se com uma espécie de escopeta, de dois canos e 40 centímetros de comprimento, montada em casa e com improvisações como fita isolante juntando os canos um ao outro.

 

O assassino, Tetsuya Yamagami, da cidade de Nara, onde o crime foi cometido durante um comício, tem 41 anos, pertenceu há tempos à Marinha japonesa e a polícia não soube informar se tinha emprego. Como em sua casa foram encontradas outras armas também improvisadas, especulou-se que ele pode ser também um caçador, atividade regulamentada no Japão, mas só permitida contra animais de algum modo perniciosos. 

 

A polícia encontrou também explosivos na casa do assassino, mas não informou se o acusaria de terrorismo. Um único governo, curiosamente, denunciou como ato de terrorismo a morte de Abe, o do Irã.

 

Terrorismo ou não, mais essa morte leva ao Japão, do outro lado do mundo, a globalização da violência política embutida no exercício do poder pela extrema direita neoliberal ou na atividade política de oposição praticada por ela.

 

No Brasil, essa violência política já se torna muito frequente e passa a ser constante neste início de campanha presidencial, o que faria pensar no contágio de uma pandemia ideológica se não fosse pelo fato de que a campanha presidencial passada, em 2018, também foi assim.

 

É claro que as práticas mudaram, algumas já não são adotadas porque a repetição as desmistificou, como o kit gay e a mamadeira erótica, e outras estão sendo inventadas. Mas dá para perceber nitidamente em que extensão e profundidade já afundamos na baixaria.

 

Há pouco tempo Lula esteve em Minas e num encontro em Uberlândia com o Prefeito Kalil, de Belo Horizonte, um drone despejou sobre o público, talvez por falta de pontaria, uma carga de material fétido, possivelmente um composto de fezes e outros restos.

 

Em Brasília, mais recentemente, o juiz Ricardo Borelli, que tinha decretado a prisão do ex-Ministro da Educação Milton Ribeiro, saía de casa em seu carro quando este passou a ser atingido por uma saraivada de ovos e, de novo… fezes.

 

Na noite de quinta-feira, agora, o comício de Lula na Cinelândia, no Rio, foi alvejado por uma bomba improvisada numa garrafa plástica com dois petardos explosivos e material muito fétido que certamente incluía fezes.

 

O artilheiro dessa façanha foi visto por uma espectadora, a advogada Janira Silva Inácio, quando acenda o pavio no gargalo de uma garrafa pet e a lançava para a área ocupada pelo público. Ele jogou a bomba e saíu correndo em busca de socorro, que encontrou numa patrulha da PM à qual se entregou preso, na esquina mais próxima, da Avenida Rio Branco com a rua Araújo Porto Alegre.

 

Levado à delegacia da polícia civil, o preso se identificou como André Stefano Dmitriu Alves de Brito, aposentado, 55 anos, e declarou não ter qualquer inclinação político-ideológica, apenas ser contra a polarização que se verifica no país e é muito ruim para ele.

 

Curioso, o sujeito está incomodado com a polarização e joga um petardo desses no comício do Lula, que é vítima e não provocador da polarização. Por que não pensou em jogar sua bomba numa motociata de Bolsonaro, que faz tudo para provocar a polarização?

 

De Nara, no Japão, à Cinelândia, no Rio, a globalização da violência política se manifesta em ações praticamente simultâneas, como se articuladas a um mesmo comando. E no Brasil com a cumplicidade, estímulo e proteção do próprio governo. Vamos esperar agora por um decreto de graça em favor do artilheiro da Cinelândia, nos mesmos termos do que perdoou o deputado Daniel Silveira? Ou o artilheiro vai ser abandonado e contará tudo?

 


 

(*) Por José Augusto Ribeiro – jornalista e escritor. Publicou a trilogia A Era Vargas (2001); De Tiradentes a Tancredo, uma história das Constituições do Brasil (1987); Nossos Direitos na Nova Constituição (1988); e Curitiba, a Revolução Ecológica (1993). Em 1979, realizou, com Neila Tavares, o curta-metragem Agosto 24, sobre a morte do presidente Vargas.




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